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27.9.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XVII

No dia seguinte acordou cedo. Tinha dormido vestido sobre a cama. Despiu-se e tomou um duche retemperador. Depois olhou-se ao espelho demoradamente. Não por vaidade, mas tentando descobrir algum sinal da doença que o minava. Mas não. Tinha um ar saudável capaz de fazer inveja a qualquer um. Fez a barba, e escolheu uma roupa simples e desportiva. Olhou o calendário. Era sexta-feira. O médico daria consulta às sextas? Tinha que ir lá rapidamente. Pegou uma maçã e saiu para a rua. A mãe dissera que vinha logo de manhã, de táxi. De Santarém ao Barreiro, não demorava muito. Logo, logo estaria aí, pensava enquanto comprava o jornal. E não se enganou, pois ao voltar encontrou a mãe no momento da chegada. Não se conteve e depois de a abraçar pegou-lhe ao colo e rodopiou com ela como não fazia há muito. Finalmente em casa, a mãe queria saber de tudo. Como estava a tia, se tinha gostado da terra, se tinha encontrado alguma cachopa bonita, um nunca mais acabar de perguntas. E andava à sua volta mirando-o, como se de um monumento se tratasse.
E ele falou. Contou como gostara da terra, e da tia. Falou da dona Célia, do pequeno Pedro e da Rita. E desta, falou com tal entusiasmo que a mãe adivinhou logo a paixão no seu peito. Quando ele se calou a mãe ficou em silêncio olhando-o. Depois levantou-se e dirigiu-se à cozinha, tentando ocultar uma lágrima, que teimosa queria escapar dos seus olhos. Pedro percebeu porque a mãe não queria fazer comentários. Ela julgava que ele se declarara e não era correspondido. O almoço decorreu em silêncio.A mãe entristecida com o suposto desgosto do filho, e este só pensando na sua visita ao médico. 



29.4.18

FELIZ ANIVERSÁRIO SEXTA



Em 2007, o filho tinha voado  para construir o seu próprio ninho. Deixou cá o seu velho pc.
Eu nunca tinha mexido num, mas comecei a mexer. Cada dia aprendia uma coisa nova, ia um pouquinho mais além. No final do mês de Abril recebi a vista da minha sobrinha e marido. Pedi-lhes para me abrirem um blogue, e me explicarem como publicava nele.  Artur, o marido da sobrinha, criou este. Na hora de escolher o nome eu lembrei do  Robinson Crusoe, e do seu companheiro índio, a quem ele chamou de Sexta-Feira. Comparado com Robinson ele era um pobre ignorante, mas sem ele Robinson não teria sobrevivido naquela ilha selvagem. Para mim a Internet era uma espécie de selva, e eu sentia-me tão ignorante como o pobre Sexta Feira, daí que foi esse o nome escolhido.
No ano seguinte começou uma fase negra da minha vida, que se estendeu até 2012. Anos de muita dor, muito sofrimento, em que apenas o nascimento da neta em 2009, trouxe alguma alegria. Muitas vezes pensei acabar com ele, e outras tantas encontrei forças em vós para resistir. A maioria dos que por cá andavam, fecharam portas e mudaram-se de armas e bagagens para o FB. Dos primeiros anos restam meia dúzia de resistentes.
Felizmente nos últimos dois três anos, tem aparecido muita gente nova.
Hoje o Sexta alegra-se com todos os que o visitam,  e comemora convosco a sua quase pré-adolescência.



Espero que gostem do bolo...



e brindem por todos nós e pela nossa amizade.


Bom Domingo.