O exame de ADN levaria oito dias úteis. Helena deixou no laboratório a sua morada de Lisboa e disse a Jorge, que iria embora no dia seguinte. Se o resultado do exame fosse o que os dois pensavam que era, o pai entraria em contacto com ela quando tivesse revelado à família a sua existência. Até lá podiam falar ao telefone. Disse-lhe também que gostaria muito de conhecer a sua casa, e a sua família, mas que entenderia se a família dele, não a quisesse receber. Entretanto resolveu ir ao hotel para lhe entregar as duas certidões. Elas serviriam para quando ele tivesse de falar com a esposa, e se o resultado não fosse o que esperavam, então ela não tinha qualquer direito a eles, os documentos eram dele, e ele lhes daria o destino que entendesse.
Enquanto ela foi ao quarto, Jorge foi à receção pediu
para fecharem a conta da jovem para o dia seguinte e pagou a estadia
da jovem. Afinal, era por causa dele que ela viera até ali e fizera semelhante
despesa.
Quando a jovem desceu, guardou os documentos e saíram do
hotel para irem almoçar.
Depois do almoço, passearam um pouco e despediram-se
cerca das três horas, pois Jorge pretendia apanhar a camioneta que saía para
Nelas a essa hora.
Helena ficou triste. Voltou ao hotel e já não saiu o
resto do dia. À noite, depois do jantar, pediu que lhe fechassem a conta pois
sairia no outro dia de manhã.
Na receção disseram-lhe que a conta já fora liquidada. O
senhor Jorge Noronha pagara a conta nessa tarde enquanto ela se ausentara. Não
gostou, e não ia aceitar. A conta era sua. Jorge teria tempo de lhe pagar o que
quisesse, depois de saber o resultado do exame, se realmente fosse seu pai. Antes, não. Insistiu que queria
pagar a conta e que devolvessem ao senhor Noronha a quantia que ele despendera.
A empregada chamou o gerente.
Depois de muita insistência da jovem o gerente aceitou
que ela pagasse a conta e prometeu que eles enviariam ao senhor Jorge Noronha um cheque com
a importância que ele pagara.
Resolvido o assunto, e como a noite estava quente, saiu a dar um pequeno
passeio. Era como uma despedida. Não sabia quando, ou se voltaria. Mas era
também uma necessidade de cansar o corpo, de modo a adormecer logo que se
deitasse. Ultimamente tinha dificuldade em fazê-lo. A recordação de Cláudio e
dos momentos que passaram juntos em Coimbra, era cada dia mais pungente.
No dia seguinte, logo de manhã, apanhou a camioneta para
Coimbra, onde iria apanhar o comboio para Lisboa. Já na estação depois de
comprar o bilhete telefonou ao tio. Durante aqueles dias, fizera-o diariamente.
Com exceção da noite anterior. Agora informava-o que já estava em Coimbra e da
hora de chegada a Lisboa.
Continuava a querer conhecer Coimbra, mas enquanto se lembrasse
de Cláudio não voltaria à cidade. O pior, é que ela suspeitava que ia
lembrar-se dele durante muito tempo.
