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Por mais de quinze dias, ficou em casa dos pais, no seu quarto de solteira. Depois um dia pegou nas chaves e voltou a casa.
Foi estranho e muito doloroso entrar naquela casa, onde cada canto falava de amor e sentir-se morta por dentro. Mas para além do seu ar de menina, encontrava-se uma mulher forte e batalhadora.
Por mais de quinze dias, ficou em casa dos pais, no seu quarto de solteira. Depois um dia pegou nas chaves e voltou a casa.
Foi estranho e muito doloroso entrar naquela casa, onde cada canto falava de amor e sentir-se morta por dentro. Mas para além do seu ar de menina, encontrava-se uma mulher forte e batalhadora.
Separou as suas coisas pessoais e meteu-as numa maleta para levar para casa dos pais. Tudo o resto, móveis, enxoval, e as roupas de Fernando iriam para uma instituição de caridade. Ela queria encerrar aquela etapa da sua vida.
Falou com os pais que como sempre a apoiaram e ajudaram e dois meses depois entregava as chaves da casa ao senhorio.
Embrenhada nas suas recordações não se desviou a tempo do homem parado na sua frente e só não caiu porque uns braços fortes a envolveram
- Desculpe – murmurou quase sem voz
Os olhos cinzentos do homem cravaram-se nela. Era um olhar intenso, penetrante, que ela sentiu na pele como brasa incandescente . Mas a voz, ligeiramente rouca, soou gentil e educada ao perguntar:
-Sente-se bem?
Isabel assentiu com a cabeça, murmurou um obrigado e afastou-se apressada daquele homem que de alguma maneira a tinha desassossegado.
Por fim estava junto das suas coisas. Guardou na bolsa o
telemóvel e o porta-moedas, despiu os calções e a T-shirt, estendeu na areia a toalha colorida, e sentando-se
nela começou a espalhar sobre o seu belo e doirado corpo, o protector solar. O
telemóvel tocou e Isabel esboçou um gesto de aborrecimento mas não atendeu.
Quando acabou guardou o frasco, voltou a colocar os óculos escuros e fitou o
mar. A maré tinha subido um bom bocado desde que ela chegara, o sol aparecia a
espaços entre as nuvens, e logo desaparecia como se estivesse jogando às
escondidas com aqueles que estavam cá em baixo esperando por ele. Mas o tempo
tinha aquecido bastante e ali ao lado, havia muitas crianças brincando, vigiadas de perto por três mulheres. As crianças, mais ou menos da mesma idade, tinham todos chapéu igual.
“Crianças de alguma creche” pensou Isabel.
“Crianças de alguma creche” pensou Isabel.
O telemóvel voltou a tocar. Desta vez atendeu
e durante breves minutos foi respondendo ao que lhe perguntavam do outro lado.
Por fim disse:
- Depois de amanhã estou aí. Por favor Amélia
vê se não estás sempre a ligar.
Calou-se e escutou o que lhe diziam do outro
lado.
