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4.1.20
QUANDO OS ALCATRUZES DESCEM AO FUNDO DO POÇO
A minha avó costumava dizer que a vida era como uma nora com os seus alcatruzes. Ora estava cá em cima ora lá no fundo. E que a sabedoria estava em festejar quando se estava nos píncaros e aceitar com alegria quando se estava no fundo porque a partir dali era sempre a subir.
O alcatruz da minha vida, desceu o ano passado até ao fundo, com o meu problema nos olhos e as três cirurgias que tive de fazer, a tendinite no ombro direito que me impediu de mexer o braço durante algum tempo, os AVC, do meu cunhado em Maio e do meu marido em Julho, a queda da minha sobrinha, que sofre de Esclerose Múltipla e fraturou bacia e colo do fémur, o que a obrigou a internamento e cirurgia, e a morte de quatro amigos que me eram muito queridos. Um ano de muito sofrimento, que levou os alcatruzes da minha vida até ao fundo do poço. Mas tal como dizia a minha avó eles começaram a subir, depois do meio do ano. A cirurgia da minha sobrinha correu bem e ela já recuperou a pouca mobilidade que tinha anteriormente, o meu marido, recuperou muito bem, apenas com um mês de internamento, tivemos a alegria do nascimento de mais uma neta; e o meu cunhado também está a recuperar embora esteja longe de conseguir fazer uma vida normal, sem ajuda. Espero e desejo que o transplante de córnea me dê alguma visão no olho esquerdo, até porque tem dias que quase não consigo ler, escrever, ou estar no pc, porque o olho direito põe-se vermelho, começa a chorar e a arder e só estou bem com os olhos fechados.
Essa é também a razão porque eu não comento como merecem os vossos artigos.
Termino agradecendo a compreensão e apoio que me dedicaram ao longo de todo o ano.
Que Deus vos abençoe.
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