Paulo chegou pontualmente às onze horas. Beijou a idosa e ajudou-a a entrar no carro, depois acariciou a cabeça de Martim e só então se virou para Amélia, e lhe roçou os lábios com uma caricia tão suave que mais parecia um beijo de brisa. Arqueou uma sobrancelha, num gesto que ela já reparara, ele repetia quando algo o preocupava, e perguntou quase num sussurro.
- Que se passa? Estás bem?
Ela acenou afirmativamente com a cabeça e apressou-se a
entrar no carro. Ele sentou-se ao volante e arrancou. Durante o trajeto Martim
não se calou. Estava muito feliz por ir passar o dia com os seus novos
amiguinhos.
Na quinta, todos estavam entusiasmados com a perspetiva
da próxima boda e as mulheres trocavam ideias para a decoração da casa e a
ementa. Paulo queria contratar uma empresa de “catering” mas elas queriam fazer a festa, já que a cerimónia seria íntima,
e apenas os colegas de Amélia estariam presentes, além da família. Ao fim
de algum tempo, ele acabou convencendo-as. Afinal ele queria que todos
estivessem felizes com aquela boda, não queria ver ninguém atarefado e nervoso com medo de que alguma coisa corresse mal.
Resolvida esta questão, passaram às seguintes. Matilde iria levar as
alianças, os meninos seriam os pajens, Alfredo e a esposa os padrinhos de
Paulo. Amélia, ainda não falara com o irmão, de férias em Cabo Verde, e teria
que lhe ligar, para saber se ele aceitaria ser o seu padrinho, ou se convidava
Carlos e a esposa. O tempo era muito curto para preparar tudo mas Paulo não
queria de modo algum prolongar o prazo. De resto o facto do irmão de Amélia
estar em Cabo Verde não seria impedimento para ela falar com ele, que teria
decerto o seu telemóvel à mão. As roupas e calçado, compravam-se num dia. Ele
sabia que talvez Alfredo, não tivesse disponibilidade financeira para tanta
despesa, mas mais tarde quando estivessem sozinhos resolveria esse problema.
Depois do almoço, os dois foram a Alvaiázera, a vila mais próxima, para falar com o
padre. Alfredo informou-os que a igreja estava aberta todo o dia, e que quando
o padre não estava por lá, estava em casa, mesmo ao lado da sacristia.
O sacerdote era um homem de idade avançada e rosto afável
que os recebeu com cordialidade, e se mostrou contente por eles procurarem a bênção
divina para o casamento, numa época em que as pessoas cada vez se casavam
menos.
Depois de ouvirem atentamente as recomendações do
sacerdote, despediram-se ficando a cerimónia marcada para quinze dias depois, às onze horas.
PORTUGAL ACABA DE SE SAGRAR CAMPEÃO EUROPEU DE FUTEBOL.
PARABÉNS PORTUGAL
E como hoje é sábado de Carnaval, eis-me pronta para a farra. Rsrsrs


