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30.8.22

POESIA ÀS TERÇAS - JACQUES PRÉVERT

 




Canção

Qual dia somos nós
Nós somos todos os dias
Meu amigo
Nós somos toda a vida
Meu amor
Nós nos amamos e nós vivemos
nós vivemos e nós nos amamos
E não sabemos o que é a vida
E não sabemos o que é o dia
E não sabemos o que é o amor


Jacques Prévert


Biografia AQUI

8.6.22

MEDO DE AMAR - PARTE XVIII

 


-O problema é que depois do vosso casamento e desta semana em que o vi todos os dias, dei-me conta de que este Fernando, não tem nada a ver com o rapazito que foi criado connosco, como um irmão.

-É normal, tu cresceste, ele também. Hoje são um homem e uma mulher que foram amigos em criança, se afastaram e hoje se encontram de novo. Sei que o teu irmão e os teus pais gostariam de te ver casada com ele, mas eu penso que deves interrogar o teu coração e descobrir que sentimentos tens por ele.

 E se para isso precisas de conviver mais com ele, talvez que trabalhando juntos seja uma boa maneira de o descobrires. Que ele é doido por ti, todos sabem, até eu que só o conheci há pouco tempo. 

Todavia se descobrires que não há química entre vós, que continuas a amá-lo como um irmão, diz-lho e segue em frente. Um casamento sem amor é uma tragédia. A história de que um pode amar pelos dois, é muito bonito em canção, mas na vida real não existe. Sabes que apesar de nos conhecermos há pouco tempo gosto muito de ti e só quero que sejas tão feliz como eu.

 – Eu também gosto muito de ti e lamento sinceramente a partida do destino que fez com que não nos tenhamos conhecido antes, - olhou o relógio e acrescentou. Meu Deus estamos a conversar há tanto tempo, o teu marido deve estar furioso comigo por te monopolizar. Não devia tê-lo feito, afinal sei bem o que é uma lua-de-mel.

Levantaram-se e regressaram à sala. Ao vê-las aparecer, Gonçalo levantou-se e dirigiu-se-lhes:

-Já estava para vos ir chamar. Desculpa maninha, mas está a fazer-se tarde, viemos apenas vê-los e buscar a Matilde, vamos seguir para Coimbra, a Lena quer ir conhecer o seu novo sobrinho.

Despediram-se e saíram os três, enquanto Laura e os pais, ficavam no alpendre, até que o carro entrou na estrada principal e desapareceu entre o tráfego. No dia seguinte também os pais seguiriam para Braga, deixando-a sozinha com os filhos. Laura sentiu que ia sentir saudades da animação dos últimos dias.

-Filha, - disse dona Teresa ao ver que Laura se dirigia para a cozinha para iniciar o jantar. - Como partimos amanhã, o teu pai e eu pensámos que gostaríamos que tu e as crianças fossem jantar fora connosco. O que dizes.

- Por mim tudo bem, vou tratar das crianças, toar um duche e vestir-me.

- Vai cuidar de ti, - disse-lhe a mãe. A Sara já se sabe arranjar sozinha, eu dou banho ao Miguel e visto-o. Afinal tenho tão poucas oportunidades de o fazer.

Laura dirigiu-se ao quarto, enquanto a mãe pegava no neto ao colo, mas antes de se afastar em direção à casa de banho murmurou ao marido.

“Faz o que combinámos”

 

6.4.18

RENASCER - III





Muito obrigada a todos os que por aqui passaram para parabenizar o marido. Para os que não entenderam o segundo casamento eu explico. O meu marido, dizia-se ateu. Também não era batizado, pelo que o nosso casamento foi apenas um casamento civil. Depois de eu ter estado muito mal em Nampula, ele converteu-se. Batizou-se e casámos pela igreja. 






14.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE L

                                            Foto do google


A casa do Pinheiro Manso, tinha agora luz eléctrica, pois o anterior morador fizera uma puxada dum poste eléctrico que passava ali ao lado,  e isso deixava o Manuel e a mulher mais descansados com os filhos, do que se ainda fosse como noutros tempos a candeeiros a petróleo ou a velas. Assim depois do jantar, ele ou a mulher acompanhavam os filhos até à casa a uns cinquenta metros da casa da porteira, e depois de verificarem que estava tudo bem, dirigiam-se à casinha da porteira, onde pernoitavam. O barracão junto ao rio, ficou vazio, se exceptuarmos as ferramentas agrícolas que o Manuel necessitava para o quintal. Pois ele continuava a cavar, semear e colher o quintal. Por medo de que sabendo que ali já não havia moradores, os gatunos fossem de noite  assaltar as capoeiras, mudaram-se os animais para umas capoeiras junto à nova casa, que anteriormente tinham sido usadas pelo Bernardino, o caseiro, que residia mesmo em frente da casa da porteira, e até o porquinho veio para um chiqueiro ao lado do chiqueiro do caseiro. A filha mais velha continuava a trabalhar no laboratório, mas vivia agora com os pais, pois o futuro sogro tinha voltado a casar e os filhos não aceitaram uma tão rápida substituição da mãe. Assim o rapaz, mandara à namorada algum dinheiro para que alugasse uma casa na zona, e tratasse dos papéis para o casamento, que ele chegaria em finais de Julho, teria dois meses de licença e queria passa-los já casado, e na sua casa pois não queria ver o pai. Por isso, a rapariga vinha agora todos os dias para casa, a fim de dar andamento às coisas para o casamento que se avizinhava.
No dia 24 de Fevereiro, foi o Festival da Canção, que Simone de Oliveira haveria de vencer com a Desfolhada. Naquele tempo o Festival era muito publicitado, era mesmo considerado o evento do ano e toda a gente queria vê-lo. Os filhos do Manuel foram com o pai, assistir ao festival na TV do "Galitos" na Telha.
 Porém a letra da canção, do saudoso Ary dos Santos, desagradou a muita gente. Era uma letra mais que arrojada para a época. De tal modo que no dia seguinte, não se comentavam fatos nem adereços, nem outros intervenientes,  mas tão-somente a letra da canção vencedora. Na época não era fácil aceitar que alguém cantasse “Quem faz um filho, fá-lo por gosto”