Sentiu um baque no peito. Apesar de não ser ela quem conduzia o carro no momento do acidente, sentia-se culpada por ele. Se não tivesse aceitado ir aquela festa, quem sabe o marido teria também ficado em casa. Se quando viu que ele estava demasiado embriagado tivesse insistido para virem de táxi, quem sabe teria convencido Jorge a deixar lá o carro. Mas de que adiantava agora, todas aquelas hipóteses, se já nada podia voltar a ser como dantes?
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13.7.22
OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE II
Sentiu um baque no peito. Apesar de não ser ela quem conduzia o carro no momento do acidente, sentia-se culpada por ele. Se não tivesse aceitado ir aquela festa, quem sabe o marido teria também ficado em casa. Se quando viu que ele estava demasiado embriagado tivesse insistido para virem de táxi, quem sabe teria convencido Jorge a deixar lá o carro. Mas de que adiantava agora, todas aquelas hipóteses, se já nada podia voltar a ser como dantes?
12.7.22
POESIA ÀS TERÇAS - PAULO LEMINSKI
Amar você é
Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui
Paulo Leminski
Biografia AQUI
11.7.22
OS CAMINHOS DO DESTINO
A mulher que percorria o enorme átrio do hospital, caminhava com passos inseguros. Era alta, e a pele morena, apresentava uma palidez típica de pessoa que está doente, ou acaba de sair de algum grave problema de saúde.
10.7.22
DOMINGO COM HUMOR
Dois alunos chegam tarde à escola e a professora pede-lhes uma explicação. O primeiro diz:- Acordei tarde, porque sonhei que tinha ido ao Brasil e a viagem demorou muito.
Então e tu, - pergunta ao segundo.
- Eu sonhei que o tinha ido esperar ao aeroporto.
Na Faculdade de Medicina, o professor pergunta ao aluno:
- Que dose deste medicamento o senhor daria a um homem que tivesse sofrido um ataque cardíaco?
- Três comprimidos, - responde o aluno.
Mas um minuto depois muda de opinião e pergunta ao professor.
-Posso modificar a dose?
- Poder, pode, mas infelizmente o seu paciente acaba de de morrer.
Um homem vai ao psiquiatra:
-Qual é o seu problema? - perguntou o doutor.
- Bem... é que tive uma discussão com a minha sogra e ela disse-me que não falaria comigo durante um mês.
E o psiquiatra
- Para muitos, isso não é problema. Muito pelo contrário...
-Só que para mim é um grande problema?
- Mas porquê? - quis saber o psiquiatra.
-É que o prazo termina hoje!
Num hospital psiquiátrico, um doente grita
- Amigos, eu sou um enviado de Deus à terra...
-É mentira, -grita uma voz ao fundo da sala. Eu não enviei ninguém.
Depois de terminar o exame o médico volta-se para o doente e diz:
- O senhor Rogério já percebeu que não tem as duas pernas direitas?
- Já sim senhor doutor, desde criança que tenho uma perna direita e outra esquerda!
Após o 25 de Abril, o sr. António, presença habitual nas missas deixou de ir à igreja. Preocupado o Pároco chamou a esposa à sacristia e perguntou-lhe:
-Diga-me com franqueza, senhora Maria. O seu marido deixou de vir à Missa por marxismo, leninismo, agnosticismo, ou ateísmo?
Responde a senhora Maria:
-Foi por uma coisa bem mais grave Sr. Padre. Foi por reumatismo.
Um Padre muito triste encontra outro e confessa:
- Não entendo como é que a mesma coisa em contextos diferentes, dá resultados opostos.
- Estás a referir-te a quê? - pergunta o outro
- Refiro-me ao meu sermão de ontem. Para o preparar não dormi três noites; comecei a dizê-lo e adormeceram todos!
Num café algarvio estavam numa mesa, um inglês, um alemão, e um português. A certa altura entra um freguês e diz o inglês:
-Aquele tipo é igualzinho a Jesus Cristo. A barba, o cabelo, a túnica...vou falar com ele.
-Dirigiu-se ao homem e tanto insistiu que ele acabou confessando ser efetivamente Jesus Cristo, mas pediu para ele guardar segredo, não queria que ninguém soubesse.
O inglês fez chantagem, e exigiu que Ele o curasse de ser coxo ou contaria a toda a gente.
Jesus Cristo fez o milagre.
O alemão que era cego de um olho ao ouvir o inglês, levantou-se e foi ter com Jesus, exigindo a cura do olho em troca do seu silêncio. O milagre foi feito e o alemão feliz contou aos outros. O português ouviu mas não se mexeu.
Intrigado Jesus Cristo, foi ter com ele e poisou-lhe a mão no ombro. O português levantou-se de um salto gritando-lhe:
- Tira a mão de cima de mim que estou de baixa!
BOM DOMINGO
9.7.22
PORQUE HOJE É SÁBADO
8.7.22
CELESTE
Este conto é uma reedição. Os mais antigos já o conhecem, mas como tenho vários leitores que não tinha na altura em que foi publicado, e como parece que a violência doméstica está cada vez pior...
Anda Luísa,
Sacudiu a cabeça, ao mesmo tempo que pensava, se o poeta saberia da sua existência.
7.7.22
CONVERSANDO COM O LEITOR
6.7.22
MEDO DE AMAR - PARTE XXVI
Epílogo
Dois anos depois…
O Verão, dera lugar ao Outono, e este cobrira o planeta de belas
e quentes cores alaranjadas. As folhas das árvores formavam belos e fofos tapetes
coloridos ao redor das mesmas, nos parques e passeios. O tempo arrefecera, o sol
embora se mostrasse luminoso, já não aquecia como meses atrás. O inverno estava
cada vez mais próximo. Naquele dia, o primeiro de Dezembro, Laura encontrava-se
em casa de Gonçalo, com os filhos e sobrinha, esperando o irmão que tinha ido à
Maternidade, buscar a mulher e os gémeos que ela dera à luz três dias antes.
Na sala, Matilde e Sara conversavam baixinho, provavelmente
segredos de adolescentes, enquanto Miguel fazia desenhos completamente alheio
ao que elas pudessem dizer. O menino, agora com cinco anos, não mostrava grande
interesse por outras atividades ou brincadeiras, desde que tivesse à sua frente
um lápis e um qualquer papel branco. Fernando costumava dizer a brincar que ele
devia ter encarnado o espírito de um qualquer pintor famoso.
Laura encontrava-se sentada na cozinha. Na mão esquerda,
segurava uma chávena de chá de cidreira, que de vez em quando levava à boca,
enquanto a direita acariciava o ventre.
Nos seus belos olhos azuis, um olhar sonhador e misterioso, como se
guardasse um segredo, que mais ninguém conhecia.
Pensava nos dois anos passados, desde que saltara por cima do
medo que a atormentava e aceitara casar com Fernando. Dois anos em que a sua
vida dera uma volta de cento e oitenta graus.
Depois do casamento, ela e os filhos haviam-se mudado para a
casa nova que Fernando comprara. Ele não queria viver na casa dela, dizia que a
casa estava cheia de tristes recordações e isso não ajudava a mulher e os
filhos a largarem a bagagem emocional que carregavam. E como o seu
apartamento de solteiro não era o ideal para uma família, comprara uma bonita casa
a poucos quilómetros da cidade. Era uma vivenda grande, cercada por uma boa extensão
de terreno com um jardim na frente e algumas árvores de fruto nas traseiras.
Depois aconselhara-a a vender a sua antiga casa, na cidade e a depositar o dinheiro no
banco em nome dos filhos criando assim um fundo para os seus estudos universitários
Diana, a assistente do marido, terminada que fora a sua
baixa depois do nascimento do filho, regressara ao seu lugar na clinica e durante uns
meses, Laura dedicara-se apenas à vida doméstica. Pouco tempo, pois, no ano
letivo seguinte ela retomara a sua carreira de professora, na mesma escola que Sara frequentava a
poucos minutos de casa.
Olhando para trás, Laura sabia que tinham sido dois anos
muito felizes. Claro que ela não esquecera Quim, afinal fora o seu primeiro
amor, o pai dos seus filhos. Mas a sua lembrança já não lhe acarretava
sofrimento, nem medo, era apenas a doce recordação de um tempo da sua vida que
ficara no passado.
Ao longo daqueles dois anos, Fernando sempre fora um marido apaixonado
e um verdadeiro pai para os seus filhos, que o adoravam. Agora ela estava grávida, embora fosse um
segredo só dela por enquanto.
Laura esperava contar-lhe no Natal que se aproximava. Eles nunca tinham falado em filhos, o marido sabia
que ela tomava a pílula, talvez pensasse que não queria voltar a ser mãe e
contentara-se em ser pai dos filhos dela, mas em Agosto ela deixara a pilula,
não porque sentisse uma grande necessidade de voltar a ser mãe, mas era uma
mulher muito feliz e queria retribuir essa felicidade, dando ao marido como presente, a
alegria de um filho dele.
Naquele momento ouviu-se um carro estacionar à porta e ela
apressou-se a sair de casa seguida pelas crianças.
Gonçalo saiu do carro, deu-lhe a volta e ajudou a esposa a
sair, enquanto Laura abria a porta traseira e tirava os dois ovos, onde dormiam
os gémeos Rafael e Mariana, nascidos por cesariana três dias antes.
Matilde,
agora uma bela adolescente de quinze anos apressou-se a pegar no ovo onde dormia
Mariana, encantada com a bebé loira tão parecida consigo.
Já em casa,
Gonçalo ajudou a esposa a deitar-se na grande cama de casal, enquanto a irmã retirava os bebés dos ovos e os deitava num enorme berço, onde ficariam os dois no primeiro mês.
Depois passariam para o quarto ao lado, onde seriam separados e cada um
teria o seu próprio berço.
- Todos lá para fora
agora, - ordenou Laura. Os bebés devem dormir descansados e a mãe precisa repousar.
Matilde aproximou-se da
cama e disse:
-A madrinha telefonou a
dizer que vinham cá esta noite, para ver os bebés e falar contigo.
Depois baixou-se, deu
um beijo na mãe, de seguida beijou o pai e disse:
-Estou muito feliz com
os meus irmãozinhos. Obrigado aos dois por esta felicidade.
Depois de perguntar à cunhada se precisava de alguma coisa, Laura saiu do quarto com as crianças, no momento em que um novo carro parava junto da porta. Era Fernando que ficara em casa, numa videoconferência com outros psiquiatras estrangeiros.
Ela apressou-se a abrir-lhe a porta e abraçou-o com todo o amor que o seu coração era capaz de sentir.
FIM
5.7.22
POESIA ÀS TERÇAS - VERÓNICA ALMEIDA - (MENINA DO RIO)
Nota: A foto foi-me enviada em 2009 juntamente com o poema pela autora
Meninos da Praça
Os meninos dormem
nas calçadas nuas, nas ruas
no centro do Rio, no frio
Meninos de todas as idades
acordam a cidade
E no afã;
o café da manhã
garrafinhas de cola
que de mão em mão rola
cheirando
aspirando
enganando a fome
que os consome
Rostos sujos, sem banho
São de todos os tamanhos
meninos
anjos caídos
entorpecidos
cheirando solventes
que lhes travam as mentes
anestesia,
na crueza dos dias
vagando sem mais
pedindo em sinais
- Moço, me dá um trocado
pra comprar um pão
- Que trocado, meu irmão?
Vai trabalhar, vagabundo!
E lá vai o filho do mundo
A fome gritando alto
Passa a grana, é um assalto
Ai maluco, perdeu
É tu ou eu
Passa a carteira
Que eu não tou pra brincadeira
E, nessa luta injusta
Quanto a vida custa?
Talvez escola, comida...
Educação, porque não?
Um amigo,
Um irmão
E um motivo pra sonhar...
que um dia vai melhorar
Menina do Rio
4.7.22
MEDO DE AMAR - PARTE XXV
De todas as coisas que eu imaginei que me dissesses, ou
pedisses, essa é a única que não posso dar-te. Ninguém tem a vida nas mãos e
embora eu pense que vamos viver e envelhecer juntos, não tenho como qualquer
outra pessoa qualquer garantia de que isso vá acontecer.
Todavia tal como eu tu também não podes prometer-me isso. O
que pensas que me pode acontecer, pode acontecer-te a ti. Então pensa o
seguinte. Tu sabes que amo os teus filhos como se fossem meus, não sabes? Então
na pior das hipóteses, se de repente acontecesse alguma coisa contigo, o que
seria dos teus filhos? Bem sei que o Gonçalo assumiria o cuidar deles. Mas o
Gonçalo tem os seus próprios filhos e por muito que ame os sobrinhos nunca será
o mesmo do que ficarem com um pai. E tu
sabes, porque me conheces desde que abriste os olhos para a vida que é isso que
eu serei para eles. E sabes também que eles me adoram.
Então não tenhas medo do que pode ou não acontecer. Ambos
estamos na mesma posição como aliás toda a gente. Ninguém sabe quando se deita
e põe o relógio a despertar para o dia seguinte, se vai acordar e toda a gente
o faz.
Então pensa nisso e não proteles mais a data do nosso
casamento.
Calou-se, e durante alguns minutos o silêncio caiu sobre
eles envolvendo-os como se fora um véu.
Fernando sentia o coração galopando no peito. Esperava ter
sido suficientemente convincente para apagar o medo que Laura sentia. Por fim a jovem rompeu o silêncio:
- De forma racional, eu sei que tens razão, todavia nem
sempre sou uma mulher racional. Por mim, por ti, e pelas crianças, vamos
adiante que precisam de um pai, vamos adiante. Casamos quando quiseres.
- Meu Deus Laura, - disse ele abraçando-a e beijando-lhe o
rosto, os olhos, o pescoço, antes de se perder na sua boca num beijo intenso
que a deixou trémula e sem fôlego. Depois disse:
-Por mim casávamos amanhã mesmo, mas sei que isso não é
possível. Pensas que num mês, será possível tratar de tudo.
-Provavelmente sim, - respondeu ela. Desde que consigamos
convencer um padre.
-Deixa comigo, - disse perdendo-se de novo em carícias cada
vez mais escaldantes. A Sara não está, o Miguel costuma acordar de noite? –
perguntou.
-Não. Vem - respondeu ela levantando-se e estendendo-lhe a mão
arrastou-o para o quarto de hóspedes.
Um mês depois casavam-se na igreja de Arroios, com a presença
da família e amigos. Enquanto esperava a noiva no altar, Fernando dava livre
curso ao seu nervosismo. Ainda lhe parecia um sonho que finalmente conseguisse
o realizar o sonho de toda a vida.
Finalmente após uma curta espera, que lhe parecera uma eternidade,
Helena, a cunhada entrou na igreja, com a amiga Rita. Ambas tomaram lugar junto
dos respetivos maridos no altar, pois iriam apadrinhar os noivos. Atrás a mãe
da noiva, trazia nos braços o pequeno Martim, que Rita dera à luz vinte dias
antes. Seguiam-na os netos e logo atrás a noiva pelo braço do pai. Só quando
ela chegou junto dele, Fernando respirou fundo e sentiu que o coração acalmava.
A cerimónia foi rápida, mas muito emotiva. Depois dos
cumprimentos e fotos habituais todos seguiram para o restaurante onde iria
decorrer a festa.
Laura irradiava felicidade e ninguém diria que um mês antes
vivia atormentada pelo medo de sofrer a perda de Fernando como tinha perdido
Quim.
Mais tarde, os noivos despediram-se de Gonçalo e Lena que
iam ficar com os sobrinhos durante a lua de mel e escapuliram-se sem se
despedirem de mais ninguém por medo da birra que Miguel poderia fazer se os
visse sair.
Laura não quisera ir de viagem. Ela estava muito apegada aos
filhos e não queria afastar-se muito. Uma coisa era uma semana passada em
Santarém, onde ela estava a poucos quilómetros da casa, e podia estar descansada
sabendo que se algum problema acontecesse em pouco tempo estaria junto deles,
outra diferente era ir para o México, ou Cuba como Fernando tinha sugerido.







