Helena que acabara de jantar, no hotel, regressou ao quarto, pensando no que lhe acontecera nessa tarde e em Cláudio. Interrogava-se se teria feito bem em aceitar o convite para almoçar com ele no dia seguinte. Afinal ela tinha feito aquela viagem com o firme propósito de conhecer o seu pai. Mesmo que por alguma razão não lhe dissesse quem era, queria saber como era o homem que lhe dera o ser. E nada nem ninguém deviam desviá-la desse objetivo. Nem mesmo aquele homem, interessante e másculo, com os olhos mais bonitos que ela já vira na vida. Retirou da mala um curto pijama de algodão e com ele na mão foi para a casa de banho. Despiu – se e meteu-se debaixo do chuveiro. Depois do banho secou cuidadosamente o corpo dolorido, e olhou-se ao espelho. Tinha uma grande mancha negra que ia na anca, até meio da coxa, e uma outra mais pequena junto ao joelho do lado esquerdo. E outra no ombro e no braço do mesmo lado. Enrolou o corpo na toalha e foi buscar o gel à mala que tinha deixado no quarto. Ao retirar o pacote da farmácia trouxe também o envelope que o tio lhe dera e de que nunca mais se lembrara, Deixou o envelope em cima da cama, e voltou à casa de banho, a fim de massajar a zona dorida com o gel.
Vestiu o pijama, secou e escovou os seus bonitos cabelos
negros, escovou os dentes e regressou ao quarto. Em cima da cama, continuava o
envelope. Decidida abriu-o. Dentro tinha um cartão multibanco, a nota de
abertura de uma conta com cinco mil euros, em seu nome, e uma carta do tio.
Desdobrou-a e leu.
Querida sobrinha:
Peço-te que aceites esta quantia como um presente, não
meu, mas da tua tia, que tenho a certeza o faria, na presente situação, se
estivesse entre nós. Não sei o tempo que levarás até encontrares o Jorge e o
que acontecerá depois. Que essa quantia
sirva para te ajudar enquanto não decides a tua vida. Não te passe pela cabeça
devolvê-lo sob pena de me ofenderes. Como sabes a minha irmã não teve filhos, e
o meu… bom tu sabes. Hoje és a minha única família e amo-te muito
Teu tio
Alberto.
Acabou de ler a carta com as lágrimas rolando silenciosas pelo rosto. Pegou no telemóvel e ligou ao tio.
- Tio, desculpa ligar só agora. Acabo de abrir o
envelope, e nem sei que te dizer a não ser que também te amo muito e que não
precisavas fazer isto, Eu disse-te que tinha algumas economias.
-Sim querida. Mas assim estou mais descansado e podes dispor
de mais tempo para procurares o teu pai. E de Coimbra, estás a gostar?
-Ainda não vi muita coisa, mas sim estou a gostar. Estou
no hotel, e vou deitar-me em seguida. Estou cansada.
-Fazes bem, os últimos tempos foram muito desgastantes. Vai
dando notícias.
-Fica descansado. Até amanhã. E mais uma vez muito
obrigado.
-Até amanhã querida.
Informando os amigos.
Informando os amigos.
Segundo ele a minha coluna não está para brincadeiras. O problema não são as hérnias, mas o aperto que umas vértebras estão a fazer sobre os terminais nervosos. Proibição absoluta de esforços, tomar relaxantes, e fazer fisioterapia. Se isto não resultar ou se piorar tenho que equacionar a possibilidade de ter que ser operada. Exercícios só caminhadas, o sol na praia faz bem mas a água só se estiver com temperatura "tipo caldo"
