O genro do Manuel antes da partida para Moçambique
Por essa altura o filho já o filho está a trabalhar na CP, onde o trabalho não é tão pesado e ganha um pouco mais.
Começa uma época em que o Manuel apesar de
manter o quintal e ir semeando algumas coisas, não precisa já esforçar-se
tanto.
Em Setembro, o Salazar, instalado no Palácio
de S. Bento, dá uma entrevista, em que se julga ainda Presidente do Conselho, e
diz que Marcelo Caetano está a dar aulas na Faculdade de Direito de Lisboa.
Fica claro que o ditador está senil e não tem qualquer influência no País, mas
a máquina montada por ele ao longo dos anos está bem oleada e continua a
esmagar quem se lhe quer opor.
Aos poucos os navios vão regressando, o
pessoal do norte também, e Manuel vai como todos os anos, avisar as mulheres
que há muito fazem as safras, e que vivem nos arredores, desde a Telha, até
Alhos Vedros, passando por todas as localidades mais próximas.
Em Novembro, extingue-se oficialmente a PIDE,
e cria-se em sua substituição a DGS, Direcção Geral de Segurança. Mudou o nome, mas a política era a mesma, ou como diz o ditado, mudam as moscas...
Ainda nesse mês, Manuel sofre mais um
desgosto, com a morte do padrinho do filho. O compadre, era colega do seu
irmão, pois era igualmente electricista na seca. Era seu conhecido e amigo
desde que o Manuel viera trabalhar para a seca com 17 anos. Era um homem ainda
novo, parecia gozar de boa saúde, teve uma gripe forte, e morreu de um choque
anafilático que um dos medicamentos para a gripe, lhe provocou.
Em Dezembro o genro, que é Fuzileiro, é mobilizado
para Moçambique. E se isso já não era bom, o facto de a filha dizer que vai com
ele, põe-no em sobressalto, e traz a mulher a chorar o dia inteiro.
O país, e o Manuel despediram-se de 1969, sem
pena.
No país, além do sismo em Fevereiro, lamentam-se
as mortes de António Sérgio, e José Régio.
Manuel, perdeu o irmão, o compadre, e quase perdia o sobrinho.