11.12.17

O NATAL DAQUELE ANO



O Francisco frequentava o terceiro ano de escolaridade

 com muito bom aproveitamento. Era um miúdo admirável!

Já vivera razoavelmente mas, atualmente, sofria as 

consequências da quase indigência do pai por, no início 

daquele ano, ter perdido o emprego. Era um bom  

trabalhador, mas a oficina fechara.

Andava o miudinho muito triste e amargurado porque a 

fome, o frio e a tristeza eram o pão-nosso de cada dia 

naquela casa.Como habitualmente, ao aproximarem-se as

férias do Natal, a professora mandou que os alunos fizessem

uma redação sobre essa quadra festiva.

O Francisco debruça-se sobre o papel e, numa letra mais 

adulta que infantil, intitula a sua composição de APELO e 

escreve:

«Menino Jesus: não acredito no que tenho ouvido dizer a 

teu respeito, ou seja, que só dás a quem já tem, e nada dás

 a quem nada tem! Explico-te porquê: eu sei que são os pais

 a darem essas prendas e não tu, que tens mais que 

fazer; se fosses tu, de certeza que davas a todos e, se 

calhar, em primeiro lugar aos mais pobres.

Sim, eu tenho certeza que davas a todos e, se calhar, em 

primeiro lugar aos mais pobres. Sim, eu tenho a certeza que

 seria assim, pois nunca te esqueces que também nasceste 

pobre e pobre morreste.

Não venho pedir nada para mim. Quero lembrar-me que 

o meu pai está há um ano sem trabalho e precisa de 

ganhar dinheiro para nos sustentar. Por isso, não te 

esqueças de lhe arranjar um emprego. 

Eu sei que Natal quer dizer nascimento e, olha, nós também 

nascemos e, com certeza, não foi para que morrêssemos já, 

sem dar testemunho sobre a terra. Se assim fosse, como é 

que poderíamos dar os parabéns pelo teu aniversário?! Já 

agora podes ficar a saber que eu nasci no mesmo dia: nasci 

no Natal»

Pouco antes de as férias começarem, a professora chamou 

o Francisco e disse-lhe que tinha arranjado trabalho para o 

seu pai e, que já poderia começar a trabalhar no princípio 

de Janeiro do próximo ano. Foi tal a alegria dele que 

chorou copiosamente e, então, passou a andar tão 

contente, que os pais não sabiam que dizer. No entanto ele 

não disse porque é que andava assim.

Na véspera de Natal todos se deitaram cedo, pois a 

consoada consistiria em sopa e pão, por o dono da 

mercearia, atendendo ao dia que era, ter condescendido 

em acrescentar ao rol do livro da dívidas.

O Francisco não adormeceu logo. Depois de ter verificado 

que toda a gente estava a dormir, foi colocar o seu 

sapatinho à porta do quarto dos pais, com um bilhete dentro.

No dia de Natal, a mãe, que era sempre a primeira a 

levantar-se, ao sair do quarto tropeçou no sapato do filho. 

Baixou-se, pegou nele, e leu o bilhete: "Pai, a partir de 

Janeiro vai ter trabalho. Foi a minha professora que lho 

arranjou, por causa da minha redação ao Menino Jesus. É 

a nossa prenda de Natal".

Com as lágrimas nos olhos, de contentamento já se vê, 

aquele casal entrou, pé ante pé, no quarto do filho. Ao vê-

lo profundamente adormecido e a sorrir, ambos disseram: 

eis aqui o nosso Menino Jesus!



Fonte AQUI

16 comentários:

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Mais uma bela história de Natal.
Uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Larissa Santos disse...

Bom dia. Que bonito. Lá está a força e fé do querer. Adorei. Obrigada Precisamos de esperança.

Hoje:-Prometeste-me um dia d'amor em alto mar.

Bjos
Óptima Segunda-Feira

António Querido disse...

Muito bonito, mas há tantos meninos no mundo a querer escrever uma carta igual, mas as guerras fecham-lhes as escolas.

O meu abraço

✿ chica disse...

Que lindo,Elvira! Tão bom de ler! bjs, ótima semana,chica

A Nossa Travessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A Nossa Travessa disse...

Querida Elvirinhamiga

O NATAL DESTE ANO <comoveu-me até quase me chegaram lágrimas aos olhos. É um dos mais belos contos do Natal. Quero agradecerte pelo post. Feliz Natal com muitas prendas para os pobres...

Qjs do teu amigo & comovido

Henrique, o Leãozão

Edumanes disse...

Uma redacção escrita,
pela mão de Francisco
a história é bonita
assim tenha acontecido!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Fá menor disse...

Gostei tanto!
Assim fossem muitas prendas de Natal.

Beijinhos

Ontem é só Memória disse...

Adorei!

Bjxxx
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esteban lob disse...

Encantadora historia Elvira.

Abrazo austral.

Rosemildo Sales Furtado disse...

Lindo e muito profundo Elvira. Parabéns!

Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

Furtado

Pedro Coimbra disse...

O Menino Jesus é isso mesmo - boas novas, alegria, paz.
O resto é Fé.
Que se tem ou não.
Abraço

Roaquim Rosa disse...

bom dia
Mais uma linda historia quiçá verdadeira !!!
JAFR

Isa Sá disse...

a passar por cá para conhecer mais uma história!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Gaja Maria disse...

Mais uma bonita história de Natal. Abraço Elvira

Anete disse...

Bonito texto e com uma mensagem de amor e esperança.
Abraço grande

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