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6.6.22

MEDO DE AMAR - PARTE XVII

 






No fim de semana Laura andou num redopia entre a ansiedade de Matilde, cujos pais regressavam da lua-de-mel, a persistência da mãe, que insistia em que era mais que tempo de terminar o luto e dar um novo rumo à sua vida, a chegada dos noivos, o jantar de comemoração num restaurante da moda, oferecido pelo padrinho e a preparação mental para a separação do filho, Miguel, que ia para a creche no início da semana, além do emprego que ia iniciar e que a ia por em contacto diário com Fernando com quem toda a família parecia querer vê-la casada.

No Domingo, teve oportunidade de uns momentos a sós com a cunhada, com quem desabafou um pouco das suas preocupações.  Na verdade, ela e Lena, sentiram uma empatia imediata, no dia em que se conheceram e depressa se tornaram amigas.

- Não vejo razão para estares preocupada, - disse-lhe a cunhada. Afinal o trabalho é decerto bem mais fácil do que preparar uma aula para mais de vinte alunos. E, segundo sei vocês conhecem-se de toda a vida, o Fernando pelo que tenho observado é educado e simpático. Do que tens medo? Dele ou de ti?

- Na verdade, não sei. Como dizes conheço-o de toda a vida, fomos amigos de brincadeiras, sempre o olhei como um irmão. Quando fiquei viúva, ele foi um apoio muito importante, principalmente para a Sara, que adorava o pai e a quem eu, devastada pela minha dor, reconheço não ter apoiado tanto quanto devia. Um dia, surpreendo o Fernando olhando-me de uma forma estranha. 

Olhava-me como um homem olha para uma mulher que deseja. Fiquei escandalizada e disse-lhe a Sara já estava melhor e que o Miguel precisava de toda a minha atenção e pedi-lhe que não voltasse.

 Ele afastou-se, mas de súbito os meus pais e o teu marido, começaram a dizer-me que tinha de tentar esquecer o Quim e recomeçar a minha vida, que os meus filhos precisavam de uma figura masculina, que o Fernando era uma ótima pessoa e seria um bom pai para os meus filhões etc. E quanto mais a família insistia nisso, mais eu me agarrava às memórias do Quim e mais raiva desenvolvia em relação ao Fernando. Consegues compreender-me?

- Caro que sim. Afinal eu vivi apenas um mês com o teu irmão, pensei que ele me tinha abandonado porque nunca me amara, e não consegui esquecê-lo nos catorze anos que não soube nada dele. Felizmente os meus pais sempre respeitaram a minha decisão de não querer saber de outro homem até à maioridade da Matilde. 

Talvez isso fosse uma desculpa porque lá bem escondido num cantinho do coração eu tivesse o sonho de voltar a encontrar o Gonçalo e recuperar o amor que nos tinha unido. O teu caso é diferente. Por muito que tenhas amado o Quim sabes que está morto, e não tens a ilusão da sua volta. Podes e deves seguir em frente, refazer a vida, com o Fernando ou com qualquer outro, se apenas consegues ver o Fernando como irmão. Afinal tens apenas trinta e três anos.   

- Que às vezes me parecem sessenta…

-Eu sei, o sofrimento faz-nos sentir assim.

7.3.19

DIA 7 DE MARÇO -DIA DE LUTO NACIONAL





O governo aprovou e o PR promulgou o dia de hoje 7 de Março, dia de luto nacional pelas vítimas de violência doméstica.
Para mim, estas medidas simbólicas não resolvem nada. Nem evitam mais mortes. O que  se precisam são leis mais severas, para os agressores, e maior proteção às vítimas. Se elas não existem no nosso código, pois que as criem e tratem de as usar.
Sem querer falar mal dos juízes, que são homens e mulheres e como tal sujeitos ao erro. Mas não consigo entender casos como este. Um homem realiza um assalto à mão armada. É condenado a prisão domiciliária com pulseira eletrónica. Em casa servindo-se da Internet, atrai uma mulher, que acaba por violar. De seguida corta a pulseira e foge. Dias depois é descoberto e preso. É presente ao juiz que o volta a condenar a prisão domiciliária, com pulseira eletrónica.
Alguém me explica a lógica desta pena? Será por este tipo de sentenças que se diz que  a justiça é cega e sempre a representam de olhos vendados?

21.5.18

CONVERSANDO COM O LEITOR


Mais uma história chegou ao fim. Terá agradado a uns e não a outros o que é normal, mas foi a história mais difícil que escrevi até hoje, porque eu tinha escrito uma história a ser publicada em 28 dias que se chamava "A promessa". Nela o Carlos casar-se-ia com a Luísa, que carente pela morte do marido se apegaria a ele, enquanto ele cumpriria a sua promessa com o coração sofrendo de amor pela Emília. De vez em quando eu penso escrever uma história que não acabe bem, e esta era uma delas. Acontece que  quando vos pedi um título para a história, a grande maioria escolheu  "Renascer". Então disse-vos que eu escolhera "A Promessa" e perguntei qual dos dois preferiam. "Renascer" foi a vossa escolha clara. 
Esse titulo não encaixava na história que eu tinha idealizado, e vai daí apaguei tudo, a partir do capítulo XV e mudei toda a  trama, acabando  por torná-la diferente e bem mais longa. 
Depois quero dizer-vos que apesar da história ser ficção, baseou-se em alguns factos reais.  
Por exemplo começa por dizer que Salazar já tinha caído da cadeira mas ainda estava no governo. E isso foi real no final de Agosto de 1968, data em que situei o início desta novela.
Já morreu um primo meu, que foi gravemente ferido no norte de Angola, e que esteve vários meses inconsciente num hospital de Angola, após meus tios terem recebido um telegrama com a notícia da morte dele, em Março de 1965. Não era fuzileiro, mas do exército, e não perdeu a memória, mas todo o tempo que esteve em coma, a família chorava a sua morte, e a minha tia mandava rezar missas pela sua alma.  O acidente na ponte da vila de Peso da Régua, também foi real, aconteceu em Maio de 1964, quatro anos antes do Carlos a minha personagem, ter recuperado a memória, exatamente como a Emília lhe diz. 
A decisão da Luísa de manter uma viuvez até ao fim dos seus dias, incompreensível nos dias de hoje, não era caso raro na época. Minha tia Palmira, recentemente falecida, ficou viúva em 1969 com dois filhos pequenos e assim se manteve até à morte. Uma amiga minha casada com um pescador de bacalhau do navio Creoula, Também ficou viúva nos anos 60 com uma menina de dois anos e outra de poucos meses. Vive aqui perto e ainda hoje já bisavó, guarda a memória do marido na viuvez que mantém. 
As festas de Nossa Senhora do Socorro também acontecem em Agosto. Os guardas-florestais, também existiam, meu tio João, foi-o no parque florestal de Monsanto,  e a casa que eu descrevo era a sua casa, bem como a mítica fábrica de gelados  Rajá que ali existia. Esses gelados foram tão famosos na época, que ninguém dizia que ia comprar um gelado, mas que iam comprar um Rajá, fosse qual fosse o gelado, ou a marca. Finalmente a notícia  e a canção no capítulo final que todos sabem foi o sinal para a Revolução do 25 de Abril. Estes são os factos reais em que me inspirei para escrever esta novela. O resto é ficção.
Resta-me acrescentar que a vila de Peso da Régua, ou simplesmente Régua, foi elevada a cidade em 1985.
Espero que tenham gostado.



Um bem haja a todos os que têm perguntado pela minha saúde. Fiz exames na Sexta-feira. O resultado  demora oito dias. Entretanto desde ontem, quase não tenho tantas dores. Penso que o pior já passou. Vamos ver.