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6.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE XXI






Retirou a mão masculina da sua cintura, com extremo cuidado, para não acordá-lo, aguardou uns segundos sem se mexer, e como Pedro continuava a dormir, deslizou da cama, e esgueirou-se para a casa de banho. Quando voltou, depois de ter tomado banho, secado o cabelo e escovado os dentes, Pedro já tinha acordado, e encontrava-se observando a rua pela janela da suite. Tinha apenas vestido os calções do pijama, mostrando toda a parte superior do corpo. Lembrando de como tinha adormecido sobre aquele peito forte, Joana corou desviando o olhar.
Calmo, ele avançou para a porta, falando com aparente naturalidade.
- Bom dia. Espero que tenhas dormido bem. Já pedi o pequeno-almoço, que deve estar a chegar. Enquanto isso vou tomar um duche.
Desapareceu no interior da casa de banho, enquanto ela se dirigia para a sala, e se sentava no sofá tentando acalmar-se.
Quando mais tarde, ele voltou impecável nas suas calças azuis, a camisa branca de manga comprida dobrada até ao cotovelo, e desabotoada nos dois primeiros botões, o pequeno-almoço já se encontrava na sala.
Iniciaram a refeição em silêncio, 
Ambos queriam falar sobre a noite anterior, mas nenhum sabia bem como o fazer. Agora à luz do dia era ainda mais difícil para Joana falar. Para ele não era mais fácil, temia agravar a situação, não queria que a jovem começasse a chorar de novo, ou que ficasse ainda mais traumatizada.
Sem o olhar, Joana rompeu o silêncio.
-Ontem à noite…
-Não precisas, falar mais disso, nem agravar memórias que te fazem sofrer, - interrompeu ele. Compreendi perfeitamente a tua atitude. Vou confessar-te uma coisa. Desde que entraste no meu escritório, que me senti atraído por ti e te desejo. Sabendo o que sei hoje, dou graças por não ter surgido uma oportunidade de termos chegado a maiores intimidades antes do casamento. Vendo como estavas ontem, tenho a certeza que terias desistido dele.  E manter a nossa união é muito importante. Lembra-te que temos um filho para criar e educar. O Ricardo disse-me ontem, durante a cerimónia, que a nossa adoção do pequeno Pedro não demorará muito, e eu quero tanto esse filho, como te quero a ti. Não vou permitir, que renuncies à tua parte do combinado, nem que para isso tenha que tomar um duche gelado todas as noites.
Estendeu a mão, segurou a dela que se encontrava trémula, e continuou.
-Tens que confiar em mim. Juro-te que não te vou forçar, nem magoar, ainda que procure estimular as tuas sensações ou o teu desejo, só avançarei quando tu o desejes tanto, quanto eu.
- Ontem, deste-me provas de que posso confiar em ti. Pelo bem do menino, mas também por nós próprios, eu quero que esta união dê certo, mas sinceramente tenho medo de não ser capaz.  É mais forte do que eu.
- Não temas. Vamos tentar resolver a situação só entre nós. Se não resultar, procuraremos a ajuda de um profissional. Não vamos desistir daquilo que queremos. Agora esquece tudo o que não seja o dia maravilhoso que está lá fora, e vamos aproveitá-lo.


28.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE XVI







- Deves estar muito contente.
- Por voltar a ver, sim. Mas vinha doido para ver a sua neta. Que se passa com ela?
- Não sei, Helder. Diz-me tu, porque a queres ver? Desde quando sabias que era ela?
- Quase desde o primeiro dia. A dona Lucinda conhece-me desde sempre. Sabe da amizade que me unia à sua neta. Também sabe como fiquei meio perdido quando os meus pais morreram. Sei que pode parecer estranho que tenha sido uma miúda, a fazer com que me reencontrasse, eu que era já na altura um homem. Mas foi o que aconteceu. Ela era encantadora, tão simples, tão natural, e eu sentia-me feliz a orientá-la nas leituras, a mostrar-lhe o mundo como eu o via. Era como se tivesse uma irmã mais nova, para amar e proteger. E esse sentimento levou-me a recuperar da dor e desorientação em que a morte dos meus pais, daquela forma trágica, me tinha deixado. Por muito estranho que pareça, dada a nossa diferença de idades,  durante quatro anos, fomos os melhores amigos do mundo. Depois um dia descobri que se tinha apaixonado por mim. Fiquei zangado. Foi como se a vida me tivesse roubado de novo, como se a minha irmãzinha tivesse morrido. E de certa forma assim foi, já que desde esse dia, nunca mais fui capaz de a ver, ou de pensar nela, da mesma maneira. Senti-me atraiçoado.  Fui para Lisboa,