25.10.15

FOLHA EM BRANCO PARTE IV


                                           foto do google

Numa parede um grande sofá, parcialmente coberto por uma manta alentejana, onde pontificavam algumas almofadas de croché, amarelas e castanhas. Na parece em frente um aparador, e sobre ele, na parede, um grande quadro com dois jovens, vestidos de uma forma esquisita, talvez traje do século passado. No centro uma mesa, cujo pé, fora um dia uma máquina de costura. Por toda a sala, quadros espalhados mostravam bem qual a profissão do dono da casa.
Num canto na parede do sofá, uma porta, que Miguel abriu dizendo;
- O quarto.
Depois reparando que a jovem continuava a olhar o retrato acrescentou,
-Eram os meus avós.  
E pegando-lhe na mão disse;
- Venha ver o seu quarto. Como a casa só tem um, enquanto aqui estiver, fica no quarto, eu fico no sofá. Não será por muito tempo, logo vai lembrar de tudo e voltar à sua casa.
Miguel sabia que isso não era certo. A jovem poderia levar muito tempo para recuperar a memória, e ele talvez estivesse a meter-se numa camisa-de-onze-varas, como diria a avó Ermelinda se fosse viva. Mas sem saber porquê, sentia necessidade de animar a jovem, tanto quanto sentia de a proteger.
O quarto era pequeno. Uma cama de ferro, pintada de branco, uma mesa-de-cabeceira antiga com tampo de mármore, sobre o qual um  candeeiro com abajur em bola, e um livro. Havia ainda  um pequeno armário de portas escuras e lisas.
Na parede sobre a cabeceira da cama, um crucifixo de madeira, completava a decoração do quarto.
-Vamos, - disse Miguel, venha ver o resto da casa. Afastou um cortinado junto ao aparador e seguiram por um largo corredor.
Nele em tábuas corridas amontoavam-se dezenas de livros, o que demonstrava o gosto de Miguel pela leitura.
- Esta é a minha biblioteca. Pode ler o que quiser, e quando quiser.
E aqui é a cozinha.
A cozinha como tudo na casa era pequena. Num canto o fogão, e a seu lado uma grade de madeira com algumas panelas e frigideiras penduradas. Encostado à parede interior uma mesa rectangular com duas cadeiras, e sobre a mesa, num nicho na parede, alguns pratos e copos. Na parede que dava para o exterior a um canto uma porta, depois um frigorífico, e quase junto ao fogão, uma janela. Sob esta o lava loiça.

15 comentários:

Edumanes disse...

Esse interessante mistério continua por desvendar,
porque e enquanto a jovem não recuperar a memória
o Miguel e a gente com paciência temos de esperar
para ficarmos a saber como será o fim dessa história!

Continuação de bom domingo amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Vou procurar o que perdi e cada dia vou postando.
Tenha paciência, logo ficarei boa.
Beijos
minicontita

✿ chica disse...

Tu sabes muito bem fazer enredos e nos deixar curiosas! bjs, chica

Rogerio G. V. Pereira disse...

uma casa pequena
se tem muitos livros
terá a dimensão que quisermos

Vera Lúcia disse...


Rica descrição, que coloca o leitor na cena do conto.
Excelente!
Aguardo a continuação.

Beijo.

Pedro Coimbra disse...

O que é que daqui vai sair???
Boa semana

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um texto com um belo enredo.
Um abraço e uma boa semana.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

A discrição completa de uma casa pequena.
As surpreendentes posições do acompanhante. Haveriam outras como levar a senhora ao hospital. Procurar ajuda na polícia.
Espero para ver o final da história.

Olinda Melo disse...

Uma história que me parece muito interessante, aliás, como já nos habituou.
Vou procurar recuperar as outras 3 partes. E vou gostar de certeza.
Bj
Olinda

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira estava de repousando, levantei para ver a sua postagem, você é bem caprichosa nos mínimos detalhes e isso nos deixa curiosa.
Beijos no coração
minicontista

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
ESTOU BASTANTE INTERESSADA E GOSTANDO MUITO.
TENS O DOM DE NOS DEIXAR COM VONTADE DE VOLTAR PARA LER, CURIOSA MESMO.
ABRÇS
-http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Rosemildo Sales Furtado disse...

Casa pequena, porém o suficiente para os dois. quem sabe, o futuro.....

Abraços,

Furtado.

Berço do Mundo disse...

Gostei da expressão "camisa-de-onze-varas" que desconhecia. O conto está empolgante.
Beijinhos, uma linda semana
Ruthia d'O Berço do Mundo
obercodomundo.blogspot.pt

Laura Santos disse...

Uma descrição ao pormenor , e um anfitrião muito atencioso.
xx

Socorro Melo disse...


Casinha bem funcional, bem prática... Gosto assim.



Beijos
Socorro Melo