Quinze dias depois, Pedro acabara de chegar do Algarve, onde tinha formalizado a compra do Hotel Rio Azul em Albufeira. Não era uma grande unidade hoteleira, mas por algum lado se começa e de momento era o que estava disponível no mercado. cinquenta quartos, distribuídos por três pisos.
Tirou o casaco que pôs nas costas da cadeira, afrouxou o
nó da gravata, tirou-a e meteu-a na gaveta, procurando ficar o mais confortável
possível, para encarar um dia de trabalho intenso. Há três dias que estava fora,
e no dia seguinte viajaria para o Porto para supervisionar as obras de
ampliação do restaurante na cidade. Em
cima da secretária, tinha o envelope que no dia anterior Abílio Morais, o investigador
a que sempre recorria, quando era necessário, entregara.
Abriu-o e leu atentamente todas as informações. Surpreendeu-se
ao descobrir que a jovem Joana, tinha vinte e nove anos. Parecera-lhe muito
mais nova e imaginou que fosse a irmã mais nova, de Catarina quando afinal era o
contrário. Mas a sua surpresa foi muito maior ao descobrir que Joana tinha
estudado restauração e hotelaria, e tinha formação em cozinha e pastelaria.
Fora a responsável pela pastelaria, “Sonho de verão”, no Príncipe Real, até há oito meses, altura em
que teve de se despedir para cuidar da irmã grávida e da mãe que na altura lutava contra
um cancro na mama. Depois que a irmã
morreu, dedicou-se ao fabrico de bolos e organização de festas de aniversário
infantil. Criara uma firma na Internet e trabalhava por encomendas através dela.
Segundo as informações recolhidas por Abílio, as duas
irmãs eram muito unidas, e duas raparigas sossegadas. A mais nova apaixonara-se
por um jovem bem-parecido e adiantara-se ao casamento. Quando o namorado soube
que estava grávida, desapareceu e nunca mais souberam dele. A rapariga sofrera
um grande desgosto, perdera a alegria e a vontade de viver, apesar de todos os
esforços da irmã e da mãe, que sempre a apoiaram e animaram. Conseguira levar a
gravidez até ao fim, mas dera o último suspiro, mal o filho nascera.
Pôs de lado o relatório e ficou pensativo. As informações
coincidiam com o que Joana lhe havia contado naquele dia. Tinha que pensar no
que ia fazer, mas ele queria aquele menino. Era da sua família, tinha direito a
uma vida melhor do que aquela, que as duas mulheres lhe pudessem dar. Por outro
lado, ele não tinha o direito de tirar-lhes a criança. Era tudo o que lhes
restava, da filha e irmã que elas amaram. Ouviu-se um toque na porta e Rita
entrou, trazendo alguns documentos para assinar.
- Aconteceu alguma coisa digna de registo enquanto estive
fora? – Perguntou enquanto assinava o documento que tinha na sua frente.
- Nada a não ser os telefonemas da menina Cristina Barbosa, a perguntar
se o senhor já tinha regressado. A propósito se ela telefonar hoje, o que faço?
- Passa-me a chamada. Faça com que este documento siga
imediatamente para o seu destino. Depois localize o doutor Araújo e passe-me a
chamada. É urgente.
- Mais alguma coisa doutor?
- De momento não, Rita.
A secretária pegou no documento e saiu, deixando-o entregue
aos seus pensamentos.
