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19.4.18

RENASCER - XVI




Aviso aos amigos. Amanhã não haverá continuação desta história. 
É um dia especial, um dia de saudade. Se meu pai fosse vivo faria amanhã 100 anos. Os mais antigos conheceram-no através da sua história, e sabem do amor e da admiração que tinha por ele.

17.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE LIII

        O genro do Manuel antes da partida para Moçambique




Por essa altura o filho já o filho está a trabalhar  na CP, onde o trabalho não é tão pesado e ganha um pouco mais.
Começa uma época em que o Manuel apesar de manter o quintal e ir semeando algumas coisas, não precisa já esforçar-se tanto.
Em Setembro, o Salazar, instalado no Palácio de S. Bento, dá uma entrevista, em que se julga ainda Presidente do Conselho, e diz que Marcelo Caetano está a dar aulas na Faculdade de Direito de Lisboa. Fica claro que o ditador está senil e não tem qualquer influência no País, mas a máquina montada por ele ao longo dos anos está bem oleada e continua a esmagar quem se lhe quer opor.
Aos poucos os navios vão regressando, o pessoal do norte também, e Manuel vai como todos os anos, avisar as mulheres que há muito fazem as safras, e que vivem nos arredores, desde a Telha, até Alhos Vedros, passando por todas as localidades mais próximas.
Em Novembro, extingue-se oficialmente a PIDE, e cria-se em sua substituição a DGS, Direcção Geral de Segurança. Mudou o nome, mas a política era a mesma, ou como diz o ditado, mudam as moscas...
Ainda nesse mês, Manuel sofre mais um desgosto, com a morte do padrinho do filho. O compadre, era colega do seu irmão, pois era igualmente electricista na seca. Era seu conhecido e amigo desde que o Manuel viera trabalhar para a seca com 17 anos. Era um homem ainda novo, parecia gozar de boa saúde, teve uma gripe forte, e morreu de um choque anafilático que um dos medicamentos  para a gripe, lhe provocou.
Em Dezembro o genro, que é Fuzileiro, é mobilizado para Moçambique. E se isso já não era bom,  o facto de a filha dizer que vai com ele, põe-no em sobressalto, e traz a mulher a chorar o dia inteiro.
O país, e o Manuel despediram-se de 1969, sem pena.
No país, além do sismo em Fevereiro, lamentam-se as mortes de António Sérgio, e José Régio.
Manuel, perdeu o irmão, o compadre, e quase perdia o sobrinho.