O
homem tinha entre as suas, uma mão feminina e olhava sem ver, toda a
parafernália de aparelhos que mantinham a mulher artificialmente viva.
Pousou
com cuidado a mão em cima da cama e com movimentos lentos levantou-se. Esticou
o seu comprido corpo, passou um lenço pela testa, onde se viam algumas gotas de
suor, dobrou-se e passou dois dedos pela face exangue, da mulher, numa carícia
que sabia ela não sentiria. Depois lentamente dirigiu-se à porta e saiu. Era um
homem alto de ombros largos, que, no entanto, se encontravam naquele momento
meio curvados como se a dor que carregava fosse demasiado grande. Tinha trinta
e quatro anos, era moreno, de cabelos e olhos negros, a testa alta, o nariz
reto, a boca bem desenhada, e um queixo forte. Um homem muito atraente, que apesar da sua grande tristeza, fazia virar a cabeça às enfermeiras, sempre que ele passava no corredor a
caminho do quarto onde jazia a sua esposa. E passava diariamente bastante tempo
no hospital, desde que há três semanas, ela, a sua mulher, fora baleada, num assalto
para lhe roubarem o carro, quando se dirigia a um centro comercial.
Grávida
de vinte e sete semanas, Sara não resistira aos ferimentos e morrera poucos
minutos depois, de ter entrado no hospital, mas dado que a criança estava bem,
os médicos decidiram mantê-la artificialmente viva, o máximo de tempo possível,
a fim de conseguir que a criança se pudesse desenvolver, até poder ser retirada do ventre materno, com
boas hipóteses de sobrevivência.
Era
uma situação extremamente dolorosa, todavia ele estava esperançado em que a
criança se salvasse. Além dele, Sara não tinha mais familiares que o seu pai, a viver há
duas décadas em França, para onde emigrara e onde acabara por voltar a casar e
formar uma nova família.
Apesar
de os médicos dizerem que não havia a mínima hipótese de ela perceber a sua
presença, ele não deixava de estar junto dela todo o tempo que lhe permitiam.
Não o fazia por amor. Na verdade, o seu casamento como tal, deixara de existir há
bastante tempo, quando ele se apercebera de como a mulher era frívola e
egoísta. Estava até decidido a pedir o divórcio, quando ela ficara grávida, e a
criança fizera com que se dispusesse a dar mais uma hipótese à relação.
Foi
uma ironia do destino, que o bebé que ele tanto desejara nos primeiros anos de
casados, e que Sara sempre recusara ter, para não perder a linha e ficar, como
costumava dizer, “gorda como um elefante” viesse a surgir exatamente quando ele
tinha pensado seriamente em pôr um ponto final no casamento.
Apesar
disso, nunca desejou um fim tão trágico para a sua mulher, e o seu coração
enchia-se de compaixão por ela.
Continua
Amigos o meu olho direito está melhor Graças a Deus e às gotas. O esquerdo está na mesma, nem é de esperar outra coisa enquanto o transplante não for feito. Entretanto já fiz todos os exames que me pediram embora do último, feito na Sexta-feira, só vá buscar o resultado dia 22.
E este é o primeiro capítulo da nova história, que ainda nem chegou a meio. De modo que contrariamente ao costume esta história, sairá apenas três vezes por semana. Espero que compreendam a minha situação.
Continua
Amigos o meu olho direito está melhor Graças a Deus e às gotas. O esquerdo está na mesma, nem é de esperar outra coisa enquanto o transplante não for feito. Entretanto já fiz todos os exames que me pediram embora do último, feito na Sexta-feira, só vá buscar o resultado dia 22.
E este é o primeiro capítulo da nova história, que ainda nem chegou a meio. De modo que contrariamente ao costume esta história, sairá apenas três vezes por semana. Espero que compreendam a minha situação.
