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19.7.19

LONGA TRAVESSIA - PARTE II


Voltou a poisar o telemóvel no mesmo sítio, olhou a mulher idosa que se encontrava na tela, e por momentos o seu rosto suavizou-se.
Murmurou algo entre dentes. Uma prece ou um reparo? 
Voltou para a sala. Ligou a televisão, e foi mudando de canal. Passados uns minutos, desligou o aparelho. Sentia-se cansado. Que seria que se passava com ele? Nunca tinha sentido aquele peso, aquela sensação de que alguma coisa lhe faltava. Olhou à sua volta. Tudo naquela casa era confortável e bom. Mas de que lhe valia isso. Que lhe valia a fortuna acumulada em tantos anos de lutas e sacrifícios?  Nunca em toda a sua vida pensou em ter uma família. Uma mulher, filhos. Crescera com um único desejo. Ser rico. Por isso lutara tanto. Era ainda um menino quando albergou no seu coração a ambição. E ela cresceu tanto e tão forte, que não deixou nele, lugar para mais nada. 
Amor? Não acreditava no amor. O dinheiro comprava tudo. Até o amor. Ele teve sempre as mulheres que quis, quando lhe apeteceu. Mulheres que davam qualquer coisa, para passarem com ele umas horas ou dias. Talvez tivessem esperanças de algo mais. A ele nunca lhe interessou saber. Do mesmo modo que nunca alguma lhe fez mossa, ou deixou recordação. Bom, para ser sincero, não era bem assim. Houve uma que foi especial.
 Tinha sido há quase dez anos. Ele trabalhava num banco e ela estava na faculdade. Conheceram-se por acaso. Ele saíra do trabalho e dirigia-se para casa. Ela vinha da Universidade e esbarraram um no outro ao dobrar a esquina da rua.  Segurou-a para que não caísse, e ao olharem-se sentiram uma grande atração um pelo outro. Tão grande, que quinze dias depois, ela deixava o quarto que dividia com uma amiga e mudava-se para o seu apartamento. Mais nova do que ele, era uma jovem, séria, estudiosa, e muito bonita. Chamava-se Teresa.
Recordou o seu belo rosto moreno, os doces olhos castanhos, as suas mãos de longos e finos dedos, que se moviam roçando o seu rosto com a suavidade de uma borboleta. A voz doce com que lhe murmurava “Amo-te” ou a loucura com que partilhava os momentos de paixão no leito, ficaram-lhe gravadas na alma. Foi uma época mágica.
Às vezes Mário pensava que nesses dois anos viveu aquilo que mais se aproximaria do amor.
Porém naquela altura estava tão cego pela ambição, que não havia, no seu coração lugar para mais nada.
Limitava-se a juntar tudo o que podia, Trabalhava muitas horas. Não só no banco, como em casa, onde fazia trabalhos de tradução





Aproveito para atualizar as notícias. O marido Graças a DEUS está melhor e tenho esperanças de que em breve virá para casa. O meu olho continua em tratamento, a próxima consulta como já vos disse é só dia 2 de Agosto. A tendinite no braço tem-me dado muitas dores pesar do Ibuprofeno do Dualgan, e do Sirdalud. O médico disse-me para dar o máximo de repouso ao braço. Mas como dar descanso ao braço direito?
Bom ainda não comprei o pc, mas estou com o portátil da minha nora. Andei  às voltas com o Smartphone para fazer a reedição mas não fui capaz.

3.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XV







Do sítio onde se encontrava, jantando sozinho, coisa rara nele, David viu o grupo que entrava no restaurante, e se dirigia para a longa mesa sobre a qual havia o dístico de reservado.
Lançou sobre o grupo um olhar vago, mas de repente, ficou rígido. Um das mulheres, parecia-se extraordinariamente com Daniela. “Ou era ela?” Interrogou-se mentalmente. Parecia mais nova. E mais bonita, apesar da sua sócia o ser muito. Recostou-se na cadeira, procurando observar o grupo sem dar nas vistas, quando ela virou o rosto para o companheiro, e ele teve a certeza, de que se tratava de Daniela.
Com aquele vestido negro, que lhe moldava o corpo, e o cabelo solto, estava linda. Ficou sem respiração, quando ela se encaminhou para o seu lugar na mesa, e ele pode observar que o vestido deixava a descoberto as costas na sua totalidade. Praguejou baixinho. Como era possível que ela fosse assim para um lugar público?
Quase não comeu, completamente pendente da mulher que se encontrava na outra mesa. Tinha vontade de se levantar, ir até lá, pegar-lhe na mão e trazê-la para junto de si.
Não sabia o que se passava com ele. Desde que a conhecera, nunca mais se interessara por mulher alguma. Só pensava nela, era como uma doença. Queria apertá-la nos braços e beijá-la até a fazer desfalecer de paixão. Amaldiçoou-se. Que raio de sentimento era aquele? Como é que podia ter-se apaixonado por uma mulher que nem sabia se era comprometida?
Daniela estava sentada entre uma mulher e um homem. De onde estava, podia ver que conversava indiscriminadamente com os dois. Logo deviam ser amigos. Se ela tivesse namorado, estaria ali. Pelo menos era o que ele faria se fosse seu namorado.  
De repente soube que queria aquela mulher para ele. Não para uma aventura como costumava ter com as inúmeras mulheres que passaram pela sua vida, mas como a sua mulher, sua amiga, sua amante para o resto da vida.
Sorriu com ironia. Desde quando não sabia o que fazer para conquistar uma mulher? “Desde que te apaixonaste” respondeu-lhe o seu subconsciente.
 De súbito, um homem jovem, alto e louro, aproximou-se da mesa, onde o grupo jantava, e David reparou que Daniela perdia o sorriso. O homem em questão, fez um cumprimento geral, trocou algumas palavras com Daniela, e despediu-se com um aceno.