-Mas, que pode ter trazido aqui, o todo-poderoso António Ferreira, que não a sua maldita vingança?
- Continuas muito nervosa, e isso não se coaduna com uma
profissional do teu gabarito. Se me conhecesses um pouco, saberias que nunca
viria até aqui, para saborear uma vingança da qual não fazes parte.
- Como não, se fizeste semelhante oferta ao meu pai?
-Se por um momento sequer, imaginasse que eras capaz de
aceitar, nunca teria feito essa oferta. Não me interessaria por semelhante
mulher.
Encarou-o incrédula.
-Meu Deus! O homem é louco!
Ele distendeu os lábios num sorriso que não chegou aos
olhos.
-Talvez o seja, mas deixa-me continuar. Não sei se sabes,
mas não costumo frequentar festas. Tenho vivido apenas para o trabalho e penso
que está na hora de desfrutar um pouco mais das coisas boas da vida. Minha irmã
celebra no fim do mês dez anos de casamento. Quando ela casou, a minha vida não
era tão abastada como hoje, e apesar de ter ajudado como pude para que tivesse
um dia bonito, não foi possível fazer grande coisa. Agora pretendo oferecer-lhe
a festa que não teve na altura. Uma coisa para ela recordar a vida inteira. Por
isso vim. Para contratar a melhor produtora de eventos do país.
-Estás a dizer-me, que vieste aqui contratar os meus serviços
para realizar a festa das bodas de estanho da tua irmã?
- Qual é a admiração? Estou habituado a contratar sempre
os melhores serviços do mercado.
-Sinceramente espanta-me que me julgasses capaz de
trabalhar para ti, depois de arruinares a minha família.
- Nem mesmo se eu te prometer desistir de me vingar do
teu pai?
- Como assim se já o arruinaste? Se como disseste tens a
hipoteca da firma e ele não tem com resgatá-la?
-Imagina que cumpro a promessa que fiz a teu pai, não em
troca de casares comigo, como lhe fiz crer, mas de que realizes essa festa?
- Farias isso?
- Podes crer. Proporcionas um dia de sonho à minha irmã, e eu salvo o teu pai.
- Deves amar muito a tua irmã! Mas…como posso ter certeza
de que farás o que dizes?
- Não terás. Ou confias em mim e arriscas, ou não
confias, - disse mergulhando o olhar, no mar revolto do olhar feminino.
Incapaz de sustentar muito tempo o olhar masculino, ela
pegou num bloco e numa caneta e perguntou:
- Como queres que seja essa festa? Para quantos
convidados? Com ou sem renovação de votos? O casamento foi civil ou religioso?
- Obrigado por teres aceitado. Com renovação de votos e o
casamento foi religioso. Amanhã mando-te por "email" a lista dos convidados, e o
nome do restaurante que fornecerá o "catering", que claro será um dos meus. O
resto deixo com a tua imaginação e tenho a certeza que será uma festa muito bonita.
