Lena acordou, já passava das sete da tarde. Passou a mão
pela testa transpirada, mais pelo sono inquieto, povoado de fantasmagóricas
figuras que se riam dela, do que pelo calor, apesar do dia ter estado bem quente. Ainda assim a dor de cabeça, mercê
do efeito das aspirinas, passara.
Foi à cozinha, ligou o esquentador, e dirigiu-se à casa
de banho a fim de tomar um duche. Despiu-se, meteu a roupa no cesto da roupa
suja e meteu-se debaixo do chuveiro. Fechou a água, esfregou energicamente o
corpo com o gel duche, e voltou a abrir a torneira, deixando que a água tépida
deslizasse sobre o corpo, como se fosse uma carícia.
Findo o duche, espalhou pelo corpo o creme hidratante e
vestiu o roupão sobre o corpo nu. Olhou-se ao espelho enquanto secava o cabelo.
As olheiras ao redor dos belos olhos denunciavam o sofrimento e as noites sem
dormir dos últimos dias. Recordou o achado dessa tarde, e pensou no que poderia
ter levado a mãe a mentir-lhe a vida inteira.
"Será que o tio Alberto sabe disto? É claro que sim. A
mãe não podia ter escondido da irmã e cunhado um casamento e divórcio, quando eram a sua única família e eram tão amigos,” – pensou.
Tinha que falar com ele o mais rápido possível. Escovou o
cabelo acabado de secar, e dirigindo-se à cozinha onde preparou uma torrada e
aqueceu um copo de leite. Tinha comida no frigorífico que sobrara da véspera,
mas ficaria para o almoço do dia seguinte, estava sem apetite.
Quando acabou de comer pegou no telemóvel e ligou ao tio.
- Tio, disseste que qualquer coisa te ligasse. Preciso de
ti.
- Aconteceu alguma coisa? Sentes-te mal?
-Aconteceu que encontrei no armário da mãe uma caixa com
documentos, Uma certidão de casamento, outra de divórcio, um anel de noivado e
uma aliança, entre outras coisas, Sabias disto?
Um curto silêncio do outro lado. Depois a resposta do tio.
Um curto silêncio do outro lado. Depois a resposta do tio.
- Sabia.
-Como foi possível que ela me tivesse mentido a vida
inteira? E como é que vocês nunca me contaram?
- Não podíamos fazê-lo. A tua mãe fez-nos jurar que não
te dizíamos nada.
-Preciso que me contes tudo. Tenho o direito de saber, é
a minha vida, as minhas raízes. Podemos almoçar juntos, amanhã?
- Claro. Vou-te buscar ao meio-dia. Tens preferência por
algum sítio?
-Eu preferia almoçar em casa. Quero mostrar-te os
documentos que encontrei e é mais sossegado para conversarmos. Posso preparar o
almoço.
- De modo nenhum. Precisas descansar. Ainda há, aí na rua, aquele restaurante que serve comidas para fora?
- O Estrela-do-mar? Sim.
- Então não te preocupes. Eu passo por lá e levo o
almoço. Já jantaste?
-Já – mentiu.
-Muito bem. Deita-te cedo e procura descansar. Amanhã
falamos.
Por ser um fim de semana especial, esta história só volta na Segunda Feira
Bom fim-de-semana a quem por aqui passar
Por ser um fim de semana especial, esta história só volta na Segunda Feira
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