Mário ficou até tarde no escritório. Era seu hábito quando adquiria uma empresa, verificar todos os sectores, ver o que se produzia, ou se vendia mais, e o contrário. Verificar custos e margens de lucro, fazer novos planos de modo a que as empresas em pouco tempo estivessem no caminho do sucesso e claro a engrossar a sua conta bancária. Era o que pretendia fazer também nesse dia. Porém, o rever inesperadamente Teresa, e mais, saber que estava ali, sob as suas ordens, fazia com que não conseguisse concentrar-se no trabalho. Estava mais bonita que nunca. A jovenzinha de há dez anos atrás era hoje uma mulher capaz de fazer perder a cabeça a qualquer homem.
Teria casado? Não usava aliança. Mas será que isso queria dizer alguma coisa nos tempos atuais? De súbito lembrou-se. A ficha dos empregados. Rapidamente procurou a pasta. Leu-a avidamente.
Teresa Carvalho, trinta e um anos, solteira, licenciada em Gestão de Recursos Humanos. Seguia-se a morada e número de telefone.
Alegrou-se de saber que estava solteira, muito embora pensasse que isso não quereria dizer que estava livre.
Durante dois anos, viveram juntos, uma intensa relação de amor e nunca fora casada.
Abanou a cabeça, como se com isso conseguisse afugentar os pensamentos que lhe impediam a concentração.
Sentiu pena de si mesmo. Da sua solidão. De saber que chegava a casa, e a encontrava vazia.
Decididamente a idade mudava um homem. Noutros tempos quando se sentia só, ia até um qualquer bar e pouco depois estava em casa de alguma dama, ou num quarto de hotel. Na sua casa não. Na sua casa, jamais entrara outra mulher que não fosse Teresa, e isso fora há tanto tempo...
Ultimamente essas saídas, deixavam-lhe um travo amargo na boca.
Como se finalmente a sua alma acordasse de um longo sono e quisesse assumir o controlo da sua vida.
E ele, que sempre lutara para não lhe dar espaço, sentia-se impotente perante a sua revolta.
Desligou o computador, arrumou as duas pastas que tinha abertas na secretária e levantou-se decidido a ir-se embora.
Tinha fome, nem se dera conta das horas, era quase meia-noite.
Muito tarde para jantar. Comeria qualquer coisa em casa.
Antes porém escreveu numa folha de papel a seguinte mensagem.
“D. Luísa por favor, convoque uma reunião com todos os chefes de secção, para as onze horas, na sala de reuniões.
Mário”
Vestiu o casaco, guardou as chaves e o telemóvel, abriu a porta do escritório, e pousou sobre a mesa de Luísa a folha de papel.
Apagou as luzes e dirigiu-se à saída onde se cruzou com o segurança que efetuava a ronda de rotina.
Por fim saiu e dirigiu-se ao automóvel.
Os dias seguintes iam ser complicados.
Como de costume a história só volta segunda-feira.
Bom fim de semana.
Como de costume a história só volta segunda-feira.
Bom fim de semana.

