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28.3.20

ESTOU MESMO IRRITADA



Bom dia amigos.
Sou por natureza, uma mulher com uma enorme capacidade de compreensão o que faz com que dificilmente me irrite, embora tenha denunciado muitas vezes em contos ou poemas, situações que não me agradam. Adiante.
Pois agora com este vírus à solta por aí, estou a ficar irritada, não só pelos estragos que tem feito em todo o mundo, como por aquilo que ele pôs a descoberto.
Irrita-me esta UE, que ainda não descobriu o significado da palavra União, que em vez de se unir e procurar em conjunto vencer o perigo se está nas tintas, seguindo o lema de que cada um se vire como puder, havendo até um ministro de um dos países, da tal UE (ou desunião) com descaramento para pedir uma investigação sobre outro dos seus membros, que se mostra com grande dificuldade, por não ter capacidade orçamental, para lutar contra a pandemia.
Irrita-me que tenham havido, pessoas capazes de apedrejar um autocarro de idosos infectados, que se dirigiam do lar onde residiam, para outro local com melhores condições para serem cuidados. Essas pessoas nasceram de chocadeira, não têm pais? Nem se lembram que se não morrerem entretanto serão idosas daqui por uns anos quando vier por aí outro "corona" qualquer?
Irritam-me os jovens que andam a tossir e a espirrar para cima das pessoas de propósito e a publicar vídeos na Internet, mostrando o que fazem e incentivando outros a fazê-lo, como se a vida dos outros, possa tornar-se num jogo divertido para eles. E mais do que irritar-me, entristece-me, porque se eles são os homens de amanhã, que futuro podem encontrar aqueles que nascem agora? 
Irritam-me pessoas como Trump, Bolsonaro, e Boris Johnson, tão endeusados que se julgavam capazes de impedir o vírus de entrar nas suas fronteiras, como se o dito cujo, fosse um qualquer cavaleiro mal armado, dos tempos medievais. E a estupidez de certas afirmações como  "isto não passa de uma gripezinha", ou "nada acontece aos brasileiros" etc. 
Irritam-me os apoiantes do Bolsonaro que difundem notícias falsas, em vídeos que dizem que "Trump já tem o medicamento que cura o covid 19, e o vai enviar gratuitamente para o Brasil por ser amigo do Bolsonaro. Tenho pena de não saber como tirar o vídeo que me enviaram pelo Messenger, para que vocês vissem a que ponto chegam. Fazem-me pensar nos ratos, atrás do tocador de flauta de Hamelin. 
Irritam-me as pessoas que só sabem criticar, a maneira como em Portugal se está a lutar com este inimigo invisível, quando  todos sabemos que nos outros países não se faz melhor e alguns são bem mais ricos do que nós.
E pronto é tudo por hoje, não vá eu engasgar-me com tanta irritação.


Bom fim de semana

7.8.19

LONGA TRAVESSIA - PARTE XVIII


No gabinete, Teresa deixou-se cair na cadeira sem forças.
O que acontecera não podia ter acontecido de jeito nenhum. Quisera provocá-lo, dar-lhe a entender que podia haver alguém na sua vida, fazer com que sofresse. E bastara o contacto da boca dele na sua mão, para que o cérebro deixasse de fazer o que lhe competia, o coração empreendesse uma louca corrida, e todo o seu corpo reagisse, numa tremedeira inoportuna.  Como podia fugir daqueles sentimentos?  Tinha a certeza que ele sentira aquilo que lhe provocara. Como não? Conhecia-a como ninguém. Estava perdida.
Esperou com ansiedade o fim da manhã, para deixar o trabalho.
Tinha que estar às três na escola do filho. Era a festa de Natal, Martim ia entrar na récita e não cabia em si de tanto entusiasmo.
Tinha-lhe pedido quase a chorar para o ir ver, e não queria causar-lhe uma decepção.
Passou-lhe pela cabeça uma ideia peregrina. Que faria Rui se soubesse que tinha um filho?
Será que se importaria? Quereria conhecer o menino? Assumiria o papel de pai? Ele nunca assumira a relação deles. Nunca lhe falara de si, dos seus sonhos, dos seus anseios. Nunca lhe falara da família, nunca lhe dissera quem eram ou onde moravam. Só se importava com ela, na cama. Aí convertia-se num amante excecional, sempre preocupado em levar a companheira à loucura. Mas nem isso fora suficiente para continuar a seu lado Por fim acabou a manhã de trabalho.
A festa na escola, foi muito emotiva. As crianças cantaram, dançaram, e recitarem pequenos poemas. Estavam no palco com naturalidade e alegria. Por último, recriaram a história do nascimento do Deus Menino.
No fim, todas estavam muito felizes e os pais orgulhosos do talento dos seus rebentos.
Finalmente despediram-se de Tiago e do filho, e saíram pois Teresa ainda queria fazer umas compras, já que faltavam poucos dias para o Natal.
No carro, o garoto não se conseguia calar com as peripécias da festa.
Era uma criança muito extrovertida, muito alegre, fazia amigos com facilidade, e era muito popular. Teresa agradecia a Deus por o filho ser como era.
"Pensa em mim", - dissera Rui naquela manhã. Como podia deixar de pensar nele, se Martim era fisicamente o seu retrato? - Interrogava-se enquanto passava a mão na cabeça do filho, numa terna carícia.


Amigos consegui hoje consulta por causa da dor no braço que me tem deixado louca.
A médica diz que lhe parece ser uma tendinite e mandou fazer 10 dias de anti-inflamatório Naproxene, um relaxante muscular,  Sirdalud, e gelo. e mandou fazer RX à cervical, ombro e braço. E ecografia  tecido moles, ombro e braço. 


16.7.11

QUANDO UM COMENTÁRIO VIRA POST



Este poema, foi-me deixado em jeito de comentário num dos meus outros blogues. Porque se trata de um poema de uma autora de que gosto muito, e que talvez quem me visita aqui no Sexta não conheça, aqui o deixo. Desculpem a foto, eu sei que não é uma gaivota, mas na net  não encontrei nenhuma.




Se eu fosse

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Poisaria na torre mais alta
Para te ver despertar.
E num rodopiar
Suave, terno e manso
Te diria:
- Acorda, que já é dia!
Vem ver o sol a nascer
E as crianças a correr.

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Poisaria em ti criança
Para te ver despertar
E com bicadinhas de ternura
Te diria:
- salta da cama,
Abre a janela de par em par, Pula escada fora
E vai para a rua brincar!

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Poisaria em ti velhinho
Quando estás a ver passar.
E com largo abraço
Te diria:
- Olha este azul do céu
Esta imensidão do mar
Que foi sempre o teu olhar.
O dia não escureceu, 
Agarra-te à vida
Que este dia ainda é teu.

Se eu fosse gaivota branca
E pudesse voar
Estaria sempre conTigo
Aqui ou em qualquer lugar.

Maria José Areal in Pedaços de Mim

14.2.11

EM DIA DE S. VALENTIM

POEMA DO NOSSO AMOR NASCIDO

Ainda me recordo do tempo de solidão
quando na estação do meu desejo
embarquei ao encontro de ti.
Era Primavera?Não. Era ainda Inverno
mas o tempo não contava. Era um montão
de horas encerradas
na penitenciária do passado.
E foi justamente nessa altura
que te encontrei.
Trazias a noite agonizante
em teus cabelos,
enquanto nos teus olhos dourados
raiava a aurora.
Nunca te tinha visto e no entanto
soube logo que eras tu. No teu sorriso
- branco malmequer que desfolhaste,
me perdi. Com a força do desespero
que agoniza em silêncio,
o nosso amor nasceu. Depois...
bem, depois, não estava previsto
-mas aconteceu... a maçã do saber
adormeceu em nós.
A cidade, o rio, as gentes,
a vida e até a própria morte
deixaram de nos importar.
Há alguma coisa mais importante que
um homem e uma mulher que se amam?...
Lembras-te? Era o tempo dos beijos
a saber a pôr-do-sol,
das madrugadas amanhecendo
nos sorrisos sem palavras.
O tempo em que os nossos corpos
prenhes de Amor cavalgavam
pelas montanhas da Ilusão.


Em dia de S. Valentim, não me ocorre nada melhor do que este poema escrito para o meu marido, nos idos anos 70. Embora tenha escrito outros tendo-o por musa inspiradora, nenhum como este descreve tão bem o sentimento que nos uniu, tão forte que permanece até hoje nos nossos corações.
Feliz dia de S. Valentim.

26.10.09

NOVO LIVRO DE VIEIRA CALADO





A NOSSA CASA

A nossa casa é um lugar ao vento, mas buscamos
o absoluto, a bárbara verdade duma onda sobre a praia.

Tudo nos pertence porque guardamos na memória
os restos do apego às coisas que tivemos, os gestos
de gratidão que vimos no coração dos dias violentos.

Esta época não é a nossa. Subverte os conceitos
do ânimo, os desígnios legítimos de plenitude.

Mas por isso ainda somos a centelha que arde devagar
na paisagem estreita de árvores estóicas, em momentos
de tempestade, na consciência das opções sublevadas.

do livro Transparências de Vieira Calado


Biografia

José Vieira Calado nasceu em Lagos, em 1938. Estudou em Lagos, Portimão, Faro e Lisboa. Em 1961 publicou o seu primeiro livro de poesia e, no ano seguinte, “Os Sinais da Terra”, que viria a ser proibido pela censura (Pide). Esse episódio esteve na origem da sua partida para os Pirinéus. Primeiro para Londres e depois para Paris, onde frequentou a Universidade de Vincennes. A seguir ao 25 de Abril, tendo completado o curso, voltou a Portugal, para o ensino oficial e publicou “Poema para Hoje”, que ficou na gaveta durante anos.
Residindo actualmente na cidade que o viu nascer, Vieira Calado tem variada colaboração em jornais e revistas, páginas literárias, prefácios e antologias. Apaixonado pela Astronomia, tem actualmente uma página de Astronomia no "Jornal de Lagos, além das muitas palestras em que tem participado.
No Domínio da poesia, o autor tem já muitos livros publicados. O autor possui três blogues que pode visitar AQUI, AQUI, e AQUI.

Poesia

* “37 Poemas” l 1961 - esgotado
* “Os Sinais da Terra” l 1962. Capa de Jorge Norvick - esg.
* “Poema para Hoje” l 1977 - esg.
* “Objecto Experimental” l 1978. Capa e ilustrações de Hugo Baja - esg.
* “A Palavra em Duas” l 1983. Capa de Deda - esg.
* “0 Frio dos Dias” l 1986 - esg.
* ”Como um Relógio de Areia” l 1993. Capa de Deda - Edições M.i.c.
* “Transparências” l 2000. Edição AJEA (Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve). Prefácio do Prof. Vilhena Mesquita. Capa de Deda.
* “Lagos Ontem” l 2000. Edição da Câmara Municipal de Lagos - esg.
* “Poemas Primeiros” (Reedição dos livros de 61 e 62) l 2001 - Edição AJEA
* “Por detrás das Palavras” / 2002. Capa de Adrienne Apers. Ed. Mic.
* “ Terrachã” / 2004 - Edição AJEA
* “ Poemetos” / 2004 - fora do mercado
* “ Poemas Soltos & Dispersos” / 2005 - esgotado.
* " Arabescos" / 2007 (edição Litoral)
* " Viagem através da Luz " / 2009 (edições Papiro)


Prosa

“Merdock” l 2003. 2ª edição 2004. Edição AJEA
“Estórias de Lagos & Arredores” l 2007. Edição C. M. de Lagos


Antologias, colectivos e outros

* “Antologia Anti-Floral” l 1980. Ed. Barlavento.
* Costa d’ Oiro - Cadernos de Poesia, Lagos - vários
* “Poemas de e sobre o Natal” - Viola Delta XXVI, Edições Mic l 1998
* Letras para música, de vários autores
* “Cem Anos de Garcia Lorca”l 1999. Edição Universitária
* ”Poemas Satíricos e Outros” - Viola Delta XXXIII (Bodas de Prata). Ed Mic / 2002
* “Poetânea”l 2003. Edição Hugin
* Escritores Portugueses do Algarve”l 2006. Edição Colibri
* “5 Poetas de Lagos”l 2006. Edição Grupo dos Amigos de Lagos


Divulgação Científica:
“A Terra e as Estrelas” - 2006, ed. Jornal Notícias de Lagos


Biografia elaborada a partir de informações na internet