Depois daquele fim-de-semana alucinante, em que o patinho feio da empresa se transformou num belo cisne, e fechadas que foram as bocas de espanto, com o novo visual da secretária, a vida parecia ter voltado ao normal.
Parecia, porque não raras vezes, depois daquele dia, Gabriel visitava Sandra à noite. Como se houvesse prévia combinação, chegava pelas dez horas, perguntava se ela lhe oferecia um café, e seguia para a sala, enquanto a jovem ia preparar a aromática bebida. Durante uma hora, conversavam de tudo e de nada, e pelas onze horas ele levantava-se e ia embora. O que o levava a agir assim, nem ele próprio entendia. O que sabia é que às vezes na solidão da sua grande e luxuosa sala, sentia uma necessidade premente de conversar com ela, saudade do calor humano que sentia na modesta sala de Sandra.
Ninguém que conhecesse Gabriel, acreditaria, que ele sentia necessidade de estar com uma mulher, que não fosse sua amante, e no entanto nunca houvera nada entre eles, nem sequer uma insinuação de ordem mais intima. Durante as horas de expediente, as suas relações, eram agora as de qualquer chefe, com a sua secretária. Educadas e profissionais. À noite, eram… bom a falar verdade nem ele mesmo sabia o que eram. Só sabia que aquele estranho ritual lhe dava um imenso prazer, e que se sentia em casa dela, como alguém que anda perdido e de repente encontra o seu porto de abrigo.
Por vezes sentia uma vontade louca de a beijar. Todavia sabia que se a beijasse, não se contentaria só com isso. E provavelmente ela não lhe iria perdoar nunca, e ele não arriscaria de modo algum, perder aquela sensação de bem estar consigo e com os outros, tão desconhecida até uns meses atrás.
Por isso, quando o desejo ameaçava tornar-se maior do que a sua força de vontade, despedia-se e regressava a casa.
Por isso, quando o desejo ameaçava tornar-se maior do que a sua força de vontade, despedia-se e regressava a casa.
Sandra não dizia nada. Limitava-se a fechar a porta e a encostar-se nela sorrindo tristemente. Depois que teve a certeza de que ele não era culpado do desfalque que tinha jogado o seu pai, na prisão; e que estava sinceramente disposto a ajudá-la a descobrir a verdade, o seu coração solitário e carente não resistiu. Apaixonou-se como uma adolescente. Todavia não tinha ilusões, nem acreditava no futuro daquele amor. Afinal ele era um homem rico, com uma grande empresa, e ela era apenas a filha do homem que segundo a justiça o roubara.
No seu intimo, acredita que Gabriel terá por ela um sentimento semelhante ao seu, embora talvez ele não o reconheça. Conhece-lhe o desejo, percebe a luta que ele trava consigo mesmo.
Por sua vez, ele sabe, que ela nunca será sua amante. Do mesmo modo que sabe, que ainda não está preparado para aceitar e viver uma relação séria de casamento. Por isso vivem assim, a vida pela metade, o sonho presente, uma hora por dia, quase todas as noites.
E entretanto passaram três semanas e o inspetor Pedro, ainda não dera sinal de vida.
Nota: devem notar que tenho estado mais ausente nos últimos dias. Tenho estado com ardores nos olhos e muito chorosa, pelo que estou no computador o mínimo possível. Felizmente a história é uma reposição, pois há quase uma semana que só consigo escrever alguns comentários e pouco mais.
Nota: devem notar que tenho estado mais ausente nos últimos dias. Tenho estado com ardores nos olhos e muito chorosa, pelo que estou no computador o mínimo possível. Felizmente a história é uma reposição, pois há quase uma semana que só consigo escrever alguns comentários e pouco mais.

