5.6.07

BALADA PARA UM CAVADOR

Passava
ao nascer do sol
enxada ao ombro
rosto mui sério.

Ia pró campo
e
quantas vezes
tempos sem fim
ficava
a olhar
os pássaros a voar.

Curvava lento
as costas
cansadas.

E a terra gemia
a cada corte
da enxada.

Ao findar o dia
triste
acabrunhado
o cavador seguia
o olhar cansado.

A enxada ao ombro
breve estremecia
e o homem sonhava
voar alto um dia.
Como os passarinhos
voar mundo além
enfrentar o mundo
e gritar também.

Liberdade! Liberdade!