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11.5.14

O MEU OLHAR É ...MÁGICO


O meu olhar é… mágico


O meu olhar é mágico. 
Ele é o portal de entrada na vida que me rodeia.
É a borboleta que dança inebriada
Sobre um canteiro florido.
Ele é a alegria esfuziante da criança,
Que brinca
Sob o atento olhar da mãe, que sonha
Para ela um futuro radioso.
Ele é o Amor latente nos jovens
Que trocam beijos num banco de jardim.
O meu olhar é mágico
Ele é a lágrima escondida na solidão dos idosos
A quem o desemprego levou
Os filhos na mala da emigração.
É a dor sem tamanho daquela mãe
A quem um acidente brutal roubou
A luz dos seus olhos.
Ele é o mar que no horizonte
Se funde no espaço celeste.
Ele é a nuvem que passa
O vento que verga as árvores
E o sol que a todos afaga.
O meu olhar é mágico
Porque ele é o portal das emoções
Que compõem a Sinfonia da Vida.

Maria Elvira Carvalho.



Mais uma participação numa Antologia de Poesia.  Na página 253 do II tomo da Antologia "Entre o sono e o sonho" da Chiado Editora, este poema.
E porque hoje é dia das mães, em vários pontos do globo, um dia muito feliz para todas as que o são. E para as outras que hoje são filhas e um dia serão mães também.

6.5.14

COM AS MINHAS PALAVRAS




 COM AS MINHAS PALAVRAS


Com as minhas palavras invento o Sonho
terá alma o Sonho?
Saberá dos milhares de crianças chorando
a fome
revoltados
pelo vento que arranca impiedoso
os frutos ainda verdes?

Com as minhas palavras invento a Vida
terá alma a Vida?
Saberá do silêncio dos que nascem
vivem
e morrem
no desespero da solidão?

Com as minhas palavras invento a Liberdade
terá alma a liberdade?
Saberá dos milhares de homens vivendo
dia após dia
hora após hora
a esmagar a raiva que martelam na memória?

Com as minhas palavras invento o Amor
Terá alma o amor?
saberá da indiferença dos que dormem
lado a lado
frustrados
na rotina agonizante do dia-a-dia.

Elvira Carvalho

4.5.14

4 DE MAIO. DIA DA MÃE

Neste dia que em Portugal se convencionou ser o dia da mãe, (pessoalmente eu não sou adepta dos dias de... qualquer coisa, muito menos dia da mãe, pois o somos todos os dias até ao último dia da nossa vida.) desejo a todas as amigas que o são, e àquelas que ainda têm a felicidade de contar com a presença física das vossas mães, um dia muito feliz.

29.4.14

FELIZ ANIVERSÁRIO SEXTA.

E o Sexta faz 7 anos. Normalmente neste dia costumo homenagear os blogues amigos.  Porém como a saúde continua de férias, sem mim,  falta-me a paciência para tudo. Deixo-vos um enorme obrigada, pela companhia, pela amizade, por tudo o que me têm dado ao longo destes 7 anos.
Bem Hajam

22.4.14

VISITA DE ESTUDO

De volta depois de mais um período em que a saúde se ausentou para parte incerta e me deixou como se costuma dizer de quatro.
Como alguns de vós sabeis este ano lectivo de 2013/14 ingressei na UTIB. Uma forma de aprender alguma coisa já que em devido tempo nunca consegui estudar. Infelizmente o segundo período estive quase sempre doente e foram poucas as aulas a que consegui ir. Ainda assim fui a um passeio de estudo no passado dia 23 de Março e vou agora mostrar-vos algumas das coisas que vi.

Antes da entrada nas oficinas da Fundação Ricardo Espírito Santo, um olhar em volta.
Ao fundo o Tejo banha a cidade.
Mesmo em frente à entrada S. Vicente o padroeiro
Na oficina de passamanaria, ao centro, um tear muito antigo e original pois funciona de cima para baixo.
Mostra de algumas das peças tecidas aqui. Muitas manualmente.

Nesta carpintaria se restauram peças muito antigas. Mas também se fazem peças que são reprodução de outras também muito antigas. As tiras na parede, são amostras das várias madeiras utilizadas.
Aqui moldes para executar alguns dos trabalhados que conhecemos em certas peças.
A caixa em cima da mesa apresenta múltiplas peças, algumas bem minúsculas. São as peças com que se fazem aqueles desenhos embutidos que vemos em algumas peças de mobiliário.  O aquecedor eléctrico serve para aquecer e dar o tom escuro na borda das peças.
Nesta parede várias amostras dos tais desenhos embutidos.

Aqui um mestre mostra como com um cinzel  e um martelo se fazem as obras de arte que se vêem na parede. A cinzelagem utiliza-se em vários metais, do ferro ao ouro.

Por hoje fico por aqui, espero que gostem.
E muito obrigada pelo vosso interesse e carinho na fase ruim que atravessei e que espero ter superado.







18.4.14

FELIZ PÁSCOA

A todos os amigos que por aqui passarem, eu desejo que tenham uma Páscoa muito feliz. Peço desculpa pela minha ausência nos vossos espaços, mas infelizmente a saúde não me tem deixado. Acontece que no dia 6 deste mês comecei com dores muito intensas no maxilar inferior desde uma orelha à outra. Tão intensas que houve dias nem consegui falar nem comer. Dormir então nem se fala. Primeiro médico, disse que era uma nevralgia do trigémeo. Dias depois fui a outro médico que disse que era uma inflamação articular do maxilar. Mudou a medicação. Como não resolveu três dias depois fui a outro médico, por sinal uma médica, que disse que era uma contractura do músculo facial.  Só deixou o Brufen 600 e mudou os outros. Um relaxante muscular, Relmus, e Clonix em SOS. E disse que se não passasse até à próxima Segunda -feira, me ia enviar para o hospital para controlar a dor por via venosa.
Graças a Deus melhorou imenso. Não que a dor tenha passado, infelizmente ainda não, mas já levo 8/9 horas sem dor. Espero que agora seja sempre para melhor.
Volto às visitas e às postagens, logo que me sinta melhor.
Abraço amigo a todos/as.

7.4.14

MARIA - XII - FINALMENTE A PAZ



Finalmente a Paz.

- Você sabe o que fazer minha amiga. Depois de tudo o que passou, não pode tomar a decisão da sua vida por aconselhamento alheio. Tenho a certeza que já se decidiu, e se veio aqui, foi exactamente para se encontrar e ganhar coragem para pôr em prática essa decisão.
- É verdade. Decidi dar a mim mesmo uma nova oportunidade de ser feliz. Mas apesar disso de vez em quando sou assaltada por pensamentos e receios negativos. Será que vai dar certo? Às vezes, penso que devia ficar quieta no meu canto, e deixar a vida correr até ao fim. Outras penso que se a Vida me dá uma nova oportunidade tenho mais é que agarrá-la com ambas as mãos e fazer tudo para que dê certo.
Nesse momento meu marido entrou e as confidências acabaram. Maria ficou para jantar e quando se despediu disse que daria noticias.


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“Minha querida amiga.
Um ano se passou desde que estive em sua casa e deve pensar que desapareci de novo. Estou muito feliz. E como sabe, quando a felicidade entra as histórias acabam, como nos contos infantis. “Casaram e foram felizes para sempre” lembra? Pois é mais ou menos isso. Não casei com o Américo, talvez porque o medo não deixou, mas vivemos juntos e somos muitos felizes. É claro que gostaríamos de ser pais. Mas dados os antecedentes e a minha idade, resolvemos não arriscar. Pensamos fazer uma adopção, mas o psiquiatra disse que não ia dar certo pelos meus antecedentes de instabilidade psíquica. Apadrinhamos o bebé de uma vizinha com quem fiz amizade e que preenche um pouco do vazio que me ia na alma. Diogo, o meu afilhado é para mim o filho que não tive. Continuo com as consultas mas já quase não tomo medicamentos. Estou em paz comigo e com o mundo. Já consigo pensar na minha mãe sem sofrimento nem rancores. E até já fui ao cemitério levar flores e orações. Em breve faremos uma visita. Quero que conheçam o Américo. Um grande abraço de nós para vós.
Maria”

 Fim


Maria Elvira Carvalho



Agora a pergunta do costume.  Gostaram? Acharam a história credível?  Imaginaram a possibilidade de um final feliz, ou esperavam uma recaída da Maria?

(direitos reservados)

3.4.14

MARIA - XI - MEDO DO FUTURO






 Medo do futuro


Um silêncio pesado incomodativo instalou-se entre nós. Maria parecia perdida sabe-se lá em que labirintos do seu passado. E eu não me atrevia a dizer nada. A história que acabava de ouvir era difícil de escutar, quanto mais de viver. Levantei-me e preparei um café para as duas.
-Obrigada – disse pegando na chávena. Depois continuou. Levei nesta vida pouco mais de um ano. Entretanto continuava as consultas de psiquiatria, começava a fazer o desmame de alguns medicamentos e tinha perdido peso. Encontrava-me muito melhor, a minha roupa de antigamente já me servia, começava de novo a ganhar gosto pela vida. Um dia telefonei à “Nani” e perguntei-lhe quem tinha as chaves da casa da minha mãe. Era tempo de ir ao encontro do passado. Era uma gaveta que continuava desarrumada na memória e precisava arrumá-la antes de dar novo rumo à minha vida. Ela disse que as chaves estavam com o tio Carlos e eu fui buscá-las.
Não sabe como sofri quando entrei lá em casa. Fui sozinha. Percorri cada canto com lágrimas nos olhos e um aperto no coração. Senti pena por “ela” e por mim. Tudo podia ter sido tão diferente. Depois tomei uma resolução. Vendi a casa e comprei um pequeno apartamento para mim. Queria recomeçar a minha vida num lugar que não me trouxesse lembranças. Comprei poucos móveis, só o indispensável e comprei um computador. Há tempos que não mexia num, que não ia à internet. E era uma companhia. Como tinha algum dinheiro, resolvi procurar um novo emprego, qualquer coisa onde me sentisse mais realizada.
Comecei a passar horas no “PC” em chats de conversação fazendo amizades virtuais. Não sei se sabe mas a “Net” é um mundo que nos vicia tanto ou mais que qualquer droga. Mas é um mundo ilusório. Em breve tinha dezenas de amigos e alguns deles começaram a insistir para nos conhecermos. O desejo de sair da solidão em que me metera após o último internamento fez com que fosse  cedendo a vários encontros. Encontrei gente muito boa e verdadeiros trastes. Nada que a vida real não tenha. Mas quando olhamos o nosso interlocutor no olho, é mais difícil enganarem-nos. Encontrei “amigos”que só queriam favores sexuais, outros que só queriam vigarizar-me. Mas também encontrei bons amigos e amigas, dispostos a ajudar sem nada pedir em troca.
Um desses arranjou-me emprego numa imobiliária, outro conseguiu numa oficina de um amigo um carrinho em segunda mão em óptimo estado.
Agora estou bem. Tenho alguém que jura que me ama e quer casar comigo. O Américo tem 48 anos, é viúvo e não tem filhos. Parece ser um bom homem, é trabalhador, e não sabe mais o que fazer para me agradar, mas apesar de gostar da sua companhia, eu não sinto aquela emoção, aquele tremelicar de pernas que sentimos quando a pessoa que amamos se aproxima. Por isso tirei uns dias de férias e vim em busca do meu passado. Para pôr a cabeça em ordem e deixar o coração vir à superfície.  A solidão pesa-me. Mas e se aceito casar e depois continuo “sozinha”? Se não consigo corresponder ao seu amor? Não me sinto capaz de suportar um casamento assim. Não depois de ter experimentado uma história de amor como a que vivi com o Artur. E não pense que eu gostaria de voltar para o Artur. Actualmente somos amigos, ele já me perdoou, encontrou outra pessoa e está feliz. Aliás hoje quando o vejo, já não sinto nada daquela emoção que me abrasava quando casámos.   O que acha que devo fazer?

Continua


(direitos reservados)

31.3.14

MARIA - X - O FUNDO DO POÇO




O fundo do poço

 Calou-se de novo. O seu rosto estava pálido. Era bem visível o sofrimento que lhe causavam aquelas recordações. Pousei a minha mão sobre o seu ombro como se quisesse animá-la mas as palavras não saíram.
- Apesar da insistência de Artur para que fosse ao funeral, fechei-me no quarto e de lá não saí durante dois dias. Nem sei quantas coisas me passaram pela cabeça nesse espaço de tempo.
 Depois valendo-me de algumas amizades consegui um novo emprego. Tentava a todo o custo juntar os cacos em que se transformara a minha vida, e especialmente a minha relação com o Artur. Mas apesar de todo o meu esforço, já nada era como dantes. Havia uma frieza latente, como uma sombra invisível que se instalara entre nós. A casa que era o nosso ninho de amor parecia-me agora uma prisão que me estrangulava. E acredito que devia acontecer a mesma coisa com o meu marido. Um dia telefonou a dizer que ia chegar tarde, jantava em casa do irmão.
 Seguiram-se muito outros jantares. Recomecei a beber. Quando bebia pensava que o Artur não estava com o irmão coisa nenhuma, que devia haver outra mulher na sua vida. E quanto mais pensava nisso mais bebia. Era um maldito círculo do qual não conseguia sair. Em breve estava de novo desempregada. O Artur escondia as garrafas de bebida ou esvaziava-as e não deixava dinheiro em casa para que não saísse a comprá-las. Um dia tirei-lhe dinheiro enquanto dormia, e mal pude esperar que fosse para o trabalho, fui comprar uma garrafa de vinho que bebi quase de seguida. Depois julguei ver a minha mãe no corredor da sala abanando a cabeça.   Esborrachei a garrafa de encontro à parede e sentei-me no sofá onde adormeci. Quando acordei só pensava em matar o Artur. Matá-lo e suicidar-me depois. A ideia entrou na minha cabeça, e inundou-me como um tsunami. Não conseguia pensar em mais nada. Nessa noite enquanto ele via televisão, peguei numa pesada jarra de vidro e tentei dar-lhe uma pancada na cabeça com ela. Felizmente para os dois, ele como que pressentiu e desviou-se a tempo. A jarra desfez-se de encontro à pequena mesa cujo tampo de vidro ficou estilhaçado. De cabeça perdida, peguei num pedaço de vidro e cortei os pulsos.
 O silêncio que se seguiu foi entrecortado por um soluço. Não me contive e abracei-a com força. Ficamos assim longos minutos. Depois ela estendeu-me os braços e pude ver nitidamente as cicatrizes nos seus pulsos.
 -O que aconteceu depois foi muito confuso, e não me recordo o que se seguiu. Soube depois que devo a vida ao Artur. Ele amarrou umas toalhas fazendo um garrote em cada braço e telefonou para os bombeiros que me transportaram para o hospital. Estive de novo internada na Psiquiatria. Desta vez foram 6 meses. Dos quais só me lembro dos últimos dois. Quando saí o Artur levou-me para a nossa casa, mas quando eu esperava que ele abrisse a porta, entregou-me as chaves, e informou-me que ele tinha ido viver para casa da mãe,   que o nosso casamento tinha chegado ao fim, e  ia pedir o divórcio. Não sei se senti mágoa ou alívio. Apesar de não me lembrar muito bem do que tinha acontecido, aquilo que recordava envergonhava-me o suficiente para desejar recomeçar uma vida nova longe de tudo e todos que me lembrassem o passado. O processo de divórcio foi rápido, uma vez que estávamos de acordo. Vendemos a casa. Pagámos ao banco e dividimos o resto. Com esse dinheiro aluguei um quarto, e comecei a procurar trabalho. Não foi fácil. Eu não estava minimamente apresentável. Estava quase redonda, da bebida e dos medicamentos. Tinha envelhecido. Não tinha uma roupa decente que me servisse. E o dinheiro de que dispunha era muito pouco tinha que controlar bem os gastos. A senhora que me alugou o quarto comentou que tinham ficado sem a empregada que ia todas as semanas lavar as escadas do prédio. Precisavam de arranjar outra. Pedi-lhe para ficar com o lugar. Comecei a ver anúncios de empregadas domésticas. E em breve tinha quase todos os dias da semana ocupados. O trabalho é pesado, mas ganha-se bem. Mergulhei no trabalho, como se fora uma tábua de salvação. Chegava à noite tão cansada que quando caía na cama já ia a dormir. Não sabia o que me reservava o futuro, mas uma coisa era clara na minha cabeça. Bebida nunca mais. Claro que compensei a falta do álcool com o tabaco. Se antes um maço durava dois dias, naquela altura eram dois maços por dia e às vezes mais.


Continua

(direitos reservados)