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5.7.21

COMEÇAR DE NOVO - PARTE XXVII


Helena estava na estrada que levava à casa paterna na manhã seguinte, pouco passava das oito da manhã. Enquanto isso ela ia recordando, o que acontecera no dia anterior.

Emocionada com o sofrimento que Gonçalo expressara nas confidências que lhe fizera, ela decidira aceitar o convite dele para jantar. Assim ligara à filha e depois de saber que ela estava bem, dissera-lhe que só regressaria de manhã, estava com dores de cabeça e achava melhor não conduzir de noite. O mesmo dissera a sua mãe, quando Matilde passara o telefone à avó.

De seguida mandou uma mensagem à Rita dizendo-lhe que tinha seguido o seu conselho e por isso estava em Lisboa. Não precisava mais explicações a amiga compreenderia, e ela não corria o risco de que Rita telefonasse para saber da afilhada, e dissesse alguma coisa que não devia.

Não que ela quisesse enganar deliberadamente a família, porém não era algo que se dissesse pelo telefone. Contar-lhes-ia tudo no dia seguinte.

Jantaram num pequeno restaurante perto da praça do Chile. Durante o jantar, Gonçalo não se cansava de fazer perguntas sobre a sua filha, que ela fora respondendo com todo o amor e orgulho que sentia pela filha. Depois ele falara da sua família.

Da irmã, tão jovem e já viúva, do quanto ela sofrera com a morte súbita do marido, quando se encontrava grávida do segundo filho, dos pais que continuavam a viver em Braga.

Depois ele dissera que ia contar à família sobre elas, e que gostaria que mais tarde o acompanhassem de modo a que se conhecessem.

“Deves saber que a minha mãe e a minha irmã, vão querer logo marcar a data do casamento assim que te conheçam. Há mais de dez anos que tentam casar-me. Principalmente a minha mãe. Creio que já me apresentou todas as jovens em idade de casar, desde Braga ao Porto. Imagina agora sabendo da nossa história.” Dissera-lhe ele sorrindo.

Ela sabia que quando contasse aos pais e a Rita, o que ele lhe contara e a proposta de casamento que lhe fizera, eles também iam exercer pressão para que aceitasse.

Mais tarde, ele voltara a perguntar se ela não tinha fotos da filha, para que através delas ele pudesse acompanhar o crescimento da menina. E para mostrar à família.

Ela respondera que sim. Tinha muitas fotos e vídeos de várias fases do crescimento de Matilde em formato digital.

Trocaram então os endereços eletrónicos, e ela prometeu que nessa mesma noite lhos enviaria.

Quando chegara a Lisboa, para se encontrar com Gonçalo, Helena deixara o seu automóvel estacionado à sua porta e fora de metro. Não sabia o que ele lhe ia dizer, e não queria que ele soubesse onde morava, coisa fácil se fosse de carro e ele a seguisse.

Porém depois do jantar, ele ofereceu-se para a levar a casa, e ela tivera que lhe dar a morada.

Quando Gonçalo estacionou junto à sua porta, e antes que ela saísse do carro, ele segurou a sua mão entre as dele e murmurou um emocionado obrigado.

Com o coração acelerado ela apressou-se a sair do carro, prometendo que lhe telefonava quando contasse toda a história à filha.

Agora, a caminho de casa, preparava-se para contar à filha e depois à restante família tudo o que Gonçalo lhe contara.

4.7.21

DOMINGO COM HUMOR


 



O marido chega a casa muito entusiasmado, e encontra a mulher a ler no sofá.

-Querida, vamos brincar aos médicos? -  pergunta amoroso

A mulher levanta o olhar e responde com outra pergunta:

-Aos médicos? Do Serviço Nacional de Saúde ou particular?

- Do SNS ou particular? Qual é a diferença?

-A diferença? Se for pelo SNS vais esperar seis meses.

- E particular?

- São 100€ - responde ela sorridente.





2.7.21

COMEÇAR DE NOVO - PARTE XXVI

 


-O que sei eu do presente, Helena? A minha cabeça está num caos. Procurei-te com desespero, não porque me recordasse de ti, do amor que sentimos no passado, mas porque me falaram de ti. E porque dentro do meu coração eu sabia que tinha de te encontrar. Passaram catorze anos de luta para recordar aquela fase da minha vida e confesso que começava a perder a esperança. Quando tropeçaste e te segurei. O meu corpo estremeceu e excitou-se, mas o meu cérebro não teve nenhuma reação e não fora a surpresa e o pânico que li no teu olhar, nada me levaria a pensar que a minha busca tinha terminado, que tu eras a pessoa que procurava, há tantos anos.  Mas foi no hospital, ao ver a Matilde, que eu tive a certeza de que a minha busca tinha terminado. Meu Deus ela é uma fotocópia da minha irmã, na idade dela, como pudeste comprovar na foto. Quero que a nossa filha saiba quem sou, quero dar-lhe o meu nome e todo o amor que não lhe dei até agora. E casar contigo, formar a família que o destino me roubou.

- Mas…

- Por favor deixa-me continuar. És uma mulher muito bonita, e há uma grande química entre nós. Sinto-o quando me tocas e tenho a certeza que tu sentes o mesmo. E esse é o presente que te posso oferecer. Não posso jurar que te amo, como certamente o terei feito no passado, pois na minha cabeça, eu conheci-te há dias. Entendes?  Talvez seja presunção da minha parte querer que aceites casar comigo quando nem sequer sei se algum dia vou recuperar a memória daquele pedaço de tempo, todavia acredito que podemos começar de novo, uma história de amor que pode ser muito bonita.  Mas enquanto isso não acontece podemos ter um casamento baseado no respeito, companheirismo e atração física. Pelo bem da nossa filha.

- Desculpa Gonçalo, acredito que tenhas o desejo de viver com a nossa filha, mas de momento o que temos de fazer, é falar com as nossas famílias, e principalmente com a Matilde. Não vamos por os bois à frente da carroça.

Olhou o relógio.

-Meu Deus, são quase oito horas. Tenho que telefonar para casa, saber como está a Matilde e avisar que vou chegar tarde.

- Fica longe a aldeia?

-Perto do Fundão. Quase duas horas e meia de carro.

- Se a Matilde estiver bem, porque não ficas em Lisboa? Afinal ela está com os avós, e decerto eles adoram-na. Ias amanhã, logo de manhã, e não tinha de conduzir de noite.  Podíamos jantar juntos em qualquer lugar sossegado e falavas-me da nossa filha, de como nasceu, dos seus tempos de bebé e da infância. Perdi tudo isso!  

Helena hesitou. Por um lado, ela compreendia o desejo dele de saber mais sobre a filha, e também não gostava muito de conduzir durante a noite, por outro ela tinha saído depois do almoço, dizendo que ia tratar de uns assuntos inadiáveis na agência, mas que estaria de volta à noite. Não poderia dizer aos pais que ia encontrar-se com o pai da sua filha, sem saber se o que Gonçalo lhe ia dizer merecia ou não que confiasse nele. Também não tinha dito nada a Rita e temia que ela telefonasse para saber da sobrinha e de algum modo mostrasse à sua mãe que não tinha conhecimento desses tais documentos.

Por fim decidiu-se.


 TERESA, não tinha saltado nenhum número no último capitulo. Tinha sim publicado anteriormente dois capítulos com o número XXIII. Agora já está tudo correto

30.6.21

NOTÍCIAS


 Boa tarde amigos.

Como disse fui hoje à consulta de transplantes de córnea no Hospital de Santa Maria para retirar os últimos 8 pontos.  Bom tirei 4, e a médica disse que dado o meu histórico de descolamento da retina neste olho, em princípio vou ficar com este quatro, pelo menos até novembro., quando ela me quer ver de novo. 

Pediu uma consulta de oftalmologia, para que faça exames ao nível de astigmatismo, a fim de que me receitem óculos , que me permitam ter uma visão o melhor possível. Disse-me que aguardasse a carta com a marcação, mas que se tivesse muito tempo de espera, ela aconselhava procurar fazer essa consulta no particular, para não continuar visualmente tão limitada.

Disse-me também que se de um momento para o outro, começasse com picadas e o olho vermelho para ir imediatamente lá, porque era sinal que algum dos pontos teria rebentado e teria que ser retirado. Caso contrário iria lá dia 17 de Novembro.

E é tudo.

A minha gratidão pelo vosso carinhoso apoio. Bem Hajam! 

COMEÇAR DE NOVO - PARTE XXV

 


O coração de Helena batia acelerado, as lágrimas corriam silenciosas pelo rosto pálido.

Incapaz de falar, as palavras prisioneiras do nó que se lhe alojara na garganta, ela apenas pôde fazer um gesto afirmativo com a cabeça.

- Meu Deus Helena. Tenho uma filha quase adolescente e não sei nada dela, - disse com a voz enrouquecida, escondendo as mãos entre o rosto.

Novamente o silêncio pairou entre eles. Helena sentia-se arrasada com o sofrimento que Gonçalo demonstrava. E não encontrava palavras que pudessem amenizar a sua dor. Um pouco depois, ele levantou a cabeça e os seus olhos procuraram os dela.

- O que ela sabe do pai? Nunca perguntou por ele? Que lhe disse?

- Quando era mais novinha, ela queria saber porque as outras meninas tinham pai, e ela não. Mas ela é uma criança muito inteligente e um pouco precoce, de modo que penso que percebeu a situação, todavia então trocou a pergunta e começou a pedir que lhe dissesse quem era o pai. Queria a todo o custo saber o nome do homem que lhe deu o ser. Diz que não se sentirá inteira sem saber isso. Então prometi-lhe que lhe diria o seu nome quando fizesse treze anos. E está quase a fazê-los.

- Por favor Helena, se estivemos apaixonados ao ponto de ter uma filha não se justifica esse tratamento. Trata-me pelo nome e por tu, está bem?

-Sim.

-Não me sinto capaz de esperar quase um mês para poder ver e abraçar a minha filha. Podemos dizer-lhe já? Quero contar à minha irmã e aos meus pais. Meu Deus eles vão ficar loucos de ansiedade para conhecer-vos. Por isso gostaria que fossem comigo.

. Prometo que contarei a verdade à Matilde em breve, mas não hoje. É uma história muito intensa para contar a uma criança, tenho que o fazer com cuidado. Compreendes? Aliás esta semana estamos na aldeia, em casa de meus pais, onde vamos passar a Páscoa. Também preciso falar com eles, contar-lhes tudo o que me disseste. Eles sofreram muito vendo-me grávida e sozinha.

 Eu liguei várias vezes para o teu telemóvel, mas estava sempre desligado. Mandei email e nunca recebi resposta. Eles e eu pensámos que me seduziste e me abandonaste. Foi um grande desgosto que lhes dei, mas apesar disso, eles sempre me apoiaram. Só com o apoio deles e  da Rita, a filha de um amigo do meu pai, que é a madrinha da Matilde, eu consegui continuar os estudos com um bebé de pouca idade.

- Deve ter sido muito duro para ti. Não posso evitar o sofrimento porque passaste, mas posso fazer o que deve ser feito. Casar contigo, dar o meu nome à nossa filha.

- Não Gonçalo. Vou contar à Matilde e aos meus pais o que se passou. Aceito que dês o teu nome à Matilde, que a apresentes à tua família. Enfim que sejas o pai que ela tanto deseja, mas não me fales em casamento. Nunca me casaria por outra razão que não o amor.

- Mas… nós não estávamos apaixonados?

-Estávamos? Lembras-te disso?

-Não. Mas foi o que me disseram. E se temos uma filha, é porque era verdade.

- Era. Estávamos. Acaso reparaste que falaste sempre no passado?


 

Hoje dia 30 irei de novo ao hospital de Santa Maria. Vamos

 ver se me tiram os últimos pontos. E se me fazem os exames

 para receitar os óculos de modo a que finalmente consiga ler e escrever como dantes. À tarde eu dou notícias. 

 

 

 

29.6.21

POESIA ÀS TERÇAS - A PALAVRA DOS AMIGOS

                                                                        




                                              LEGADO





Tenho gelo

A crescer

Por dentro

Das veias

E

Pesado manto

Sobre os ombros:

Não desconheço

Que

A minha barca

Começa a sulcar

Os atalhos

Da mais longa viagem.




Sem ignorar os sinais

Lego como herança

A certa certeza

De que

Só o amor

Liberta e dá voz

À divindade

Dentro de nós!


São  Banza  in  "Ouro Cru"

São Banza é uma amiga de há mais de 40 anos. Direta, sem papas na língua, ela não tem dúvidas, nem hesita, em denunciar os vários podres desta sociedade imoral e corrupta que tomou conta da humanidade.  Podem encontrá-la AQUI

28.6.21

PARABÉNS MEU FILHO

 

Foi precisamente  há 41 anos, na véspera  de S. Pedro,  que vieste ao mundo. Parabéns filho. 

Fiz um passeio por algumas etapas da tua vida através destas fotos.









                                       



Esta última, no ano passado com a tua bonita família. Parabéns, filho. Nós te amamos.





27.6.21

DOMINGO COM HUMOR


                                                                   ***************


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BOM DOMINGO