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23.11.19

PARA MEDITAR

Perguntaram ao Dalai Lama...
"O que mais o surpreende na humanidade?"
E ele respondeu:
Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.


Bom fim de semana

14.3.16

MANEL DA LENHA - PARTE XXXI


                         Foto de Luís Miguel Correia


Apesar de todas as vicissitudes da vida,  pouco depois do Ano Novo,  já andava às voltas com o seu fato e máscara de Carnaval.  Ele sempre fora um homem alegre, brincalhão e a época carnavalesca sempre lhe permitia extravasar essa alegria. Sempre fazia máscaras estranhas, deuses ou demónios de um qualquer mundo imaginário, muito parecidas com as máscaras tribais que hoje vemos na televisão. A morte da mãe, e os problemas de saúde da esposa, levaram-no a interromper essa prática, que retomara  nesse ano da graça de 1958
Em Abril, a safra já tinha terminado e o pessoal que ali trabalhava todo o ano, voltara à rotina de reparar tinas, caiar armazéns, reparar arames partidos e cortar o canavial. A 19 desse mês, é lançado à água a nova aquisição da seca, um dos navios mais bonitos da pesca do bacalhau. O Neptuno, o navio-motor em aço, construído nos estaleiros de São Jacinto em Aveiro.
Na seca, um dos cunhados do Manuel continua na tropa, e o outro conseguiu por esses dias empregar-se na CUF, e embora continuasse a viver no barracão, como trabalhava no turno da noite, dormia de dia, e Manuel deixou de contar com a sua ajuda. Os filhos estavam na escola. A mulher cuidava da casa, e  da criação que entretanto fora conseguindo, e por vezes dava uma ajuda na rega. Mas ele não gostava muito de a ver no quintal. Ela continuava com problemas de saúde. Agora de vez em quando tinha uns ataques que ninguém a segurava. Os vizinhos já falavam que ela devia ter algum “encosto”, quem sabe, alguma promessa que decerto a Piedade fizera e não pagara, e agora andava a atormentar a nora.
Manuel não sabia se havia de acreditar ou não. Mas lá que eram uns ataques esquisitos eram. No último esteve largos minutos desacordada e depois de repente, começara a gritar, rasgara a roupa, arranhava-se e mordia-se e ele aflito até mandara as crianças para casa do cunhado, para elas não verem assim a mãe. Depois que recuperou, andou quase uma semana prostrada e sem forças. Agora estava bem mas e até quando?
No terminar das aulas, a filha ficou bem no exame da 4ª classe e Manuel sentiu-se feliz por isso. Pena que o filho não tivesse passado. Mas ele sabia que a culpa não era do miúdo, se ele não conseguia fazer-se entender.