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3.5.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXXVI






-Suponho que ficarás para a festa - disse Gabi quando o almoço terminou
-Só até ver que tudo está a correr normalmente. Depois deixo-vos, que a festa é vossa, não minha.
- Eu gostaria de te pedir um favor especial. Podes ajudar a vestir-me?
-Claro que sim. Queres subir agora?
- Sim. Já passa da uma e meia, daqui a pouco estão aí os primeiros convidados.
-Vamos então. Mas espera, deixa-me ir ao carro buscar o meu vestido?. Posso vestir-me no teu quarto, não posso?
-Decerto que sim. Vai lá então buscá-lo.
Paula saiu e voltou pouco depois com o vestido e uma pequena bolsa. Subiram as escadas e entraram num dos quartos de hóspedes, em cuja cama se encontrava estendido o vestido de Gabi.
Paula pendurou o seu  no armário, e aproximou-se do leito para admirar o belo vestido.
-Não é lindo?- perguntou Gabriela.
- Maravilhoso.
-Era o mais belo da loja. Quando o Eduardo me pediu para escolher um vestido para uma cerimónia, que o Júlio queria oferecer à noiva, calculei logo o que ele e o meu irmão estavam a tramar. Os homens julgam-se muito inteligentes, mas não têm jeito nenhum para inventar uma história credível.
A jovem ia falando enquanto tirava as calças e a túnica que envergava, ficando apenas com umas minúsculas cuequinhas e o sutiã.  Paula pegou no vestido, uma maravilha de seda e renda em tom de champanhe, abriu o fecho e ajudou a jovem a vesti-lo. Tratava-se de um modelo comprido, sem mangas, de cintura vincada, a parte superior em renda e a longa saia em seda. O modelo apresentava um discreto decote em V na parte da frente, que se tornava muito mais generoso na parte de trás deixando as costas quase totalmente nuas, pelo que a jovem teve que tirar o sutiã.
-Estás linda, -elogiou Paula.
- Obrigada. Importas-te de me colocar a tiara? E diz-me uma coisa, há quanto tempo conheces o meu irmão?
- Há quinze dias, desde que foi à minha empresa contratar-me para realizar esta festa, - respondeu enquanto retirava da caixa uma bonita tiara de flores e pérolas e lha colocava na cabeça. Porque perguntas?
- Fiquei surpresa quando soube quem eras.
-Porque o teu irmão odeia o meu pai?
-O que sabes disso?
-Nada, a não ser isso. E tu?
Após uma breve hesitação Gabi respondeu:
-Era muito jovem quando tudo aconteceu e nem ele nem a minha mãe me quiseram dizer o que se passava. Só sei que foi por causa do teu pai que o meu irmão emigrou e esteve muitos anos longe de nós. Meu Deus são duas e meia. Onde estarão os meus sapatos?
Paula percebeu que estava a mentir. Ela sabia o que se tinha passado mas era evidente que não lho ia dizer. Por isso retirou os sapatos da caixa e passou-lhos dizendo:
-Se já não precisas de mim, vou-me arranjar. Preciso saber se o músico e o serviço de restaurante já cá estão e se está tudo em ordem.
-Claro. Adorei conhecer-te e espero que venhamos a ser boas amigas.