O jovem médico, parecia não reparar nela e isso acicatou o desejo de o conquistar. Foi muito fácil para Inês, fazer com que João se apaixonasse por ela. O que ele estudava e conhecia nos corações, eram doenças, não sentimentos. Nunca tinha namorado, apenas saíra algumas vezes com colegas, mas apenas nesse plano de amizade. Inexperiente nas técnicas de sedução femininas, João apaixonou-se loucamente por ela. Inês era como uma criança que faz uma birra para obter um determinado brinquedo, e quando o consegue desinteressa-se e procura outro. E assim enquanto ele sonhava com o casamento, ela sem ter terminado o namoro com ele, iniciava um novo romance com um jovem da sua classe social, filho de um rico empresário. Durante um tempo foi-se divertindo com os dois até que João descobriu e terminou tudo.
Para a sua mãe, foi uma alegria. Ela não gostara de Inês,
quando a jovem lhe fora apresentada. Achara-a vaidosa, e pretensiosa, percebera
o ar superior e o olhar de desprezo que ela lhe lançara.
“Não vale a pena sofreres por ela. Era um sapato
demasiado fino para o teu pé, filho. Ia tentar fazer-te sentir que eras inferior a ela a vida inteira. Um
dia destes encontras uma boa rapariga, capaz de te amar como mereces” – dissera-lhe
a mãe.
Mas não é fácil para ninguém, por todo o seu amor, todos
os seus sonhos de futuro numa pessoa, e ser atraiçoado daquela forma. Magoado,
jurou a si mesmo que dali para a frente, relações com mulheres, só com aquelas
que não tivessem nada mais em mente que uma boa diversão, um bocado bem passado
na cama. Estudava que nem um doido, assistia a todos os congressos médicos, e
tornava-se a cada dia um nome mais respeitado e admirado na cardiologia. Trabalhava
no hospital, tinha um consultório particular, e recebia constantemente
propostas para clinicas e hospitais privados.
Foi nessa altura que
conheceu Odete. Ela não se parecia em nada com Inês. Tinha vinte e dois anos, era
morena, de cabelos castanhos-escuros e olhos castanhos-claros, quase da cor do
mel.
