Seguidores

22.5.23

CICATRIZES DA ALMA - PARTE XLV


Anabela acordou sentindo um beijo molhado no rosto. Abriu os olhos e viu a seu lado, ajoelhada na cama a pequena Patrícia. Abriu os braços e a menina correspondeu ao abraço com todo o amor e alegria que só as crianças demonstram, com toda a naturalidade por aqueles que amam. Que bom era que os adultos amassem com a mesma intensidade e fossem igualmente sinceros e transparentes. Haveria muito menos sofrimento no mundo. Mas em qualquer época do nosso crescimento tudo muda, pensou a jovem com tristeza.

- Madrinha, a mãe já está na cozinha. Ela disse para não te acordar, mas eu gosto tanto de ti e queria tanto que fosses brincar comigo um bocadinho.

-À sua malandra interesseira, - disse Anabela fazendo cocegas à afilhada que começou a contorcer o corpito rindo alto.

-Bom, então é melhor que vás ter com a mamã, enquanto eu tomo banho e me visto.

A menina saltou da cama e saiu correndo do quarto. Suspirando, Anabela saiu da cama, pegou na mochila onde tinha a roupa que trouxera e com ela na mão abriu a porta e saiu para a casa de banho no corredor.

Tomou um duche rápido, vestiu-se, tirou o secador do armário e secou o cabelo.

Depois escovou os dentes. Tudo o que estava naquela casa de banho era de seu uso exclusivo. Os donos da casa usavam o quarto maior com casa de banho que sempre fora o quarto de Paula por ter sido ela a alugar o apartamento. Ela e as outras jovens que lá viveram, durante os anos de estudo, usavam um dos dois quartos mais pequenos, e a casa de banho do corredor.

 Quando Paula casou já só lá viviam elas as duas. Conta a vontade de Paula, Anabela arranjou outro quarto mais perto da Universidade, para deixar o jovem casal viver a sua intimidade sem testemunhos, mas Paula fizera questão de sempre manter o seu quarto e a casa de banho para o seu uso sempre que ela quisesse voltar.

 Ela, dava graças a Deus, pela relação que a unia ao casal, que era mais de família, do que de simples amizade. No seu coração carente de afetos, sentia como se Paula fosse sua irmã, Diogo seu cunhado e Patrícia a sua sobrinha querida. E como familiares amados, se portaram os dois, quando a vida com o marido se tornara num inferno. Anabela nunca esqueceria o carinho e o apoio que deles recebeu inclusivo depois da morte do marido.

-Bom dia, - saudou pouco depois ao entrar na cozinha.

-Bom dia, querida, - saudou-a o casal em uníssono.

Sentou-se à mesa dizendo:

-Há muito tempo que não dormia tão bem. Foi como voltar aos meus tempos de estudante.

-Folgo em sabê-lo, mas agora é melhor tomares o pequeno-almoço. Não sei se continuas com os mesmos hábitos daquela época, mas tens aqui iogurte, torradas, manteiga e doce. Penso que de bebida continua a ser o café puro, verdade? - perguntou a amiga.

-Pois sim, um iogurte, uma torrada e café.

 

8 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Já se está a sentir melhor??
Boa semana

Ailime disse...

Bom dia Elvira,
É tão bom Anabela poder contar com uma amiga como Paula e o marido.
A amizade, sentimento nobre que tanto bem nos faz.
Beijinhos e saúde.
Boa semana.
Ailime

Tintinaine disse...

A Anabela voltou e trouxe com ela Elvira!
Uma boa semana para todos!

chica disse...

Que bom ter de volta Anabela e Elvira ! Linda semana e espero estejas bem! beijos, chica

Maria João Brito de Sousa disse...

Suponho que esteja melhor dos seus olhos, agora que voltou às publicações do Cicatrizes da Alma :)

Mas cuidado, não abuse, querida amiga!

Um grande abraço!

Cidália Ferreira disse...

Ora muito bem. Ainda bem que já voltou :)
Espero que esteja melhor!
.
Agradecer-vos pelo carinho, é tão pouco...
.
Beijo, e uma excelente semana!

Janita disse...

Gostei muito de voltar a 'participar' da vida da Anabela e de todos os que lhe são queridos, porém, espero com mais expectativas o que virá a seguir, quando retomar o seu trabalho...

Gostei igualmente de a saber bem melhor e pronta para voltar à escrita que tanto gosta, amiga.

Um abraço e tudo de bom, Elvira.

teresadias disse...

É linda a amizade da Anabela e da Paula...
Elvira, espero que tenha recuperado bem.
Beijo.