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16.4.20

À MÉDIA LUZ - PARTE IV

Há seis meses que era a secretária de Gabriel Santana. Conhecia a fama de predador sexual, do patrão, muito antes de ir trabalhar para a empresa. Daí tivera a ideia de se apresentar o mais insignificante possível. Naqueles seis meses, já revistara aquelas gavetas dezenas de vezes, sem nunca ter encontrado nada que o pudesse incriminar. Sabia é claro, que qualquer prova estaria no cofre. Mas quem sabe, às vezes um esquecimento lhe deixasse ver qualquer coisa que a levasse a confirmar as suas suspeitas de que o empresário era um homem sem escrúpulos, capaz de tudo nos negócios, mesmo que isso não tivesse nada a ver com o desfalque pelo qual o pai fora preso.  Serviria pelo menos para dar força às suas suspeitas, e tentar por todos os meios apanhá-lo. Mas não. Tudo certo, tudo legal. E ela sentia-se impotente, e muito cansada. Não sabia por quanto tempo mais aguentaria aquela pressão. E o pior, hoje é sexta-feira, há uma festa na academia de dança para angariação de fundos, todos vão ter que estar presentes, e ela sente-se devastada. Amanhã será dia de visitar o pai, e é sempre muito doloroso, ver como ele se encontra. Olhou o relógio. O patrão não voltara até aquela hora, por certo já não voltaria, devia ter encontrado algum rabo de saia, com que se entreteve.  Não interessa, está na hora de saída, precisa ir.
Às vinte e duas horas tem que estar na academia,  e antes precisa tomar um banho relaxante e descansar um pouco.
Acabava de abrir a porta para sair, quando Gabriel chegou:
- Onde pensa que vai? Venha ao meu gabinete!
Ficou furiosa.
- O meu horário de trabalho terminou há cinco minutos.
-Mas, preciso de si agora. Pegue o bloco e acompanhe-me.
Era arrogante e prepotente. Ela sentiu que o sangue lhe subia ao rosto.
-Desculpe senhor, mas terá que ficar para segunda-feira. Hoje não me posso atrasar.
Fitou-a furioso.
- Para quê tanta pressa? Decerto não tem nenhum encontro amoroso, - disse olhando-a depreciativo.
- O que faço nas minhas horas livres, só a mim me diz respeito. Boa-tarde.
Virou-lhe as costas.
- Se sair agora considere-se despedida! – disse-lhe quando ela já atravessava a porta.
Voltou-se e pela primeira vez desde há seis meses, fitou-o bem nos olhos.
- Não creio que a lei me obrigue a trabalhar depois da hora de expediente, senhor. Mas podemos sempre recorrer ao tribunal de trabalho.
E saiu deixando-o perplexo e furioso.


8.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XXII








Às quinze horas, entraram juntos no refeitório, e depois de pedir que se sentassem, Daniela disse.
-Como sabem, há dois meses que esta empresa, passou a ter um novo sócio. O senhor David Ribeiro aqui presente, e que já vos apresentei informalmente. Acontece que o senhor Ribeiro, vai investir um bom capital na fábrica, acaba de comprar novas máquinas de tecelagem, a primeira das quais será montada já para a semana. Vai criar mais postos de trabalho, e como tal é justo que vá assumir a gerência da fábrica, motivo pelo qual, a partir deste momento, todo e qualquer assunto referente à laboração, deve ser comunicado ao senhor Ribeiro. 
Calou-se e recuou, esperando o que ele poderia dizer, mas David, limitou-se a fazer um gesto com a mão e acrescentou.
- Espero que a nossa relação laboral continue a ser boa para ambas as partes. Podem voltar aos vossos postos de trabalho.
Virou-lhes as costas e ela apressou-se a segui-lo.
Uma vez no gabinete, ela sentou-se e disse:
-Vamos lá então tratar disto. Aqui estão as pastas com as encomendas, e o prazo de entregas estipulado para cada uma. O livro de cheques, a chave do cofre, e o endereço eletrônico da firma. A pasta do pessoal, dos Fornecedores, da Segurança Social, e das Finanças. Qualquer informação adicional, a Madalena dar-ta-á. É uma excelente secretária está na firma há muitos anos, sabe de tudo o que a ela diz respeito. Há três anos que não tiro férias. Uma vez que tomaste conta de tudo posso ir descansada.
Encarou-a com raiva.
-Não podes, fazer isso.
-Porque não? É um direito que me assiste.
- Mas posso precisar de ti.
- Para quê? Para alguma assinatura legal? Posso passar-te uma procuração.
- Faz isso e diz adeus às tuas ações na fábrica.
- Confio em ti. Sei que não o farás, - sorriu com tristeza.
Engoliu em seco. Como podia confiar nele, depois de conhecer o seu desejo de vingança? Que se passava com ela? Era muito ingénua, ou demasiado estúpida?
-Para onde vais?
- Estou a pensar ir até Moçambique. Há muito tempo não vejo o meu irmão. É a minha única família, estou com saudades.
Ele quis ser mordaz, dizer alguma coisa que a ferisse tanto, quanto ele se sentia, mas por qualquer razão não foi capaz. Voltou-lhe as costas, e por isso não pode ver o olhar de tristeza com que ela o brindou, antes de se dirigir  para a saída.