15.2.16

MANEL DA LENHA - PARTE VIII

Voltamos hoje à história do nosso Manuel. Para os mais assíduos, encontrarão neste episódio uma história que já conhecem pois de toda a história eu fiz um resumo com a história das botas roubadas e do resultado desse roubo, que postei o ano passado com o titulo de "A história de um par de botas ... do estado".
foto do google
No quartel, Manuel faz amizade com outro soldado, o Varandas, também pertencente ao seu concelho mas de uma terra vizinha.
Uma amizade que se vai manter toda a vida. Um dia recebe uma carta de Laurinda, informando que tem mais um sobrinho. Desta vez, um rapazinho, mas Manuel, há muito que não vê a irmã e ainda não conhece os sobrinhos.  
A guerra propaga-se e muitos "filhos da escola" de Manuel, partem para África, na tentativa de defender as nossas colónias. E para os Açores. Entre os que partem está o seu grande amigo, Zé Varandas.
No quartel, Manuel recebe uma carta da Piedade, escrita pelo Sr. Américo, que mostra a aflição do seu coração de mãe, com as notícias dos soldados que vão para a “guerra”.
Dois anos depois, o Manuel está prestes a terminar o tempo de tropa e a passar à reserva. Nessa altura porém uma certa manhã, ao levantar-se deu por falta das botas.
 Quando ele viera para a tropa, o Sr. Américo, tinha-lhe dito “Manuel, tem cuidado com as tuas coisas no quartel. Anda por lá filho de muita mãe e de vez em quando, algumas coisas desaparecem. Se te faltar alguma coisa, não te queixes, tira essa mesma coisa a quem te ficar mais perto. Ele tirará a outro e no fim, tudo estará certo”.
Ele ouviu mas nunca lhe tinha faltado nada e aos poucos foi deixando de se preocupar. Naquele dia porém, não tinha botas para a formatura e como tinha acordado  depois dos outros, já não podia tirar as botas de ninguém. A poucos dias de sair tropa, Manuel, teve que participar a “perda” das botas. E tinha que pagar umas botas novas ao exército.
Como porém ele não tinha dinheiro para pagar as botas, e havia falta de mancebos nos quartéis, por via do “sangramento” para os Açores e para as colónias, foi-lhe proposto que ele poderia pagar a dívida ao estado com mais dois anos de tropa, "voluntária". Sem outra alternativa, aceitou.
Porém ao fim de três meses, Manuel que era ajudante de cozinheiro, estava farto, não só dos tachos e das panelas, como da vida da tropa, e num dia em que saiu de licença, depois de algumas voltas pela cidade, pensou que não o apanhavam mais no quartel, e desertou.  


19 comentários:

✿ chica disse...

Xi! Agora vai se dar mal.Desertar do quartel,!!! Tá lindo aqui! bjs, chica

Mariangela do Lago Vieira disse...

Meu Deus...Coitado do Manuel!
Isso nã vai dar certo.
Muito bom...Vou aguardar pra ver!
Abraços!!
Mariangela

Mariangela do Lago Vieira disse...

Meu Deus...Coitado do Manuel!
Isso nã vai dar certo.
Muito bom...Vou aguardar pra ver!
Abraços!!
Mariangela

Edumanes disse...

Vida dura, para papar um par de botas. Mais dois anos de serviço militar. Talvez tenha feito mais mal do que bem em desertar? Embora tivesse farto dos tachos e das panelas! Nesse tempo os tachos eram diferentes dos tachos de agora. Agora o que eles querem é tachos! São milhares a correr para um só tacho!

Tenha uma boa tarde de segunda-feira, amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Isa Sá disse...

Acompanhando a história...tenha uma ótima semana!

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Rogerio G. V. Pereira disse...

O Manel perdeu as botas
e eu a arma

Palavra!

(foi o Primeiro Sargento que ma escondeu e nem dei pela perda...)

Emília Pinto disse...

Parabéns, Elvira pela linda poesia feita ao " teu mais que tudo. Boa forma de comemorar o dia dos namorados. Eu? Não seria capz de fazer um veros!!!!. Cá vou acompanhando o conto onde nem tudo é ficção, creio. Amiga, uma boa semana, pelo menos sem o dilúvio que temos tido. Beijinhos
Emilia

Ana S. disse...

Acho muito bem!
Afinal que botas são essas para custarem 2 anos de serviço? ehehe
Boa semana Elvira
Abraço

São disse...

Desertando só vai piorar tudo.

Beijinhos

Cadinho RoCo disse...

Tem hora que a liberdade grita mais alto.
Cadinho RoCo

Tintinaine disse...

Passando para deixar um abraço!!!

Gaja Maria disse...

Ui! Está metido em maus lençois :)

Portuguesinha disse...

Cada vez mais interessante.
Se o título da história já chegou a ser as botas... Espero que não seja nelas que tenham a identificação que mais tarde serve para identificar cadáveres :(

A história está a atravessar tantas décadas de tremenda importância para Portugal que é de facto muito interessante. Estou a torcer para um encaixe surpreendente. Uma melhoria de vida para aquela mãe e uma lição de vida para quem tendo o dever de contribuir, virou as costas.

Andre Mansim disse...

O interessante dos seus contos, é que eu por exemplo, que não circulo pela internet todos os dias, e que perco muitos capítulos, mesmo lendo um aqui e outro acolá, sempre consigo me divertir com a sua narrativa tão desenvolta e acessível.

O livro ainda não chegou... Sniff!!!!!! Mas logo chega!

Tenha uma linda semana, minha amiga!

Odete Ferreira disse...

Do que é que o rapaz se havia de lembrar!
Vamos esperar pela fértil imaginação da autora!
BJo :)

Elisa Bernardo disse...

Acompanhando este belíssimo conto.
Beijinhos
elisaumarapariganormal.blogspot.com

Rosemildo Sales Furtado disse...

Como desertor as consequências devem ser as piores possíveis. Botinhas caras hem!

Abraços,

Furtado.

Renata Maria disse...

Pobre Manel! Não merece. Vou ler a sequência.
Beijo*

Zilani Célia disse...

UMA ATITUDE DRÁSTICA QUE NA CERTA VAI LHE CUSTAR CARO.
ABRÇS

http://. zilanicelia.blogspotcom.br/