- Vou sair, qualquer emergência liga-me para o telemóvel –
disse ao passar pelo gabinete da sua secretária.
Meteu-se no carro e dirigiu-se à morada indicada. Estacionou
o carro no lado contrário da rua. Ao sair, observou o prédio. Notava-se que já
tinha alguns anos mas estava bem conservado. Trinta e nove r/c direito dizia o
envelope. Tocou a campainha. Uma senhora de meia-idade com uma criança ao colo,
abriu-lhe a porta.
-Bom dia. A senhora é Isabel Sarmento?- perguntou.
- Se deseja falar com a Isabel ela foi ao centro de
emprego, mas deve estar a chegar.
-Muito bem, eu espero no carro. Virou-lhe as costas e
dirigiu-se à porta, mas quando a abriu viu uma mulher jovem do outro lado, e
perguntou:
- Isabel Sarmento?
- Sim. Deseja alguma coisa?
- Falar consigo. O meu nome é Ricardo Medina.
A mulher ficou lívida e Ricardo teve a sensação que ela
podia desmaiar a qualquer momento.
- Ri…cardo? O senhor é o Ricardo? Não pode ser! –
balbuciou quase sem voz.
- Claro que não pode ser, - disse irritado. Como é que se
atreveu a dar o meu nome a uma criança sem minha autorização?
-Senhor, - ela retorquiu, - não pudemos discutir este
assunto no átrio do prédio. Se puder entrar, esclarecemos o assunto.
Abriu a porta e convidou-o a entrar. Indicou-lhe a sala.
Natália, saiu da cozinha com a menina ao colo, e esta ao ver Isabel estendeu os
braços para ela chamando, mãe, mãe… Isabel deu-lhe um beijo e disse:
- A mãe agora não pode, meu amor. Natália por favor
importa-se de lhe ir dando o almoço enquanto eu atendo este senhor?
-É bonita a sua filha - disse ele tentando ser amável.
- Não é minha filha, embora lhe queira como tal. É a
Matilde e segundo a Susana, é sua filha.
Irritou-se de novo.
-Já lhe disse que não conheço nenhuma Susana. Porque não
a chama e esclarecemos este assunto de uma vez por todas?
-Susana suicidou-se há dez meses. Se me der licença eu
vou buscar a carta que ela me deixou.
Retirou-se deixando-o atordoado. Que brincadeira mais
idiota. Ele nunca conhecera nenhuma Susana. Tinha tanta certeza disso como
tinha de saber que o sol nascia todos os dias.
Isabel voltou e estendeu-lhe a carta. Depois disse-lhe
como uns pescadores encontraram o corpo irreconhecível entre as rochas e como o
reconhecimento fora feito pelas roupas que ela vestia.
-Lamento - disse ele. Que idade tinha a sua irmã quando
supostamente manteve uma relação comigo? E quando foi isso?
-Vinte anos. Há pouco mais de dois anos Susana disse que namorava consigo. Nunca a vira tão feliz e fiquei contente. Mas pouco tempo depois, disse-me que tinham acabado, caiu em depressão, e quando descobrimos que estava grávida já era tarde para um aborto. A menina tem quinze meses.
Amigos hoje vou sair bem cedinho para o Algarve, devo chegar já bem tarde, pelo que não estranhem a minha ausência.
Amigos hoje vou sair bem cedinho para o Algarve, devo chegar já bem tarde, pelo que não estranhem a minha ausência.
