Ele engoliu em seco. Naquele preciso momento deu-se conta de que não queria aquele negócio. Queria a mulher que estava a seu lado, queria o seu amor. Ricardo tinha razão. Tinha que remediar o mal que tinha feito. Tinha que lhe abrir o coração e contar toda a verdade. Só então poderia aspirar ao amor da esposa.Ergueu a mão e acariciou suavemente o rosto feminino. Decidido retomou a palavra. - Penso que temos que ter uma conversa séria. Espero que tenhas paciência para me ouvir, porque mesmo correndo o risco de te perder, acho que chegou o momento de te abrir o coração,- disse ele abraçando o corpo feminino.
Impressionada com o tom de seriedade que ele usou, Joana limpou as lágrimas no dorso da mão, e aninhou a cabeça no seu ombro, num gesto
que ele interpretou como sendo de confiança.
- A minha infância não foi fácil. Cresci com o meu pai, um homem cheio de amargura, porque
a mulher que ele amava, fugiu com outro homem, deixando-o para trás com o filho
de ambos para criar. Meu pai deu-me tudo o que o dinheiro podia comprar, boas
roupas, bons colégios um curso superior. Também me ensinou tudo o que sabia, só
não me ensinou a amar porque o seu coração estava morto para o amor.
Eu era muito pequeno, não tenho nenhuma memória da minha
mãe. A única lembrança de um afago feminino, é da minha tia quando nos
visitava. Cresci a pensar que as mulheres não prestavam e jurei a mim mesmo,
que nunca ia sofrer por causa de nenhuma. Por isso quando o meu pai morreu, eu
dediquei-me por completo aos negócios e a ser cada dia mais rico. Nunca levei as mulheres a sério, eram capazes de tudo por dinheiro, e eu tinha muito. De modo que sempre tive as que quis, quando quis. Sei que devo parecer-te muito cínico, mas eu prometi ser sincero e posso ser desagradável, desprezível até, mas não vou retocar o retrato mentindo. Há cerca de dois anos, comecei a pensar que me
tinha matado a trabalhar e não tinha um herdeiro a quem deixar o fruto do meu
trabalho. Pensei arranjar uma mulher que estivesse disposta a casar comigo, e
dar-me um filho, a troco de uma vida de luxo. Conheci uma jovem cujos pais
tinham mais pose que dinheiro e pensei que tinha encontrado a mulher ideal, mas
ela era muito frívola, e a única coisa que lhe interessava era andar de festa
em festa, exibindo-me como se eu fosse um troféu. Cansado, tinha decidido acabar com aquela espécie de relação, quando tu
apareceste no escritório, com o nosso filho. Quando vi a foto da tua irmã com o
namorado, descobri que o menino era filho do meu primo Paulo Amado, o único
filho da minha tia Conceição. Desde pequeno, quando queria fazer alguma coisa que sabia não ser correta, ele usava o meu nome. Não tens noção das vezes que paguei, por asneiras dele. Por favor, deixa-me continuar, - disse ao ver que
ela se mexia inquieta.
-Sim a tia São, é tão avó do Pedro como a tua mãe. Quando o descobri, pensei que tinha achado a solução para o meu problema. Casando contigo, e adotando o Pedro, eu teria um herdeiro do meu sangue. Por outro lado, tinha a certeza de que ele seria a salvação da minha tia que definhava dia a dia. O Paulo, nunca foi flor que se cheirasse, mas era o seu único filho e ela amava-o muito.
-Sim a tia São, é tão avó do Pedro como a tua mãe. Quando o descobri, pensei que tinha achado a solução para o meu problema. Casando contigo, e adotando o Pedro, eu teria um herdeiro do meu sangue. Por outro lado, tinha a certeza de que ele seria a salvação da minha tia que definhava dia a dia. O Paulo, nunca foi flor que se cheirasse, mas era o seu único filho e ela amava-o muito.
- Então ela sabia que o menino era seu neto, quando vinha
sempre visitá-lo?
-Sabia. E ambos esperávamos que tu a convidasses a vir
viver com a tua mãe. O que tu fizeste sem que nenhum de nós tenha tentado
influenciar-te.
-E porque tinhas tanta certeza de que o faria?
-Porque tens um coração do tamanho do mundo. E sabendo
como a tua mãe sofre pela morte da tua irmã, ias apiedar-te da minha tia. A solução era
boa para as duas, e tu além de teres bom coração, és uma mulher inteligente.
