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19.9.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE X





Enquanto procurava um lugar no frondoso parque que ladeava o rio Vouga, Pedro pensava em como aquele lugar era bonito. Já tinha ouvido muitos elogios à zona, todavia agora ali no meio daquele luxuriante verde, todos lhe pareciam poucos. E a surpresa da tia Palmira, quando o vira chegar?  Ela tinha recebido o telegrama, mas não o vendo há quase vinte anos,  parecia esperar o miúdo que vira da última vez, como se os anos não tivessem passado por ele.
Depois da surpresa inicial, chamou a fiel empregada, que a acompanhara a vida inteira e apresentando-lhe o sobrinho, recomendou-lhe que ele devia ser tratado como um príncipe. Depois acompanharam-no ao quarto. Era um quarto grande, com uma larga janela de vidro ornada de uma grade de ferro no exterior.
"Bem vês, somos duas mulheres sozinhas" dissera-lhe a tia com um sorriso, quando Pedro olhou a grade com estranheza. Só na manhã seguinte, verificara que todas as janelas da grande moradia de pedra ostentavam uma grade exterior. O quarto era confortável, embora sem luxos. a meio da divisão, uma enorme cama de casal, em ferro forjado, pintada de azul e coberta por uma pesada colcha de renda, cujo desenho formava várias estrelas. Branca, de franja retorcida como caracóis em cabelo de criança. Pelo menos foi o que lhe ocorreu quando olhou. Um grande guarda-fatos, sem espelho, a cómoda e as mesas-de-cabeceira em madeira escura e linhas simples, encimadas por tampo de mármore. Uma cadeira e um porta chapéus em ferro, dum lado da janela. Do outro lado um lavatório antigo, também em ferro forjado, ostentava uma bacia de esmalte, e por baixo um jarro do mesmo material, que devia servir para transportar a água. Pendurada no lavatório, uma toalha de linho, com um coração bordado na ponta, e rematada com uma renda de bicos. Ocorreu-lhe pensar como iria fazer a sua higiene ali, mas a tia adivinhando-lhe os pensamentos, disse:
- É só para enfeite não te preocupes. Temos duas casas de banho. Vem, vou mostrar-tas, tal como o resto da casa.


Vou esta tarde ao hospital de Santa Maria por causa do meu olho. Vamos ver no que vai dar

11.7.18

O DIREITO À VERDADE - XXIII




Nessa tarde, Helena foi ao posto de turismo, e além de ter trazido um mapa do distrito, fez várias perguntas à funcionária, por sinal uma senhora muito simpática que lhe deu a localização de algumas das quintas vinhateiras do distrito, e a localização dos concelhos a que pertenciam. Também lhe disse que havia camionetas regulares para esses concelhos, viagens curtas, e uma vez que ela não tinha carro, era a melhor maneira de conhecer os arredores. Já no hotel, a jovem, organizou um itinerário de modo a viajar cada dia para uma localidade, e passar o dia nesse sítio, regressando à noite ao hotel.
Assim, uma semana mais tarde, Helena já tinha passado um dia em Penalva do Castelo, onde conhecera a Igreja da Misericórdia, o Mosteiro do Santo Sepulcro, a Ponte Romana, o açude dos Cantos. Provou o “Castendo”, um pastel de feijão, doce típico da cidade, e o mais importante, conheceu vários vinhedos, soube o nome das quintas e dos seus proprietários. Estivera em Tondela, onde visitara a Igreja Matriz, a Fonte da Sereia, a Igreja do Carmo, soubera do nome de outras quintas, mas entre os seus proprietários não estava o nome do seu pai.
Também já fora a S. Pedro do Sul. Não porque tivesse esperança de encontrar aí a quinta de Jorge Noronha, mas por saber que era a terra dos seus avós, a cidade onde nasceram e viveram a mãe e a tia. O local onde tinha as suas raízes. Conheceu, a Praça do Município onde a mãe trabalhara, visitou a Igreja de S. Francisco, onde seus tios se casaram, visitou as termas, onde os dois se conheceram, percorreu o parque junto ao rio Vouga, o jardim das Termas, e ficou verdadeiramente maravilhada com a paisagem luxuriante que a rodeava. Prometeu a si mesmo que havia de voltar um dia para conhecer melhor o local e os seus arredores que lhe disseram no restaurante merecerem uma visita, como as aldeias da Pena, do Fujaco, Covas do Rio ou Covas do Monte, típicas aldeias de Xisto, que pareciam ter ficado esquecidas no tempo. O S. Macário, a Gralheira, o Bioparque do Pisão, ou a Serra da Freita. Acresce que aquela região, pertencia à zona Dão-Lafões. 
Porém segundo o tio, ela teria que procurar noutra direção. E assim seguindo o itinerário previamente marcado, ela fora conhecendo Carregal do Sal, Mortágua e Santa Comba Dão.
Na primeira, visitou os jardins da casa Aristides Sousa Mendes, o Dólmen da Orca, e o miradouro do Cristo Rei, situado na antiga propriedade de Aristides Sousa Mendes de onde pode avistar uma panorâmica fantástica. Por fim deixou-se impressionar com o moderníssimo edifício da Câmara, tão diferente de todos os que já tinha visto.
Em Mortágua além da igreja Matriz, em honra de Nossa Senhora da Assunção, do Pelourinho Manuelino e do Santuário de São Salvador do Mundo, encantou-se com as quedas de água, os moinhos e azenhas, mas toda essa beleza, não a desviou do objetivo de conhecer as quintas dos arredores e o nome dos seus donos.
Não teve melhor sorte em Santa Comba Dão, onde visitou a barragem da Aguieira e a Igreja Matriz.





14.6.18

S. PEDRO DO SUL





Para que gosta de aproveitar as férias, para cuidar do corpo, e prefere as termas à praia, vou falar hoje de um dos meus destinos preferidos. S. Pedro do Sul.
A poucos Kms de Viseu, situada numa zona montanhosa de rara beleza, a "Sintra da Beira" é local de obrigatória visita, para quem gosta de fugir da confusão das grandes cidades e mergulhar num ambiente de natureza límpido, onde se pode encher os pulmões de ar puro.


Banhado pelo Vouga, S. Pedro do Sul possui nas margens deste rio uma das termas mais antigas do país. As suas águas eram já utilizadas durante a ocupação romana, como comprovam as escavações efectuadas há mais de 20  anos, onde foram encontradas, entre outras descobertas arqueológicas, várias piscinas, e medalhas com as efígies de Constantino e de Trajano. Com a queda do império romano, o "Balneum" passou por uma fase de ostracismo que se estendeu por alguns séculos. No século XII deu-se um renascimento destas termas, passando na altura a chamarem-se as "Caldas Lafonenses" assim denominadas, já que, não só as Termas, mas todo o concelho de S. Pedro do Sul, se encontra situado em plena região de Lafões, gastronomicamente conhecida, pela famosa vitela assada, ou pelo não menos famoso cabrito da Gralheira.
Reza a história, que sofreram um grande desenvolvimento depois que D. Afonso Henriques, se recuperou nas suas águas, das mazelas obtidas na batalha de Badajoz.
No século XIX foi inaugurado um moderno balneário, baptizado com o nome de Hospital Rainha D. Amélia, porque esta rainha costumava deslocar-se ali, para naquelas águas se recuperar dos seus achaques.



Com a implementação da República, o nome mudou mais uma vez, e passou a chamar-se desde então Termas de S. Pedro do Sul.
O actual Centro Termal, foi inaugurado em 1987, sendo o antigo Balneário Rainha D. Amélia restaurado e reaberto em 2001, não só com moderno equipamento para tratamentos, mas também com um Núcleo Museológico, um Auditório, e um Salão Multiusos. Considerada como a maior da termas nacionais e uma das mais importantes da Europa, as suas águas são procuradas anualmente por mais de vinte mil pessoas que procuram a cura para, doenças do aparelho respiratório, doenças reumáticas e músculo-esqueléticas e doenças metabólico-endócrinas




Para os amantes da natureza, toda a zona envolvente é um tesouro, de grande beleza.


Situada com disse no vale de Lafões, tem à sua volta as Serras da Arada, S. Macário, e serra da Freita.. Do alto de S. Macário, podem observar-se as Serras da Estrela, Montemuro e Caramulo, todo o verdejante vale de Lafões , o Porto e a Torre dos Clérigos. Na subida para a serra pode observar as típicas aldeias de casas de xisto extraído da própria serra.As aldeias típicas da Pena, do Fujaco, de Covas do Monte, e de Covas do Rio, são presença neste maciço rochoso conhecido por "Monte Magaio", onde o tempo parece ter parado alguns séculos atrás. 




 No cimo pode ainda ver a centenária capela de S. Macário. Subindo a serra da Arada, encontra aldeias de grande beleza, como o Coelheira, onde num lago em pleno planalto da serra se podem observar belas trutas saltando, ou o Candal, com típicos conjuntos rurais que vivem essencialmente do pastorício de cabras e ovelhas. Se subirmos a Gralheira, começamos por encontrar o famoso Convento de S. Cristóvão de Lafões, cuja origem é anterior ao nascimento da Nação.
 Continuando a subida encontramos a aldeia de Manhouce, que já foi em tempos considerada a aldeia mais portuguesa, e cuja beleza etnográfica já levou a nossa TV, a fazer alguns programas sobre ela. E quem não conhece Isabel Silvestre, uma VOZ da aldeia, que canta e encanta todo o país.
A vitela de Lafões, o cabrito da Gralheira, os rojões à moda de S. Pedro, o Arroz de Vinha d’Alhos, o de Carqueja, o Bacalhau com Broa e a Sopa de Feijão com Couve à Lafonense , a chouriça caseira, e o vinho verde de Lafões,são iguarias a não perder., bem como o seu famoso pão de ló, os Caladinhos ou as Vouguinhas.
E se ao fim do dia lhe apetecer ler um livro à beira-rio? Pode sempre recorrer ao Bibliomóvel, que como o nome indica é uma pequena biblioteca itinerante. Para uma consulta na Internet, recorra à Biblioteca Municipal.
E agora ? Que tal umas férias diferentes?



fonte: Wikipédia e memórias