Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta humanidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta humanidade. Mostrar todas as mensagens

23.11.19

PARA MEDITAR

Perguntaram ao Dalai Lama...
"O que mais o surpreende na humanidade?"
E ele respondeu:
Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.


Bom fim de semana

19.4.19

23.6.18

SANTOS POPULARES. S. JOÃO



Estamos em Junho, o mês dos dias enormes, do começo do Verão, dos Santos Populares.  Este ano com uma novidade, que vem de quatro em quatro anos. O Campeonato do Mundo de futebol, ou como dizem nossos amigos do outro lado do oceano A  Copa do Mundo.
Mas deixemos o futebol para quem o entende, e vamos lá falar do S. João que hoje se comemora um pouco por todo o país, com maior intensidade no Porto e em Braga, que o têm por padroeiro.
 A verdade é que os maiores festejos - excepto os religiosos - ocorrem hoje, dia 23, véspera do dia do Santo. Há uns sessenta anos atrás, não existia TV, embora ela tivesse chegado a Portugal, em mil novecentos e cinquenta e sete, só uma escassa minoria possuía a caixinha mágica caixinha mágica, que iria alterar costumes e tradições. E para falar verdade, nem sentíamos na altura que fizesse muita falta. Nas noites quentes de Verão, o povo sentava-se à porta de casa, olhando as estrelas, sonhando com um futuro melhor para os catraios que brincavam na rua, saltando ao eixo, jogando à macaca, ou correndo atrás de uma bola feita de trapos, ou de bexiga de porco.
Pelos santos populares, na Seca da Azinheira, o pessoal residente, juntava-se no início da rua das "casas novas". Era assim que nós chamávamos ao grupo de casas que existiam na Seca e onde habitavam os empregados de escritório, os encarregados, os electricistas e os ferreiros. Nós vivíamos a uns trezentos metros, num barracão de madeira isolado, mas um dos eletricistas era irmão do meu pai, e tinha dois filhos um pouco mais velhos que eu, daí que no Verão, quando o pai não aproveitava a noite para cavar ou regar o quintal, íamos para as "casas novas" brincar com os primos e as outras crianças aí residentes, enquanto os pais se entretinham em conversas sobre a vida e os seus problemas. 
No S. João, o meu pai fazia todos os anos um enorme balão de papel colorido.  
Lembro-me que levavam umas tochas feitas com desperdícios, embebidas em petróleo, que enquanto ardiam mantinham os balões no ar. Quando se apagavam o balão começava a perder o ar quente que o mantinha lá em cima e acabava por cair atraído pela gravidade.
 Os mais velhos faziam uma fogueira no meio da rua, e sentados junto ao muro, do quintal da casa mais próxima, contavam histórias, enquanto davam um olhinho pelos mais novos. E nós, crianças corríamos atrás dos grandes besouros que sempre apareciam nesta altura do ano. Fazíamos rodas à volta da fogueira e quando ela ficava mais fraca, obtínhamos permissão dos pais para a saltar. Convivíamos. 
Todos se conheciam, todos se ajudavam. No dia seguinte cumprimentavam-se, comentavam a noite anterior, e acabavam com um "No São Pedro lá estaremos". 
Eu tenho saudades desse tempo. Hoje as pessoas juntam-se às centenas, às vezes milhares, todas no mesmo espaço, em concertos, e no futebol, saltam, gritam, mas não se conhecem, e quando o evento acaba, são de novo desconhecidas. Estão juntas e simultaneamente estão sozinhas. Estão ligados ao mundo, através dos seus telemóveis e das redes sociais, mas não sabem o nome de quem têm ao lado. Não há convívio. É como se as pessoas se tivessem transformados em ilhas. Podem estar distantes, ou mesmo ali ao lado, mas não se tocam. Vivem em prédios de vários andares e não conhecem às vezes nem o vizinho do lado. É urgente que a humanidade pense em ser ponte. Em união.
Bom S. João, e bom fim de semana.

28.2.18

CARLOTA - PARTE VI

Foto de um aerograma, rebaptizado pelos militares de "bate-estradas" 

Descansada com o filho, de novo em casa da irmã, Carlota dirigiu-se a casa dos antigos patrões, e contou à antiga patroa o que lhe tinha acontecido. A senhora ficou com pena dela, afinal estivera lá em casa quase dez anos, e deu-lhe uma carta de recomendação para uma amiga, que ela sabia andar à procura de uma pessoa competente e de confiança. Só que era em Cascais. 
A jovem não se importou. Ela queria e precisava trabalhar. Claro que a dona da casa ao ler a carta de recomendação  lhe deu trabalho na hora.
Carlota, regressou à vida de cuidar da casa e dos filhos dos outros, tentando esquecer a triste experiência, porque tinha passado, e cada dia mais descrente na humanidade.
A casa era grande e farta. Além de Carlota, havia uma cozinheira e uma ama para os meninos, que a ajudava nas tarefas da casa, quando eles estavam no colégio.
Dois anos depois, o patrão, diplomata, foi colocado em Paris. Carlota bem como as restantes empregadas, foram convidadas a acompanharem os patrões.
Em Portugal, não havia divórcio pelo que Carlota continuava casada, e embora nem sequer soubesse onde o marido parava, não podia viajar sem autorização dele. Parece ridículo, hoje, mas antes da revolução de Abril, era assim em Portugal.
Por isso, Carlota não pode aceitar. A patroa, passou-lhe então uma carta de recomendação, para uma amiga em Lisboa e assim não ficou sem trabalho. Os anos foram passando, o filho tinha completado dezoito anos, alistara-se no exército como voluntário, e o seu coração de mãe, vivia o pavor de saber que mais dia, menos dia, ele seria destacado para a guerra nas colónias. E o que tanto temia, aconteceu em Janeiro de mil novecentos e setenta e três, quando o jovem foi para a Guiné, integrado numa companhia da PM.
Como Carlota não sabia ler nem escrever, quando começaram a chegar os aerogramas do filho, pedia a uma colega, Dorinda, a trabalhar na casa vizinha, para lhe ler as notícias e escrever as cartas de resposta. Tornaram-se amigas e surgiram as confidências.
Por essa altura, a amiga, recebeu a visita de António, um irmão que regressara de França onde estivera emigrado por doze anos. António, ficara viúvo aos trinta e sete anos, quando a mulher morrera em consequência dum parto complicado, de uma menina que já nascera sem vida. Destroçado, António só queria partir para um local bem longe da tragédia. Foi por isso que emigrou. Primeiro para Espanha, onde trabalhou dois anos, e depois para França onde estivera mais dez. Quase a completar cinquenta anos, a mágoa atenuada pela passagem do tempo, António sentira que era chegado o momento de voltar, e de arranjar uma companheira para o resto da vida. Fora à terra ver a família, pais, irmãs, cunhados e sobrinhos. Aí lhe deram a morada de Dorinda, a irmã mais nova que vivia em Lisboa, na casa dos patrões para quem trabalhava.
Foi visitá-la, e ao conhecer Carlota, logo se interessou por ela. Contrariamente ao que seria de supor, Carlota, não ficou indiferente ao interesse de António. Bem pelo contrário, corava como uma menina, e sentia as pernas a tremer, quando ele a olhava com intensidade. Pela primeira vez na vida, Carlota estava apaixonada.


A todos os que leram A Culpa, conto que estava a concurso,  informo que o resultado saiu ontem.
Eis a cópia  do  mail que me mandaram

Boa noite 

Aqui estamos para comunicar o resultado da decisão do júri 
para o 11º Concurso Literário Papel D´Arroz Editora 

Resultado - 11º Concurso Papel D´Arroz Editora


- A CULPA - 

1º Classificado - Paulo Vaz 
2º Classificado - Mª Elvira Carvalho 
3º Classificado - Maria Estrela do Mar 


Parabéns ao Vencedor! 


O Autor vencedor terá a edição de um livro - de sua Autoria - sem custos - Edição da responsabilidade de Papel D´Arroz Editora - Grupo Múltiplas Histórias