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30.3.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XIII





-Mas, que pode ter trazido aqui, o todo-poderoso António Ferreira, que não a sua maldita vingança?
- Continuas muito nervosa, e isso não se coaduna com uma profissional do teu gabarito. Se me conhecesses um pouco, saberias que nunca viria até aqui, para saborear uma vingança da qual não fazes parte.
- Como não, se fizeste semelhante oferta ao meu pai?
-Se por um momento sequer, imaginasse que eras capaz de aceitar, nunca teria feito essa oferta. Não me interessaria por semelhante mulher.
Encarou-o incrédula.
-Meu Deus! O homem é louco!
Ele distendeu os lábios num sorriso que não chegou aos olhos.
-Talvez o seja, mas deixa-me continuar. Não sei se sabes, mas não costumo frequentar festas. Tenho vivido apenas para o trabalho e penso que está na hora de desfrutar um pouco mais das coisas boas da vida. Minha irmã celebra no fim do mês dez anos de casamento. Quando ela casou, a minha vida não era tão abastada como hoje, e apesar de ter ajudado como pude para que tivesse um dia bonito, não foi possível fazer grande coisa. Agora pretendo oferecer-lhe a festa que não teve na altura. Uma coisa para ela recordar a vida inteira. Por isso vim. Para contratar a melhor produtora de eventos do país.
-Estás a  dizer-me, que vieste aqui contratar os meus serviços para realizar a festa das bodas de estanho da tua irmã?
- Qual é a admiração? Estou habituado a contratar sempre os melhores serviços do mercado.
-Sinceramente espanta-me que me julgasses capaz de trabalhar para ti, depois de arruinares a minha família.
- Nem mesmo se eu te prometer desistir de me vingar do teu pai?
- Como assim se já o arruinaste? Se como disseste tens a hipoteca da firma e ele não tem com resgatá-la?
-Imagina que cumpro a promessa que fiz a teu pai, não em troca de casares comigo, como lhe fiz crer, mas de que realizes essa festa?
- Farias isso?
- Podes crer. Proporcionas um dia de sonho à minha irmã, e eu salvo o teu pai.
- Deves amar muito a tua irmã! Mas…como posso ter certeza de que farás o que dizes?
- Não terás. Ou confias em mim e arriscas, ou não confias, - disse mergulhando o olhar, no mar revolto do olhar feminino.
Incapaz de sustentar muito tempo o olhar masculino, ela pegou num bloco e numa caneta e perguntou:
- Como queres que seja essa festa? Para quantos convidados? Com ou sem renovação de votos? O casamento foi civil ou religioso?
- Obrigado por teres aceitado. Com renovação de votos e o casamento foi religioso. Amanhã mando-te por "email" a lista dos convidados, e o nome do restaurante que fornecerá o "catering", que claro será um dos meus. O resto deixo com a tua imaginação e tenho a certeza que será uma festa muito bonita.