Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta chinelos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta chinelos. Mostrar todas as mensagens

12.8.18

FOLHA EM BRANCO - PARTE XIV



                                                        foto da net


Apagou o cigarro, na torneira do tanque, lançando-o depois para o caixote do lixo. Olhou o relógio. Horas de almoço. Sacudiu a cabeça. Até nisso a sua rotina fora alterada, pois sempre fez as refeições fora e agora tinha que as trazer para casa. Foi até à entrada do quarto. A jovem permanecia na mesma posição. Pensou que tinha adormecido. Preparava-se para sair quando ela surgiu na sala.
Miguel aproveitou para lhe perguntar se não queria ir almoçar com ele. Contrariamente ao que esperava ela aceitou. Se ele esperasse enquanto ela ia jogar uma água no rosto, e passar a escova no cabelo. Ele assentiu e ela apressou-se em direção da casa de banho.
Afinal valera a pena a conversa que tivera com ela -, pensou Miguel.
Minutos depois estava de volta e Miguel afastou-se para a deixar passar.
- Se não se importa de caminhar podemos ir a pé. Há um bom restaurante aqui perto.
-Gosto de caminhar  - retorquiu a jovem.
Ela seguia, observando tudo ao seu redor, como se nunca por ali tivesse passado.
Por sua vez Miguel observava-a de soslaio, tentando adivinhar no seu rosto, algum sinal de reconhecimento.
De súbito ela perguntou:
-Quando vou ao médico?
-Depois do almoço, podemos ir ao consultório. Com um pouco de sorte, talvez se consiga, consulta para hoje.
Um pouco mais tarde, ela perguntou:
-Posso pedir-lhe uma coisa?
-Claro.
- Podia comprar-me uns chinelos? Hoje tive que usar os seus…
- Gostava de ter visto isso, - riu Miguel. Esses delicados pezinhos de boneca, nos meus chinelos, número 44.
-Quase um só chegava para os dois pés, - disse ela, sorrindo.
Era a primeira vez que Miguel a via sorrir, e gostou de a ver assim.
Afinal, talvez não fosse tão difícil assim, a convivência entre os dois. 
O restaurante onde Miguel costumava fazer as suas refeições, não era muito grande, mas era agradável, com a sua decoração campestre, e muita luz, boa comida e a simpatia dos empregados, que se apressaram a conduzi-los para a mesa, onde habitualmente Miguel costumava ficar. Este escolheu peixe grelhado com legumes e passou a lista à jovem que sem a abrir, pediu peixe grelhado e salada.

16.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXXI




Pela primeira vez desde que se tinha tornado um adulto, Cláudio sentiu que o pai lhe estava a esconder alguma coisa.  Conhecia-o bem. Talvez fosse algum problema com o casal, ou quem sabe o médico dissera-lhe alguma coisa sobre a saúde da mulher que ele não lhe queria contar para não o preocupar. Porque com os negócios não era. Nunca tinham corrido tão bem como no ano anterior, e este ano, a menos que acontecesse uma catástrofe natural, como chuvas intensas ou queda de granizo, que naquela época e com as uvas quase na fase das vindimas seria realmente uma grave perda, o ano ia ser muito profícuo.  Porém o tempo estava bom e o prognóstico do IPMA para os próximos dez dias não podia ser melhor. Teria que telefonar ao seu amigo Doutor Ricardo Souto, para saber se havia alguma coisa de errado com a mãe.
Até ele chegaram as onze badaladas do sino da Igreja. Devia ir deitar-se, tinha muito trabalho no dia seguinte. Mas a noite estava quente, o céu estrelado, e não se ouvia outro ruído que não o cantar dos grilos na sua ária de sedução para atrair a fêmea. E as cigarras. Cláudio gostava de ficar ali em silêncio, a sós consigo mesmo e com os seus pensamentos mais íntimos, que ultimamente tinham um nome. Helena.
Porque teria a jovem fugido dele? Porque não lhe dera, nem dera a si própria a hipótese de se conhecerem melhor? Será que tinha alguém a quem não queria trair? Um namorado, um noivo?
Porque havia ela de ter aparecido na sua vida, se não tinha intenção de ficar? E porque raio ele não conseguia esquecê-la? Mal se abstraía do que estava a fazer e logo ela chegava, e se instalava nos seus pensamentos como dona e senhora.
À noite, sozinho no enorme leito de casal, parecia-lhe sentir o seu perfume, a doçura dos seus lábios. Começava a sentir o peso da solidão. Estava na altura de procurar uma companheira. O pior é que até conhecer Helena, não se interessara por nenhuma, e agora, só a jovem lhe interessava. Mas como encontrá-la? Não podia andar, como os arautos da idade média, de cidade em cidade, gritando o seu nome.
Levantou-se aborrecido consigo próprio. Desde quando, ele, Cláudio Guerreiro, pensava parvoíces, tais como andar de cidade em cidade a gritar o nome de uma mulher? O melhor que tinha a fazer era ir deitar-se e tentar dormir. De dia, com os imensos afazeres, é muito mais fácil esquecer. E talvez a recordação da jovem lhe desse tréguas.
Pouco depois dormia profundamente. Acordou sobressaltado com a sensação de que não estava sozinho. Abriu os olhos e ficou espantado ao ver Helena, envergando uma curta e sensual camisa de dormir. Estava de pé junto à cama e sorria para ele.
"Não é possível, estou a dormir, isto é um sonho,"- pensou enquanto esfregava os olhos, esperando que a visão desaparecesse, mas quando os abriu, ficou espantado ao ver a jovem não só não tinha desaparecido, como naquele momento, se deitava a seu lado.
- Que fazes aqui? – Perguntou estupefacto.
- Chamaste-me e eu vim, - respondeu-lhe num sussurro.
Ainda sem entender como era possível, ele estendeu os braços e ela aninhou-se neles. Começaram a beijar-se. Primeiro docemente, depois com toda a força da paixão que os possuía. Beijavam-se, e despiam-se mutuamente, mãos e bocas percorrendo os corpos em carícias loucas, até que não podendo mais protelar o momento. Cláudio entrou nela e os dois iniciaram a dança mais antiga da humanidade.
No momento sublime em que ela gritou o seu nome, acordou encharcado em suor, deitado sobre a almofada. Acendeu a luz. Quatro horas da madrugada. Sentou-se na cama e procurou os chinelos. Precisava com urgência de um duche. 



Gente estão cansados da história? É que está tudo a falar no final!... E a procissão ainda só está no adro. 


A quem pergunta pela minha saúde, estou a fazer fisioterapia e estou melhor, embora longe de estar bem.
Esta tarde, fui a uma consulta de oftalmologia, pois notei que estava a deixar de ver do olho direito e como a mãe tinha glaucoma e o irmão tem glaucoma e quando descobriu já estava cego da um olho e com apenas metade de visão no outro, fiquei assustada e fui logo de manhã marcar uma consulta.
Pois bem o farol direito está com uma catarata que já me está a roubar 50% da visão. Mas não há nenhum sinal de glaucoma.
Aconselhou a operação até ao fim do ano.