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20.4.20

À MÉDIA LUZ - PARTE VI




Depois de um intervalo, os seis pares voltaram à pista, e em conjunto dançaram sucessivamente o Samba, o Merengue, o Maxixe, e o Mambo.
Quando terminaram, o público foi informado de que a exibição terminara, podiam utilizar a pista para dançarem, a festa ia continuar e ainda iam sortear um prémio entre todos os bilhetes vendidos. O casal, amigo de Gabriel, queria ir dançar, e ele disse-lhes que não se preocupassem consigo, que ia até ao bar.
Encaminhou-se para o extremo do balcão, pediu uma bebida e ficou observando os pares que evoluíam na pista, ou se espalhavam pelas mesas. Esperava ver de perto a mulher de vermelho. Para tirar da cabeça, a ideia absurda de que podia ser Sandra. Por muito familiar que lhe tivesse parecido o seu perfil, uma mulher com aquele corpo, não podia ser aquele ser ridículo, que os recursos humanos lhe tinham arranjado como secretária.
De súbito a sua atenção fixou-se na mulher elegantemente vestida, com um vestido negro, o cabelo castanho, com uns reflexos avermelhados, solto sobre os ombros, que chegava ao balcão e pedia um refresco. Aproximou-se dela, e então teve a certeza absoluta, de que se tratava da sua secretária.
 Pôs-lhe a mão sobre o ombro, e inclinando-se murmurou-lhe quase ao ouvido:
-Se, eu sofresse do coração, decerto teria um enfarte esta noite.
Ela soltou-se rapidamente, os enormes olhos verdes cravados nos dele.
-Que faz aqui? – perguntou, o rosto vermelho a voz tremente
-Quem diria, que tinhas tantos dotes. Deixa-me adivinhar, secretária e atriz de dia, bailarina e que mais de noite? – perguntou sarcástico.
Ela levantou a mão com evidente intenção de o esbofetear, mas ele foi mais rápido, e prendeu-lhe o pulso dizendo:
- Nem sonhes. Pega a tua bebida e vamos sentar-nos.
- Não sei quem lhe disse que eu estava aqui, mas não vou consigo a lado nenhum.
-Tens a certeza? Queres ver-te envolvida  num escândalo? Por mim fica à vontade. Se não te importas de sair amanhã nos jornais de mexericos, como uma das minhas amantes, que resolveu fazer um escândalo numa festa de beneficência…
-Era capaz disso? – perguntou furiosa, os belos olhos verdes faiscantes
- Não duvides - respondeu com voz rouca, segurando-lhe o braço e empurrando-a para uma mesa.

19.2.20

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XL




A refeição decorrera em silêncio, e chegara ao fim, quando o telemóvel tocou.
- Desculpa-me - disse Luísa levantando-se e pegando no telemóvel. – É a dona Aurora, esposa do médico. Deve ser algo importante, vou atender.
-Estou…
- Boa tarde. Luísa, ligue a televisão e veja as notícias. É muito importante, penso que estão a falar do homem que a Luísa salvou naquela noite.
- Vou já ver. Muito obrigado por ter ligado. Mais tarde telefono.
Desligou o telemóvel e disse dirigindo-se para a sala:
- Vem. Parece que estão a falar de ti no noticiário.
Ligou a televisão. Estava no intervalo. Sentaram-se e esperaram que acabasse a publicidade.
Logo de seguida, apareceu no ecrã o rosto de um conhecido jornalista.
“E agora voltamos ao caso do escritor Gil Gaspar e ao seu misterioso desaparecimento, na noite da tempestade Júlia, quando se dirigia da Universidade do Minho, onde dera uma conferência, para a sua residência nos arredores de Lisboa.
Inicialmente a família e a polícia suspeitaram de rapto, Todavia essas suspeitas iniciais, foram postas de parte pela judiciária à medida que os dias passavam sem que surgisse um pedido de resgate. E embora a família dissesse que ele regressava pela A1, a operadora do seu telemóvel tinha o último  registo do sinal do seu telemóvel na IP3, a alguns quilómetros de Penacova. Não se sabe, se o escritor saiu da autoestrada, enganado pela quase total falta de visibilidade, ou se teria pensado pernoitar nesta vila até que a tempestade passasse. O que se sabe é que ele desapareceu algures antes de chegar a Penacova. 
Até hoje, as investigações da polícia encontravam-se num impasse, já que não havia registo de nenhum acidente naquela noite, nem na autoestrada, nem no IP3."
Luísa ouviu um gemido e ao voltar-se viu que Gil se dobrara para a frente apertando a cabeça nas mãos trementes.
- Que se passa? Meu Deus, estás a tremer. Sentes-te mal?
- É a minha cabeça. São milhares de imagens a passarem por mim tão rápidas que algumas nem consigo ver bem. E a dor de cabeça voltou. Horrível, como se alguma coisa esteja a explodir cá dentro.
-Vou buscar um Benuron. Queres que tire o som à televisão?
- Não. Temos que ouvir o resto. Meu Deus, o bebé que estava sempre a  aparecer na minha cabeça, é a minha filha Mariana.
Entretanto o locutor informava agora que a polícia recebera nessa manhã um telefonema de um homem que costumava pescar no Mondego, e que encontrara um carro Mercedes preto espatifado lá no fundo da ravina, bem perto do rio. A polícia já informara a família que o carro era o do escritor. Encontrava-se de porta aberta, e tinha no porta luvas a carteira com dinheiro e documentos, e caído junto aos pedais, encontrava-se o seu telemóvel, desligado e sem bateria. Do escritor não havia rasto, a polícia suspeitava que pudesse ter saído atordoado, ou ter sido projetado e caído no rio, pelo que no local já se encontrava uma equipa de mergulhadores.
"Um nosso repórter também já se encontra no local, e entraremos em contacto com ele após mais um breve intervalo de apenas trinta segundos." – disse o jornalista e logo a emissão deu lugar à publicidade.
Luísa foi à cozinha e trouxe um copo de água e um comprimido, que lhe estendeu em silêncio.
- Não é preciso, obrigado. Já vai passando. Meu Deus a minha família deve estar numa aflição. A quantos estamos hoje?



Nota: Para quem não leu ontem, chamo a atenção para o post informação publicado à tardinha.


10.9.17

À MÉDIA LUZ - PARTE VI





Depois de um intervalo, os seis pares voltaram à pista, e em conjunto dançaram sucessivamente o Samba, o Merengue, o Maxixe, e o Mambo.
Quando terminaram, o público foi informado de que podiam utilizar a pista para dançarem, a festa ia continuar e ainda iam sortear um prémio entre todos os bilhetes vendidos. O casal amigo de Gabriel queria ir dançar, e ele disse-lhes que não se preocupassem consigo que ia até ao bar.
Encaminhou-se para o extremo do balcão pediu uma bebida e ficou observando os pares que evoluíam na pista, ou se espalhavam pelas mesas. Esperava ver de perto a mulher de vermelho. Para tirar da cabeça, a ideia absurda de que podia ser Sandra. Por muito familiar que lhe tivesse parecido o seu perfil, uma mulher com aquele corpo, não podia ser aquele ser ridículo, que os recursos humanos lhe tinham arranjado como secretária.
De súbito a sua atenção fixou-se na mulher elegantemente vestida, com um vestido negro, o cabelo castanho, com uns reflexos avermelhados, solto sobre os ombros, que junto ao balcão pedia um refresco. Aproximou-se dela, e então teve a certeza absoluta, de que se tratava da sua secretária.
 Pôs-lhe a mão sobre o ombro, e murmurou-lhe quase ao ouvido:
-Se, eu sofresse do coração, tinha tido um enfarte esta noite.
Ela soltou-se rapidamente, os enormes olhos verdes cravados nos dele.
-Que faz aqui? – Perguntou o rosto vermelho, a voz tremente
-Quem diria, que tinhas tantos dotes. Deixa-me advinhar, secretária e atriz de dia, bailarina e que mais de noite? – Perguntou sarcástico.
Ela levantou a mão com evidente intenção de o esbofetear, mas ele foi mais rápido, e prendeu-lhe o pulso dizendo:
- Nem sonhes. Pega a tua bebida e vamos sentar-nos.
- Não sei quem lhe disse que estava aqui, mas não vou consigo a lado nenhum.
-Tens a certeza? Queres ver-te envolvida  num escândalo? Por mim fica à vontade. Se não te importas de sair amanhã nos jornais como uma das minhas amantes que resolveu fazer um escândalo numa festa de beneficência…
-Era capaz disso? – Perguntou furiosa, os belos olhos verdes faiscantes
- Tens dúvidas? - Perguntou com voz rouca, segurando-lhe o braço e empurrando-a para uma mesa, com uma certa gentileza que contrastava com o que lhe dissera.