9.11.11

HISTÓRIA DO BACALHAU



 Foto da net.  Nela se pode observar o Hortense, o Argus, o do meio que não dá para observar, mas tem 4 mastros e ao fundo o Gazela I.



Na verdade quando nos sentamos à mesa para saborear um bom prato de bacalhau, na esmagadora maioria das vezes não pensamos em como o bacalhau já foi importante na economia portuguesa.
Se a primeira referência à pesca do bacalhau pelos portugueses, data de 1353, a verdade é que noruegueses já vinham buscar sal a Portugal para salgar o bacalhau o que prova que já nessa altura o “fiel amigo” tinha muitos admiradores.
A cura do bacalhau, foi uma revolução na conservação de alimentos, já que passariam ainda alguns séculos até à invenção dos frigoríficos, e os alimentos estragavam-se rapidamente.
Salgar e secar os alimentos, veio garantir que estes não só se conservavam em perfeitas condições, como mantinham todos os nutrientes e o paladar.
Empenhados nos descobrimentos, cedo os portugueses tiveram conhecimento da Terra dos Bacalhaus, a Terra Nova, e logo pensaram que seria a melhor maneira de combaterem a fome que no séc. XV grassava na Europa. Portugal foi dos primeiros a começar a pesca do Bacalhau, logo seguido pelo resto da Europa.
No séc. XVI Portugal tinha uma frota de mais de 150 navios que partiam em finais de Abril, princípios de Maio e regressavam em Outubro com mais de três mil toneladas de bacalhau.
 Porém em 1580 a perda da Independência para Espanha, parou esta actividade e durante os 60 anos da ocupação espanhola, os franceses e holandeses apoderaram-se daquelas águas.
 Nos finais do séc. XIX fundou-se em Portugal a Parceria Geral de Pescarias, Ldª e reanimou-se a pesca do bacalhau.
 A Parceria Geral de Pescarias, Ldª possuía quatro veleiros de pesca á linha, a saber, o "Gazela I"
Cuja foto se apresenta no início do poste, e que fez a última viagem de pesca em 1969. Dois anos depois foi vendido para a América, para Museu Marítimo de Filadélfia, e em 1985, o Gazela foi transferido Philadelphia Preservation Guild, uma corporação sem fins lucrativos que agora mantém e opera o navio com a ajuda de doadores e voluntários, enviando-a como Tall Ship Filadélfia aos eventos acima e abaixo da costa leste dos EUA onde ainda navega.
 O Creoula, adquirido em 1980 pela Secretaria de Estado das Pescas, e que é hoje o navio escola que todos conhecem na Marinha Portuguesa.

O Creoula.  Foto da net.




 Foto do Argus em Ílhavo, à espera da recuperação. Foto daqui


O Argus, que fez a sua última campanha em 1970 e que foi depois adquirido por uma empresa canadiana. Mais tarde esta mesma empresa vendeu-o para uma empresa de navios turísticos de Miami que o rebaptizou de Polynesia II e o pôs a fazer passeios turísticos entre ilhas no mar das Caraíbas. Posteriormente regressou a Portugal, tendo sido comprado num leilão em Aruba, pela Empresa Pascoal & Filhos, S. A., com sede na Gafanha da Nazaré, que projecta a sua recuperação para o pôr a navegar ao serviço do Turismo. Esta mesma firma já recuperou o Santa Maria Manuela, um lugre gémeo do Argus e do Creoula.  O Hortense, um navio de três mastros parecido com o Gazela. O Hortense foi oferecido ao estado português para um museu marítimo. Semi abandonado no mar da Palha, acabou afundando-se depois de um incêndio que não se sabe como começou.
 E desde 1958 o Neptuno, um navio motor, que efectuou pescas durante 20 anos sendo depois transformado em navio congelador em serviço nos Açores, tendo sido desmantelado em Alhos Vedros em 1992.


 O  navio-motor Neptuno. Foto daqui

Nota:  Este post foi construído com conhecimento próprio e com ajuda dos arquivos do Oceanário de Lisboa




Continua

18 comentários:

Olinda Melo disse...

Querida Elvira

Preciosas informações sobre o bacalhau, o 'fiel amigo', que é quase imprescindível na gastronomia portuguesa.

Voltarei para continuar a seguir...

Beijo

Olinda

Severa Cabral(escritora) disse...

Belo alvorecer minha querida!
Muito interessante essa história do bacalhão...

Ps:Estou lá no blog do escritor e poeta Daniel Milagre.Convido você para fazer-lhe uma visita .Mesmo vivendo além mar nós temos uma grande afeição por vcs portugueses e por essa aliança que nos une.
BRASIL X PORTUGAL
http://danielmilagredanieldaniel.blogspot.com/

BlueShell disse...

Amiga, Confsso que não li: vou a Coimbra...ao IPO, co o Meu marido: é o dia da consulta de cirurgia. Vão decidir se operam 2ª vez ou não...
Estou aprrensiva...triste...
Me perdoa.

Abraço-te

Fernanda disse...

Obrigada amiga por me ter feito recuar no tempo e relembrar toda a história da pesca do bacalhau.
Lembro-me dos camiões que subiam a rua em que vivia, em V-N- de Gaia, carregados de bacalhau fresco a caminho da praia de Lavadores onde havia uma seca, e também me lembro da própria e do seu cheiro tão característico.

Beijinho

ana costa disse...

É mesmo como dizes amiga, quando temos este tão belo prato na mesa não nos lembramos de quantas e quantas pessoas tiveram que sofrer em alto mar para que isso acontecesse!
Os meus parabéns por teres trazido este tema a debate
Um beijo

Samir S. Souza disse...

Olá Elvira, como vai?

Muito interessante a história do bacalhau. Pena que aqui no Brasil o bacalhau é caro. Na verdade quase uma fortuna...

hum que água na boca que me deu agora... [você atiçou minha lombriga risos]

abraços

Paulo Cesar PC disse...

Olá querida Elvira, um beijo grande no seu coração. Nós, brasileiros, basicamente só comemos bacalhau uma vez por ano, no Natal. Em Portugal essa relação com o bacalhau ao que vejo, me parece ser mais frequente. Adorei ler e saber mais sobre isso.

Agulheta disse...

Amiga Elvira.Lembro bem de muita coisa ligada a pesca do bacalhau,o meu marido conheceu pescadores que eram embarcados,e andavam meses no mar.aqui em vila do Conde havia uma seca do bacalhau,e em Viana tem o navio Gil Eanes que dava ajuda no alto mar aos pescadores da pesca do bacalhau.Os tempos passam as memórias ficam,para alguns foram tempos difíceis da vida.Hoje passados estes anos todos,tornamos a andar para trás me parece a mim.
Abraço e tudo de bom

Kim disse...

Amiga Elvira
Quando a gente já tem alguns anos, como é o meu caso, lembra-se de todas estas coisas e mais algumas.
Efectivamente os tempos são outros e nada é como dantes. Eram tempos muito difíceis e os pequenos "doris" eram muitas vezes a última morada dos corajosos pescadores.
Conheci duas pessoas que andaram nessa faina e as "estórias" eram mais que muitas.
Desconhecia tudo o resto que aqui explanaste.
Beijinho

lis disse...

Oi Elvira
Uma delícia o bacalhau de Portugal que por aqui é apreciadíssimo e é peça cara , tanto que consumimos menos o que seria normal se fosse mais popular.
Lógico que em restaurantes ,usa-se com regularidade mas há ocasioes em que são mais procurados, na Páscoa , e nas festas e fim de ano.
Adoro os bolinhos de bacalhau, as bacalhoadas e na minha terra usa-se muito as tortas de bacalhau que são deliciosas.
Gosto de tomar conhecimento da importância que teve na vida dos portugueses.
Obrigada pelo post e volto pra continuar a leitura.
uma boa sexta feira Elvira

Mery disse...

Adorei ler" e saber mais, estou seguido você, a história do "bacalhau". é bem conhecida do meu paizinho, que aí nasceu,...
Tô honrada em fazer parte dos teus amigos seguidores.
Um beijo aqui do Brasil pra ti, Elvira.

Victor Von Serran disse...

Quem imaginaria que o bacalhau viesse de tantas campanhas....uma epopéia portuguesa !

BlueShell disse...

Agora li: espantoso...havia coisitas das quais eu tinha uma ideia mas não imaginava que ne realidade era assim...
Bom ficar a saber e por isso te agradeço.

Beijo Imenso

São disse...

Fez muito bem em recordar aqui a ligação entre o bacalhau e Portugal.

A vida de marinheiro é dura, mas a dos pescadores que iam para o Mar do Norte era durissima!!

Um bom final de semana, minha amiga, e que tudo corra a favor quanto aos exames de seu marido.

Dulce disse...

Elvira, devo discordar de nosso amigo Paulo César PC, porque aqui em casa, e em nossa família, e em casa de muitos amigos e conhecidos, bacalhau é um prato muito apreciado e muito consumido... Ao forno, ao Braz. a Gomes de Sá, a Lagareira, etc. etc... Na praça de alimentação do Mercado Municipal de SP pode-se saborear maravilhosos pasteis de bacalhau... Costumamos compor pratos deliciosos com ele, como por exemplo com grão-de-bico e até com quiabos (no dia a dia)... Sem falar nos famosos bolinhos de bacalhau. E temos restaurantes especializados em bacalhau, cheios de gente o ano todo... Como vê, esse é uma tradição que o Brasil adotou largamente, pelo menos na região sudeste do país.

Muito bom seu texto, uma excelente aula.
Beijos

Ana CarolinaPaiva dos Santos disse...

Adorei a história do bacalhau! Meu pai como bom português tem uma relação de amor incondicional com a iguaria,não pode faltar nunca no prato dele!

Ana Carolina
http://ishitaraenluarada.blogspot.com/

Isamar disse...

Gostei muito do texto, Elvira. Fiquei fascinada aquando da primeira edição e agora ainda mais com os dados históricos que lhe acrescentaste. Faz falta um documentário, na televisão, sobre a pesca e conservação do bacalhau em Portugal e tu deverias ser entrevistada.

Beijinhos

Bem-hajas!

Duarte disse...

O bacalhau uma das minhas paixões, melhor no prato, ainda que considero interessante conhecer tudo aquilo que tem que ver com este peixe.
Um dos carimbados, da colecção Vitoria, ero o bacalhau, o número 42.
Gostei, e muito

Um rande abraço