21.9.15

HOJE COMO ONTEM



                                                           Foto de Marcos Santos




Hoje como ontem companheiro
queremos encontrar a verdade
a saída para esta angústia
que grassa
as nossas feridas ainda mal cicatrizadas.

Hoje como ontem companheiro
os homens não são homens.
São brancos, pretos, amarelos
são ricos, remediados e mendigos,
são exploradores ou explorados
são chineses e ciganos
polícias e ladrões
mas não são homens...

Hoje como ontem companheiro
temos que encontrar o caminho
que há lobos esfaimados à nossa volta
esperando implacáveis o momento
de nos destruir.

Mas hoje como ontem companheiro
as nossas mãos unidas hão-de gritar
a nossa força.
Ainda que o medo sele os nossos lábios
ainda que a raiva cegue os nossos olhos
ainda que nos queiram algemar o pensamento
as nossas mãos unidas
ninguém há-de separar.



Este poema foi escrito e publicado numa pequena revista que existia em 1976. Republico-o hoje porque me parece que não evoluímos tanto quanto o  25 de Abril nos fez sonhar. É bonito dizer que somos um país democrático e livre. Mas democracia, sem pão, educação e saúde, é como poço sem água. E liberdade existe, quando somos obrigados a deixar a nossa casa, e o nosso país em busca de um emprego, que nos permita a sobrevivência?

17 comentários:

✿ chica disse...

Poema lindo e questionamentos bem oportunos...beijos, chica

Bell disse...

Gostei de ler, tenha um maravilhoso dia

bjokas =)

Edumanes disse...

Hoje como ontem, amanhã como será?
nada aprontem para depois de amanhã
não se sabe, ainda, quem lá chegará
porque cada vez a vida está menos sã!

Se mais queremos evoluir,
nas nossas mãos, temos a ferramenta
vamos votar acordados, não dormir
o bem estar constrói-se, não se inventa.

Tenha uma boa tarde, amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

António Querido disse...

Nenhum português que se preze, sonhou com este Portugal e com estes políticos, a nossa luta de tantos anos, e a explosão de liberdade naquele 25 de abril, não merecia nem de longe nem de perto o que estamos a passar!
Temos que fazer algo no próximo dia 4, que mude em Portugal, já que não temos quem dê murros na mesa de Bruxelas!
O meu abraço minha amiga.

Graça Sampaio disse...

Apesar de tudo, de tudo, de tudo, evoluímos MUITO desde a Revolução, minha querida amiga. Mas o poema mantém-se algo atual. Porque a poesia é intemporal.

Beijinhos

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira em todos os países são assim.
O pobre pede, o mendigo come no lixão, os da classe média pagam exorbitantes impostos, os velhos morrem na portas dos hospitais e os que conseguiram poupar um pouco e gostariam de viajar ficam doentes e morrem.
Beijos
minicontista

Rogerio G. V. Pereira disse...

Talvez teu poema
tivesse de esperar
até se tornar
(ainda mais) real

Pedro Coimbra disse...

Liberdade e democracia formais, Elvira Carvalho.
Devíamos aspirar a mais que isso.
Abraço

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Tem toda a razão minha amiga, continua completamente actual o poema.
Gostei de o ler.
Um abraço e continuação de uma boa semana.

Mariangela do Lago Vieira disse...

Lindo poema Elvira!
E muito atual, uma pena!
Uma boa noite!
Abraços,
Mariangela

Emília Pinto disse...

Querida Elvira, como sabes também eu vivi esse 25 de Abril e depois dele, graças à má interpretação dos trabalhadores ao significado da palavra liberdade, começaram a tomar conta das fábricas e a impedir os patrões de nelas entrarem, Aconteceu isso numa em que eu trabalhava como secretária de um chefe holandês que chegava à fabrica antes dos empregados e só a deixava depois deles; para teres uma ideia lá já havia um pequeno berçário onde as mães podiam deixar os bébés e os amamentar. Não merecia o que os trabalhadores lhe fizeram. Demorou para que a classe trabalhadora entendesse que a democracia era para todos e que o diálogo seria a melhor forma de lutar pelos seus interesses. Depois de tantos anos de opressão deve-se desculpar aqueles extremos por parte da classe trabalhadora. Foi uma época muito conturbada onde os empregos desapareceram e durante muito tempo a situação continuou mal: Em 76 emigrei para o Brasil e comigo os meus pais e irmão. Sabes, Elvira, a tua poesia está muito actual e penso que continuará a sê-lo, porque o ser humano esquece os valores e só lhe importa o poder. Sempre voto e continuarei a fazê-lo por muito que me custe admitir que não temos grandes líderes capazes de mudar o nosso país. Lutámos muito pela democracia e liberdade e portanto temos obrigação de ir às urnas. Só o voto pode dar-nos alguma esperança e é um absurdo que não façamos uso dele. Parabéns, Elvira e vamos lá...fazendo a nossa parte para que a verdadeira democracia se instale no nosso país. Um beijinho e obrigada .
Emília

Dorli Ramos disse...

Oi Elvira,
Passando para lhe desejar uma bela noite
Beijos
minicontista.

Majo disse...

~~~
~ Tempo de nuvens muito escuras...

~ Ainda assim, estamos melhor que os refugiados
que invadem a Europa.

~~~ Abraço amigo. ~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Socorro Melo disse...


De fato, não houve nenhuma evolução, amiga. O poema está bem atualizado. Estamos todos no mesmo barco, a democracia só existe no dicionário. Há falta de tudo e abundância de injustiças e de descasos. A exclusão social é assustadora. Mas, não podemos desanimar, e como no poema, devemos nos unir e gritar, e fazer acontecer, pois a união faz a força.

Belo poema. Obrigada por partilhar.

Socorro Melo

Evanir disse...

Eu sei que só venho correndo lhe visitar,
mas no momento é tudo que posso fazer.
È necessário saber que sua amizade é muito importante para mim
e que durante todo esse tempo fiz de tudo
para não cair no esquecimento.
Estou sempre postando a viagem os outros pode atrasar ,
mas a viagem é muito importante para mim.
Foi nele que conheci pessoas lindas de alma e coração.
O tempo nos faz entender que aquele ,
que tem carinho por mim jamais deixaram de viajar
comigo.
Que Jesus te abençoe sempre com saúde .
Uma semana de paz , alegria , amor e fé acima de tudo.
Beijos carinhosos.
Evanir.

Laura Santos disse...

é verdade, Elvira. De que servirá a liberdade quando as pessoas continuam de mãos atadas sem possibilidade de fazer uma vida digna aqui. Uma democracia que não responde às necessidades básicas, como o direito pleno à saúde, ao ensino e à habitação, é mera palavra oca.
Eu que o diga, porque a minha filha e os meus sobrinhos também se puseram "a caminho".
xx

Odete Ferreira disse...

Um poema que me transportou a um tempo em que muito havia a fazer. E fez-se!
Cumpriu-se muita coisa mas o atual momento inquieta, de facto.
Subscrevo, na globalidade, a tua "adenda" ao poema.
(O meu filho não emigrou porque as raízes o prendem...)
Bjo, Elvira :)