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18.4.18
RENASCER - XV
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15.4.16
MANEL DA LENHA - PARTE LI
Albufeira no dia seguinte ao Sismo
Foto do Google
Porém quatro dias depois, um novo facto veio
abalar Portugal, no sentido literal da palavra, e fazer esquecer o "escândalo" da Desfolhada.
No dia 28 de Fevereiro às três horas e
quarenta e um minuto, foi registado em todo o Portugal continental um sismo de
intensidade 7,3 na escala de Richter. O sismo teve o seu epicentro ao largo da
costa, tendo sido registado com a magnitude de 7.9 Ms. Foi o maior sismo desde o terramoto de 1755.
Na casinha de madeira, debaixo do pinheiro,
os filhos do Manuel acordaram com um som aterrorizador. Era como um uivo rouco que parecia sair das entranhas da terra.
Se foi esse uivo, se o calor insuportável e sufocante, estranho numa madrugada de Inverno que os acordou, não se sabe. O certo é que acordaram, e se abraçaram assustados, antes mesmo de sentirem a casa, cama e tudo o resto, a
balançar como se fosse um berço. Não sei que sensações terão tido as pessoas
que viviam em casas normais de cimento, mas ali a casa de madeira, parecia que
dançava, ao som duma música estranha, e que a qualquer momento se ia desconjuntar. Algo verdadeiramente assustador, que eles nunca mais esquecerão.
Não mais dormiram no resto da noite, e assim,
ainda sentiram de novo o chão a tremer, com uma réplica, bastante forte, perto das cinco e meia, quando a mais
velha já se preparava para sair de casa em direcção ao trabalho. Mais tarde, a
outra filha, antes mesmo de seguir para o trabalho, disse aos pais que ia
começar a procurar uma casa de pedra para morar. Não queria continuar ali,
tinha muito medo.
Pelas sete horas, o Manuel ouviu nas notícias que o
sismo tinha feito muitos estragos em todo o país, com maior incidência em
Lisboa e Algarve. Noticiava-se até, que na zona de Alcantarilha, a aldeia de Fonte Louzeiros tinha desaparecido do mapa. Felizmente apesar de nem uma casa da aldeia ter ficado de pé, não houve vitimas mortais nessa localidade. Mais tarde os jornais e a rádio, davam conta de que o sismo provocou duas vitimas mortais, dezenas de feridos, e muitos estragos materiais. Nos dias que se seguiram, soube-se ter havido mais vítimas mortais cuja causa indirecta terá sido o
sismo.
Cumprindo a promessa que fez nesse dia, a
filha do Manuel, poucos dias depois, tinha alugado uma casa, mesmo ao lado da sociedade “Galitos”. Ela, que para a época ganhava bem, podia pagar a casa, mas queria a família junta, e o pai temia que o facto de saírem da seca
fizesse a mãe perder o emprego, ou ele ficar sem o quintal, onde continuava a semear legumes e frutos.
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