17.10.15

FOLHA EM BRANCO PARTE I



FOTO MINHA



 O homem que se encontrava por trás de uma tela, perto da falésia, era sem dúvida, além de pintor, um amante da natureza, já que a paisagem ao redor era de cortar a respiração. Era alto e magro, de cabelos compridos, e desalinhados, Vestia umas calças de ganga, que já tinham conhecido melhores dias, e uma camisa de xadrez. A julgar pelas pequenas rugas à volta dos olhos, e pelos fios de prata que iam salpicando o seu cabelo, andaria algures entre os quarenta e os quarenta e cinco anos.
Com vigorosos traços de espátula e cor, ia fazendo surgir na tela, a falésia altiva, com o mar a espraiar-se de mansinho a seus pés, numa suave carícia.
De repente ao levantar os olhos da tela a paisagem tinha-se alterado. Ali perto uma jovem contemplava o mar absorta.
Miguel, assim se chamava o pintor franziu o sobrolho. Tinha escolhido aquele ponto, mais distante da falésia, por ser aquele onde habitualmente os turistas não iam, nas suas incursões, naqueles belos dias de Outono, quando o sol aquece a terra de forma suave, e sem os calores ardentes do Estio.
Sentiu um arrepio. Largou a espátula e foi-se aproximando da jovem, que continuava sem dar pela sua presença. Mais perto percebeu pelo tremor do seu corpo que chorava, e frenético quase correu para ela, agarrando-a precisamente no momento em que decidida, ela se encaminhava para a beira da falésia, numa clara intenção de suicídio.
Contra a resistência da jovem, Miguel aprisionou-a nos seus braços fortes, retirando-a daquele local perigoso.
De repente, a jovem parou de resistir, e o homem sentiu que o seu corpo deslizava entre os seus braços.
Percebeu que tinha desmaiado. Ergueu-a nos seus braços fortes e levou-a até junto de onde se encontrava o seu material de pintura. Aí chegado estendeu-a suavemente no solo, e só então viu bem a mulher. Era muito jovem. Quase uma criança. Franziu o sobrolho numa expressão que lhe era característica sempre que alguma coisa o incomodava. Começou a arrumar o material, enquanto pensava que raio poderia levar uma mulher tão jovem e tão bonita a querer acabar com a vida.  Sim porque a jovem era muito bonita. Um corpo esbelto, assentava numas pernas longas que a julgar pelas calças justas, eram bem torneadas. Um rosto oval, testa alta, nariz pequeno e bem feito, boca pequena de lábios bem delineados, e uma farta cabeleira de cabelos castanhos, levemente ondulados. Os olhos, bom, os olhos, teria que esperar que acordasse para ver a sua cor.




Nota: Começo hoje a publicação de um novo conto, que espero vos venha a agradar tanto quanto os anteriores. Será publicado duas vezes por semana. As aulas na Universidade Sénior já recomeçaram o tempo é mais escasso.



26 comentários:

✿ chica disse...

Pelo que li, será bem do agrado mesmo! Lindo! Vamos acompanhar! bjs, chica

Edumanes disse...

Para ver a cor dos olhos dela,
tinha de esperar que ela acordasse
para a salvar largou a tela
antes que ela da falésia se atirasse!

Não tenho pressa de ir embora,
humildemente, fico esperando
Pelo começo já estou imaginado
de que irá ser uma bela história!

Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Duarte disse...

Que riqueza nos detalhes!
Isto promete, aliás como sempre.
Gostei imenso do modo como fazes a apresentação do personagem. Um salvavidas... quem não num caso assim!
Um grande abraço, querida amiga

Lu Sam disse...

Passeando pela blogosfera me deparei com o seu blog e o conto já me prendeu a atenção. O final misterioso me fará voltar aqui mais vezes.
beijos.

Lu Sam disse...

Passeando pela blogosfera me deparei com o seu blog e o conto já me prendeu a atenção. O final misterioso me fará voltar aqui mais vezes.
beijos.

Lu Sam disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
esteban lob disse...

Historia prometedora, que incluye la hermosa "foto minha" Elvira. En este caso, foto tuya.

Cariños.

Pedro Coimbra disse...

Como sempre, tem aqui um leitor atento
Boa semana!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

O conto promete ficamos à espera de continuação.
Gostei bastante da fotografia.

Anete disse...

Um conto bem escrito e com muita criatividade...
Paisagem inspiradora... O ser humano com suas histórias de vida! Veremos então o que os personages trazem nas suas bagagens...
Abraço

Bell disse...

Vamos acompanhar e aguardar o que vem por ai

bjokas =)

Laura Santos disse...

Vejo com agrado que desceu a narrativa até ao Algarve!
Começa muito bem, com uma história quase trágica a suscitar curiosidade. Que irá acontecer depois do desmaio?...
Aguardo o desenvolvimento da personagem Miguel, e da jovem que salvou.
Boa semana, Elvira.
xx

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira
Pelo começo já estou gostando. Adoro seus contos criativos e bem escritos. A cada capítulo fica uma ansiedade de ler os outros.
Beijos
minicontista

CÉU disse...

Efetivamente, estimada Elvira, já a "conheço" e também já sei k não é dada a "floreados", mas que tem "arte e engenho" para a narrativa conto, isso tem.
Gostei, especialmente, das descrição pormenorizada das personagens.
Aguardemos, então, pelas voltas, que "isto" vai dar. Paixão, à posteriori? Talvez?

Já tinha deixado comentário meu no seu blogue das habilidades, a propósito de a elvira ter transformado um vestido da Nita numa fofa e bonita camisola.

Beijos para todos e um, em especial, para a Nita.

CÉU disse...

Retificando: Gostei, especialmente, DA descrição, já tinha deixado comentário (retire-se meu), Elvira, com maiúscula, naturalmente.

Dias felizes.

Vera Lúcia disse...


Olá Elvira,

Esta primeira parte está muito envolvente, despertando a curiosidade sobre o prosseguimento do conto, que está muito bem delineado.
Quase pude visualizar as cenas, de tão bem descritas.
Aguardo o prosseguimento.
Bela paisagem na foto.

Beijo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Aposto que os olhos são castanhos
de encantos tamanhos

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira!
Que lindo, já gostando muito!
Abraços, e uma boa semana!
Mariangela

Fernando Santos (Chana) disse...

Bela a 1º parte e a fotografia...Espectacular....
Cumprimentos

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Uma surpresa agradável esta leitura.
Coisas a que já nos habituou.
Espero a continuação que promete momentos muito bons.

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita
Ficarei radiante,mas se desejar seguir, saiba que sempre retribuo seguido também o seu blog.
Deixo os meus cumprimentos e saudações.
Sou António Batalha.

Donetzka Cercck L. Alvarez disse...

Que maravilha,querida amiga Elvira!

Pode publicar um livro de contos! Eu leria rapidamente e ajudaria a divulgar.

Vou aproveitar que a conexão melhorou para ler a parte 2.

Linda semana,minha linda.

Beijos sabor carinho

Donetzka

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Elvira! Pelo conteúdo mostrado na primeira parte, o conto promete muitas emoções. Vamos aguardar.

Abraços,

Furtado.

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
OLHA EU AQUI...
ABRÇS
-http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Berço do Mundo disse...

Acompanharei com muito prazer este novo conto. Aproveito para desejar um feliz ano letivo. Acho as universidades séniores projectos fantásticos.

Beijinhos
Ruthia d'O Berço do Mundo
obercodomundo.blogspot.pt

Socorro Melo disse...

Oi, Elvira!

Primeira parte, e já estou cheia de expectativa...


Socorro Melo