Depois de um intervalo, os seis pares voltaram à pista, e em conjunto dançaram sucessivamente o Samba, o Merengue, o Maxixe, e o Mambo.
Quando terminaram, o público foi informado de que a exibição terminara, podiam utilizar a pista para dançarem, a festa ia continuar e ainda iam sortear um prémio entre todos os bilhetes vendidos. O casal, amigo de Gabriel, queria ir dançar, e ele disse-lhes que não se preocupassem consigo, que ia até ao bar.
Encaminhou-se para o extremo do balcão, pediu uma bebida e ficou observando os pares que evoluíam na pista, ou se espalhavam pelas mesas. Esperava ver de perto a mulher de vermelho. Para tirar da cabeça, a ideia absurda de que podia ser Sandra. Por muito familiar que lhe tivesse parecido o seu perfil, uma mulher com aquele corpo, não podia ser aquele ser ridículo, que os recursos humanos lhe tinham arranjado como secretária.
De súbito a sua atenção fixou-se na mulher elegantemente vestida, com um vestido negro, o cabelo castanho, com uns reflexos avermelhados, solto sobre os ombros, que chegava ao balcão e pedia um refresco. Aproximou-se dela, e então teve a certeza absoluta, de que se tratava da sua secretária.
Pôs-lhe a mão sobre o ombro, e inclinando-se murmurou-lhe quase ao ouvido:
-Se, eu sofresse do coração, decerto teria um enfarte esta noite.
Ela soltou-se rapidamente, os enormes olhos verdes cravados nos dele.
-Que faz aqui? – perguntou, o rosto vermelho a voz tremente
-Quem diria, que tinhas tantos dotes. Deixa-me adivinhar, secretária e atriz de dia, bailarina e que mais de noite? – perguntou sarcástico.
Ela levantou a mão com evidente intenção de o esbofetear, mas ele foi mais rápido, e prendeu-lhe o pulso dizendo:
- Nem sonhes. Pega a tua bebida e vamos sentar-nos.
- Não sei quem lhe disse que eu estava aqui, mas não vou consigo a lado nenhum.
-Tens a certeza? Queres ver-te envolvida num escândalo? Por mim fica à vontade. Se não te importas de sair amanhã nos jornais de mexericos, como uma das minhas amantes, que resolveu fazer um escândalo numa festa de beneficência…
-Era capaz disso? – perguntou furiosa, os belos olhos verdes faiscantes
- Não duvides - respondeu com voz rouca, segurando-lhe o braço e empurrando-a para uma mesa.
