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9.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XXIII







Daniela, foi direita ao escritório do advogado, tratou da procuração em nome do sócio, assinou-a, registou-a no cartório e por fim meteu-a num envelope, e enviou-a pelo correio. Foi à agência, e comprou o bilhete de avião para Nampula, para o voo do dia seguinte. Já em casa, procurou a mala de viagem, escolheu algumas roupas simples e confortáveis, com que encheu a mala, tomou banho, enfiou uma camisa e um roupão, pegou na roupa suja, meteu-a na máquina, e só quando o tambor começou a rodar na lavagem, pensou que devia fazer alguma coisa para comer. Porém não lhe apetecia cozinhar. Abriu o congelador, retirou uma lasanha que aqueceu no micro-ondas e comeu.
Mais tarde, na sala, frente à televisão desligada, com um livro que não conseguia ler, recordou a noite anterior. Lembrou do sentimento contraditório, que a invadiu, quando David entrou, com a caixa de preservativos na mão. Alegria por saber que ele que os fora comprar naquele momento. Não os trouxera para o encontro, logo não tinha programado seduzi-la. Tristeza pela ironia que representavam. Depois, o carinho com que a despiu, a paixão com que a amou, a preocupação em levá-la ao clímax, uma, duas, três vezes.
Nunca, nem nos anos de casada se sentira tão mulher, tão amada e desejável.
Raios, porque é que não era uma mulher como as outras? E porque é que os homens haviam de fazer tanta questão em deixar descendência?  Impotente para refrear a dor que a atormentava, chorou até adormecer de cansada.
No dia seguinte acordou melhor. Procurou o passaporte, e demais documentos, verificou tudo, e depois do pequeno-almoço, dirigiu-se ao cabeleireiro, onde cortou os longos cabelos, deixando-os com um tamanho médio e um corte moderno. 
Depois passou pela perfumaria, comprou o perfume que sempre usava, e os artigos de higiene,  que utilizava habitualmente, pois não sabia se os encontraria à venda em Nampula e não queria prescindir deles.
Já passava das duas horas da tarde, quando almoçou. Tinha que estar no aeroporto às vinte e duas horas o avião partia à meia-noite. O melhor que tinha a fazer, era dormir umas horas. Acordou às dezasseis com o toque do telemóvel. Era David. Atendeu.
- Porque fizeste semelhante estupidez? – Perguntou alterado
- Porque confio em ti, - respondeu suavemente
- Raios, merecias que te tirasse tudo.
- Talvez. Mas não o farás.
  Um longo silêncio do outro lado. Depois...
- Estás muito confiante. Pode ser que te surpreenda. Quando partes?
- Logo, à meia-noite.
- Boa viagem.
Desligou sem lhe dar tempo a agradecer

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Aqui está a explicação do que aconteceu lá atrás.  Para quem pensou que tinha saltado um episódio.