16.3.16

MANEL DA LENHA - PARTE XXXIII



E ainda que conseguisse, havia a mais velha. Saíra da escola no ano anterior, gostaria de estudar, lia tudo o que apanhava à mão e até gostava de escrever histórias. Decerto ia ficar revoltada da irmã ir estudar e ela não. Mas por outro lado, ela, a mais velha era uma moça forte, tinha já quase o corpo de uma mulher e podia melhor aguentar o trabalho, do   que a outra, que fora sempre uma miúda franzina, e medrosa. Por outro lado havia o rapaz. A professora acabara de lhe comunicar que o miúdo ia fazer a passagem. Mas não sabia o que seria no próximo ano.
 Ele até parecia um miúdo inteligente, mas era “pelego”. 
Até parecia castigo. Tanto que ele desejara aquele filho. E afinal depois que ele nascera multiplicaram-se os seus problemas. Primeiro com a doença da mulher, depois, o miúdo gostava de se isolar, de brincar sozinho. Tivesse ele uns pedacitos de madeira uns pregos e um martelo e ele brincaria uma tarde inteira sozinho. Ou um balde com água e terra. E era vê-lo entretido em grandes construções.
Assim naquela noite enquanto mostrava aos filhos o monumento iluminado lá ao longe, Manuel erguia uma prece ao Cristo Redentor, suplicando ajuda para o seu menino.
 Alguns dias mais tarde, depois de uma conversa com o irmão e cunhada, o Manuel decide que a filha do meio vai estudar. A miúda fez os exames de quarta  classe e admissão com distinção, ganhou uma pequena bolsa de estudos, o tio forneceria os livros, já que os dois filhos estudavam, e naquele tempo os manuais escolares não mudavam todos os anos, e a mulher do empregado de escritório,dava algumas roupas que já não serviam às filhas.Roupas boas, de qualidade, que fariam com que a sua menina não fosse, “a vergonha da escola”. Claro que a mãe teria que as adaptar ao corpo da miúda, mas isso não era problema. Além disso a prima também ajudaria dando algumas explicações se a miúda precisasse. Ainda assim Manuel interrogava-se sobre a justiça de dar àquela filha a possibilidade que uma vida que os outros dois não teriam.






15 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Se houver a possibilidade de ir longe nos estudos nem que seja só para um dos filhos à que aproveitar.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Isa Sá disse...

Acompanhado as histórias...
Tenha um ótimo dia!


Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

✿ chica disse...

Seria melhor aproveitar a chance que a vida estava dando para a menina, ainda que os outros não a tivesses.E, quem sabe, chegaria a vez deles também? Lindo! bjs, chica

Anete disse...

Estou gostando do que nos conta!
Tomara todos possam estudar...

Um abraço, Elvira.

Edumanes disse...

Se o Manuel não podia dar tudo o que desejaria dar aos filhos. Todavia, penso que nenhum deveria ser prejudicado! Se eram todos seus filhos, todos mereciam ser tratados da mesma maneira?

Tenha um bom dia, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

António Querido disse...

OLÁ Amiga! Passagem rápida, a sementeira das batatas espera-me! O meu abraço.

Blog da Gigi disse...

Lindo dia!!!!!!!!! Beijos

Mariangela do lago vieira disse...

Oi Elvira, neste tempo era assim mesmo, os pais só proporcionaria a um, se também pudesse fazer aos outros. E assim muitas oportunidades passavam...
Mas ainda bem apareceu esta chance!

A internet aqui está horrivel, há blogs que não estou conseguindo comentar!
Abraços amiga!
Mariangela

Elisa Bernardo disse...

Sempre a acompanhar querida Elvira e sempre a gostar do que leio.
Um grande beijinho
elisaumarapariganormal.blogspot.pt

Gaja Maria disse...

Uma escolha difícil, poder proporcionar estudos a apenas dois filhos e não aos outros...

Laura Santos disse...

Esse sentimento de poder dar a um filho e não poder dar a outro deve ser terrível...e é muito bom que os filhos mais tarde entendem tudo isso e não cobrem aos pais o não terem tido o que gostariam.
xx

Pedro Coimbra disse...

Mais um drama que muitas famílias viveram - normalmente os mais velhos iam trabalhar para os mais novos poderem estudar.
Foi assim em Portugal, aqui na China ainda é em muitos locais.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Vou repetir o que disse anteriormente: Deus fecha a porta, mas deixa sempre uma janela aberta.

Abraços,

Furtado.

Zilani Célia disse...

UM DILEMA PARA O MANUEL QUE AMAVA TODOS OS FILHOS DA MESMA FORMA, NOTA-SE.
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Renata Maria disse...

Que pelo menos um prossiga nos estudos.
Beijo*