Uma
vez dentro da residência e depois das apresentações e dos cumprimentos, Teresa
Meireles a avó das meninas, não se cansava de olhar para a nova neta, enquanto
dizia para a filha:
-Meu
Deus Laura, ela é igualzinha a ti quando tinhas a sua idade. Se eu fosse uma
desconhecida, pensaria que a Matilde era tua filha.
- Foi precisamente essa semelhança que me alertou - disse Gonçalo
A
preocupação de Lena sobre a forma como a família de Gonçalo as recebesse
desapareceu rapidamente ante a simpatia e o carinho que todos lhes
demonstravam.
Houve
apenas um momento de atrito, quando dona Teresa afirmou que eles teriam que
casar o mais rápido possível e se ofereceu para ajudar a preparar a cerimónia.
Lena
manteve a posição já assumida perante a sua própria família, de não querer o
casamento, e os pais dele não gostaram disso, porém Laura tomou a sua defesa,
dizendo à mãe, que aquele era um dia de festa, para viverem a alegria de
conhecerem a neta e não para se meterem na vida do filho e de Helena, que eram
adultos e tinham discernimento suficiente para saberem o que era melhor para as
suas vidas. Além disso, os dois não se viam há muitos anos, era necessário dar
tempo ao tempo, para que os dois se conhecessem de novo.
A
Laura tem razão, querida, - disse Aníbal apertando carinhosamente a mão da
esposa. Vamos viver este momento de felicidade, e deixar que os dois resolvam o
que é melhor para eles e para a menina.
Nesse
momento, Miguel que brincava com uma bola no parque, resolveu chamar a atenção
para si, lançando a bola com toda a força do seu pequeno corpo para as pernas do
tio e as meninas correram para junto dele, seguidas por Laura que o segurou ao
colo e o apresentou a Helena, antes de dizer:
-Desculpem-me
por um momento, vou trocar-lhe a fralda.
E
afastou-se seguida pelas duas meninas. Teresa não voltou a pronunciar a palavra
casamento e Helena sentiu-se grata por isso.
O
resto do dia decorreu num clima de conversa ameno, onde as crianças foram a
preocupação constante.
Pouco
depois do jantar, Laura pediu desculpa pois Miguel acabara de adormecer no colo
da avó, e porque no dia seguinte era dia de aulas, Sara deveria despedir-se de
todos e ir lavar os dentes para ir para a cama. A filha assim fez dizendo a
Matilde que uma vez que estavam na mesma escola, se veriam no dia seguinte.
Helena
aproveitou para se despedir também, não sem antes de prometer que haveriam de voltar
a ver-se num futuro próximo.
Gonçalo
levou-as a casa e ao chegarem, a filha perguntou:
-Mãe,
porque não convidas o pai a entrar e lhe ofereces um café? Ainda é cedo e
afinal os adultos não se costumam deitar tão cedo como os filhos.
Helena
não tinha vontade de prolongar a noite, ainda mais sozinha com Gonçalo o único
homem que amara e que ainda lhe fazia tremer as pernas e adejarem borboletas na
barriga.
Porém
ante a insistência da filha e o olhar interrogativo do pai, não lhe restou
outra alternativa que fazer o convite.
Uma
hora mais tarde, depois de terem bebido o café e conversado um pouco sobre a
família dele e a impressão com que ela ficara deles, ela acompanhou-o à porte e
estendeu-lhe a mão para se despedir, mas Gonçalo puxou-a para si, inclinou a
cabeça e beijou-a apaixonadamente





