-
Como vai a tua relação com a Isabel?
-
Que há nenhuma relação. Ela não acredita em mim, pensa que apenas quero
seduzi-la para a levar para a cama.
- E
tens a certeza de que não se trata disso?
-
Absoluta. Desejo-a é claro, é uma mulher muito bonita, e eu não sou
propriamente um santo. Mas o que sinto por ela é muito mais do que isso. É uma
vontade de estar juntos, de partilhar emoções, de formar uma família. Tenho
trinta e dois anos, e nunca soube o que era uma verdadeira família. Sei que a
mãe nos amou muito, que era capaz de dar a vida por qualquer um de nós. Trabalhou
até ao limite para que nunca tivéssemos fome, e o nosso corpo agradeceu, mas a alma cresceu
sedenta de carinho. Não estou a censura-la. A vida era muito difícil na altura,
especialmente para uma mulher sozinha com três filhos. Tu foste muito novo para
o clube, tinhas um sonho, algo a que te agarrares. A princípio vinhas dormir a
casa, mas quase só te via quando já estava a cair de sono.
Depois
quando se aperceberam da tua genialidade, passaste a viver lá, só vinhas a casa
ao fim-de-semana. Eu cuidava da Laura, para que a mãe continuasse a trabalhar. As
suas brincadeiras, não me diziam nada, tínhamos gostos e sonhos diferentes.
Tinha saudades tuas. E sonhava com uma família diferente. Com uma mesa onde estivéssemos
com os nossos pais.
E jurei que quando crescesse e arranjasse um
emprego, procurava uma mulher e me casava. Sonhava com a minha casa, a minha
mulher e um ou dois filhos. Nunca senti inveja de ti, do teu êxito, do muito
dinheiro que ganhavas. Todavia senti um pouco de inveja quando te casaste. Ias
ter uma família, e eu continuava mais só que nunca, pois a Laura crescera,
entrara na Universidade, tinha a sua própria vida, e a nossa mãe já tinha
entregado a alma ao Criador, alguns anos atrás.
Porém
apesar do meu sonho os anos foram passando e nenhuma das mulheres que conheci,
e conheci imensas, embora a maioria nem fosse capaz de recordar o meu nome. Só me procuravam na esperança de que tas apresentasse.
Apesar disso nunca senti vontade de formar com alguma delas uma família, pelo contrário repugnava-me a ideia de poder viver o resto da vida com elas.
Até conhecer a Isabel. Com ela eu desejo tudo. O corpo, e a alma. Quero adormecer todas
as noites no calor do seu corpo, acordar com o seu sorriso. Se isto não é amor,
então não faço ideia do que seja o amor. Infelizmente, apesar de acreditar que não lhe sou indiferente, ela não acredita em mim e
não sei como convencê-la.
- Se
a amas assim e acreditas que ela também gosta de ti, toma uma atitude drástica.
Faz qualquer coisa que a surpreenda e lhe dê a certeza do teu amor.
-Que
tipo de atitude? Tens alguma ideia?
-
Compra-lhe um bonito anel de noivado. Depois convida-a para jantar, leva-a a um
bom restaurante e durante o jantar, dás-lhe o anel e pede-a em casamento. Ou se
achas que ela não vai aceitar o jantar, leva a Teresa e a Raquel ao escritório,
e na presença delas, oferece-lhe o anel, e pede-a em casamento. Com duas
testemunhas ela não vai duvidar das tuas intenções.
Tinham
acabado de almoçar. Gil chamou o empregado, pagou a conta e saiu seguido do
irmão.
Despediram-se
já no exterior, com o jovem desejando sorte ao irmão antes de entrar no carro e
seguir para o hospital.
Três dias depois, Gil voltou à empresa e desta vez chegou antes da hora de abertura, conforme combinado de véspera com Marco. O doutor Alcides só chegaria perto das onze horas, para que eles assinassem os documentos de doação e alteração do registo da empresa, mas Marco, seguindo o conselho do irmão ia pedir Isabel em casamento, e queria que ele estivesse presente, para que à jovem não restassem quaisquer dúvidas, sobre a seriedade do pedido. Na véspera, marcara uma reunião com as três mulheres, no início do dia, pelo que iriam abrir as portas um pouco mais tarde nesse dia.
Três dias depois, Gil voltou à empresa e desta vez chegou antes da hora de abertura, conforme combinado de véspera com Marco. O doutor Alcides só chegaria perto das onze horas, para que eles assinassem os documentos de doação e alteração do registo da empresa, mas Marco, seguindo o conselho do irmão ia pedir Isabel em casamento, e queria que ele estivesse presente, para que à jovem não restassem quaisquer dúvidas, sobre a seriedade do pedido. Na véspera, marcara uma reunião com as três mulheres, no início do dia, pelo que iriam abrir as portas um pouco mais tarde nesse dia.
