4.9.15

A HISTÓRIA DE UM PAR DE BOTAS... DO ESTADO. PARTE II




                                            foto minha.



                                                   II


 Na Azinheira Velha, um local cheio de história, pois lá esteve sediada uma importante  base naval portuguesa, antes e depois dos descobrimentos. O local situado na feitoria da Telha, era abrigado, estava afastado da base naval da Ribeira das Naus, embora funcionasse como complemento desta, mas suficientemente afastado, dos olhares dos espiões de outros países. Acresce a isto o facto da abundante madeira de qualidade, nos arredores, dos sapais do Coina, onde essa madeira era enterrada, num processo de preparação, para a construção das caravelas e de pertencer à vila de Alhos Vedros, onde se refugiou D. João I, depois da morte da rainha, D. Filipa de Lencastre, vítima da Peste Negra que assolava a capital.
Era portanto na Azinheira Velha, que as naus seriam construídas entre o Outono e a Primavera, chegando nesta à Ribeira das naus para acabamento. Ou vice-versa, já que segundo a história, foi na Telha, no séc. XVI, na extinta Igreja de Stº André, que D. Manuel I terá assistido ao lançamento ao Tejo da Armada de Vasco da Gama. Atingida pelo terramoto de 1755 a feitoria foi destruída. Foi pois neste local cheio de história, que em 1891 a família Bensaúde, instalou a Parceria Geral de Pescarias, dedicada à pesca do bacalhau. A tão famosa Seca de Bacalhau, de que tanta vez falo nas minhas histórias.
Em 46, Manuel apaixona-se por uma das irmãs de um grande amigo, o Varandas, homem do norte como ele.
 Certo dia, logo no início do ano, o Varandas convidou o Manuel para ir com ele ao Seixal, onde ele ia visitar a irmã a trabalhar na seca. Para Manuel foi amor à primeira vista, pois ficou perdidamente apaixonado, mal viu a jovem. Ela porém não ficou muito interessada. Primeiro, porque Manuel tinha mais oito anos do que ela, segundo porque ele tinha fama de ser mulherengo, de não se prender a ninguém, e de gastar tudo o que ganhava, com “as meninas” em Lisboa.
Por pressão do irmão, mais velho, que ela respeitava, mais do que por amor, acabou por lhe aceitar namoro. Manuel estava perdidamente apaixonado. Tinha esquecido as idas a Lisboa, e tudo o que isso implicava. Todos os seus tempos livres serviam ao Manuel para ir ver a amada.
Na verdade a Seca da Azinheira, era conhecida por este nome, embora o seu verdadeiro nome, fosse Parceria Geral de Pescarias, e a Sociedade Lisbonense de Pesca de Bacalhau, conhecida por Seca do Picado, situada na Ponta dos Corvos, ficavam em frente uma da outra, apenas separadas pelo rio Coina.




                                  Antiga Seca do Seixal. 
                                  Foto de Hugo Gaito




O meu muito obrigado a todos que ontem contribuíram para que o meu dia fosse mais feliz. Bem Hajam
 






19 comentários:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Não é à toa que o Bacalhau é apreciado no mundo todo: até histórias assim, tão bem contada, ele gera! Gosto, do que escreve, Elvira!
Quanto ao seu aniversário, mandei-lhe flores virtuais, com muito carinho, pelo FB. Agora, mais um abraço...felicidades!

✿ chica disse...

Só agora consegui passar pra ler com calma, como essa bela história merece! Sempre legal! bjs, lindo fds! chica

Zilani Célia disse...

OI ELVIRA!
LENDO E ESPERANDO NOVOS CAPÍTULOS, GOSTO MUITO DE TEUS ESCRITOS.
ABRÇS
-http://zilanicelia.blogspot.com.br/

luís rodrigues coelho Coelho disse...

O amor vem sem avisar. Depois tem as suas contrariedades...
Que virá a seguir a esta apresentação??

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um belo relato histórico de que gostei bastante de ler e sempre aprendi alguma coisa.
Um abraço e bom fim de semana.

Edumanes disse...

Azinheira velha,
que não sabia a idade
alcofa grande, gorpelha
onde não havia liberdade
muita gente a ela alheia
Grândola Vila Morena
terra da fraternidade!

Grande seca naquele tempo,
neste país, mais a miséria abundava
tanto mais era o descontentamento
o fascismo terror espalhava!

Tenha um bom fim de semana amiga Elvira, um abraço.
Eduardo

Teresa Silva disse...

desconhecia completamente.
Obrigada por esta partilha!

Bjxxx

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira.
Eu casei com um dos homens mais mulherengos da cidade(só que na surdina) sem alarde e se apaixonou por mim.
E que marido companheiro...
O amor chega e muda as pessoas.
Beijos
Dorli Ramos

Olinda Melo disse...


Mais um pouco de História entrelaçada com a sua própria história.
Lembro-me bem de já nos ter falado da Seca do Bacalhau e dos seu pais, bem como dos seus irmãos.
Parabéns.Virei ver como se desenvolvem os próximos capítulos.
Bj
Olinda

Magia da Inês disse...


Você encanta com suas histórias.
O que mais gosto de ouvir é os nomes das pessoas e dos lugares.
Fico comparando o ritmo e a sonoridade do português de Portugal com o português do Brasil.


-`✿´-
✿ Bom fim de semana com tudo de bom!
-`✿´- Beijinhos.

Janita disse...

Mais um trecho narrativo onde a História e a história de Manuel se entrelaçam e nos prendem.
Gostei imenso! Cá voltarei para saber como o Manuel conquistou a irmã do amigo já que a sua fama, em relação a mulheres, não era a mais atractiva.

Um abraço e boa semana, Elvira!

Janita

Marina Fligueira disse...

¡Hola de nuevo!!!

Muy bien va a estar esta historia de amor, pues aunque ella sea más joven... No creo que pueda afectar al enamoramiento. ¡Así es el amor! Un loco virus que infecta a toda la humanidad. Bendito sea el amor y la caridad.
Ha sido un placer estar de nuevo en tu casa virtual.
Te dejo un abrazo y toda mi estima.
se muy muy feliz.

Pedro Coimbra disse...

Para continuar a seguir com atenção.
Boa semana

Duarte disse...

Excelente narrativa, de algum modo no estilo ao que nos tens habituados. Gosto.
Esta ademais com muitos dados de arquivo, toda uma lição de história.
Sim, o amor brota em qualquer momento e onde menos se espera...
Os Noruegos, que como sabes por lá andei uns dias, reprovavam este tipo de seca. Pelos posibles excrementos das aves. Nas ilhas Lofoten a seca ao ar livre era numa superficie obliqua, quase na vertical. O bacalhau não recebia quase Sol, mas o ar fresco e frio das montanhas. Também empregavam otros métodos, como tu bem deves conhecer.
Comi muito bacalhau e muito bom, de mil maneiras corado, vendem bem os seus artigos. Até o azeite de fígado, que tive que tomar ao cruzar a linha do polo Ártico.
Um abraço bem grande

Jaime Portela disse...

Uma história que está a ser muito bem contada.
A utilização de factos históricos que situam quando a história se desenrolou, é uma ideia muito boa.
Elvira, tenha uma boa semana.
Beijinhos.

José Lopes disse...

Desconhecia muito do que aqui está escrito...
Cumps

Odete Ferreira disse...

Continuo maravilhada. Factos históricos e sociológicos e agora um romance de amor... Vou já ler!
Bjo :)

Mariangela do Lago Vieira disse...

Oi Elvira que belo relado. Eu gosto muito de
ler tuas histórias.
Um grande abraço!
Mariangela

Rosemildo Sales Furtado disse...

É isso aí Elvira! O amor não manda recado, invade abruptamente sem pedir licença.

Abraços,

Furtado.