- É difícil dizer. Quando fazemos amor, ela reage com a mesma paixão de sempre. Porém muitas vezes arranja desculpas para não ir para a cama comigo, na
esperança de que eu adormeça antes dela se deitar.
- Não estará grávida? Tenho ouvido dizer que ficam um
tanto estranhas quando estão grávidas. Questão hormonal, é o que dizem.
- Não. Do jeito que ela adora a Matilde, se fosse isso, andaria
doida de alegria, e o que leio nos seus olhos é uma enorme tristeza.
-Olha, não sei que te diga. Quando vos vi juntos pelo
Natal, e depois no meu casamento fiquei feliz por te ter “empurrado” para o
casamento. Ia jurar que vocês tinham sido feitos um para o outro. Mesmo ontem,
no aniversário da Matilde, não notei essa tristeza de que falas.
-Ontem era um dia especial na vida da filha, e estava
feliz por isso.
- A única coisa que te posso dizer, é que acabes de vez, com
essa angústia. Não te levará a lado nenhum. Conversa com ela, fala-lhe dos teus
sentimentos, mostra-lhe como estás preocupado. Uma conversa sincera pode acabar
com o problema, se é que existe mesmo algum problema -aconselhou Artur.
-Tens a certeza que a tua mulher não sabe de nada? São
tão amigas...
- Penso que não, embora saiba que mesmo que soubesse de
algo, não mo diria por entender que o assunto é apenas vosso. Já te disse o que deves fazer. Não sei como te ajudar
mais. Ou talvez saiba. Vais fazer seis meses de casados por estes dias, não é
verdade?
- Depois de amanhã, dia vinte.
-Então, nesse dia a Natália pode inventar uma história
qualquer para que a Matilde fique connosco. O resto é contigo. Agora se me dás
licença, a minha mulher e a tua filha, esperam por mim no parque.
Saiu deixando o amigo ensimesmado.
Claro, ele podia preparar uma comemoração romântica do
dia. Mas o quê? Isabel era tão independente! No dia do casamento deu-lhe um
cartão de crédito, mas ela fiel à sua palavra, não o utilizou uma única vez,
a não ser para as despesas da casa, ou para comprar roupa e calçado para a filha.
Se pensasse numa noite num hotel, era bem capaz de não
aceitar, como não aceitara no dia do casamento.
Tocou a campainha e a sua secretária apareceu à porta.
- Chamaste?
- Sim. Lembras-te do restaurante que contratámos para o jantar do meu casamento?
- Perfeitamente.
- Traz-me o número do telefone dele e arranja-me também o número de uma boa florista.
- Perfeitamente.
- Traz-me o número do telefone dele e arranja-me também o número de uma boa florista.
A secretária saiu e voltou pouco depois com os números.
- Obrigado Glória. Se eu te pedisse para depois de
amanhã, ires fazer uns trabalhos na minha casa, havia algum inconveniente?
- Que tipo de trabalhos?- perguntou surpresa, pois
trabalhava há vários anos na empresa e nunca o patrão lhe fizera uma proposta
semelhante.
- Deves lembrar-te que faço nesse dia seis meses de
casado. Gostava de oferecer a minha mulher, uma comemoração romântica, com
muitas flores, na mesa, no quarto, essas coisas que as mulheres gostam, mas
receio não ser capaz de o fazer sozinho.
- Percebo. Queres que eu vá preparar o ambiente para
fazeres uma surpresa à tua esposa.
-É isso. Vou encomendar as flores e o jantar. Depois do
almoço, dou-te as chaves, passas pela florista e preparas o ambiente. Quando acabares,
voltas ao escritório e dás-me as chaves.
- Conta comigo. Encomenda rosas vermelhas, Muitas. E
agora? Precisas mais alguma coisa?
- Não. Podes ir.
