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19.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE LVI


As duas fotos que a filha do Manuel lhe enviou de Moçambique, para provar o casamento religioso realizado em Nampula. Na segunda foto é notória a diferença do vestido da noiva em relação ao casamento realizado no Barreiro


Em Janeiro de 71, chega uma carta da filha a viver em Nampula. Diz que esteve muito mal, por causa de uns camarões que comeu e os médicos dizem que é alérgica e não mais pode comer. Está bem, acabou de falar com o padre da Catedral de Nampula para casarem pela igreja, e que era necessário que eles agilizassem os documentos no registo do Barreiro a fim de que o casamento pudesse ser realizado em Abril nos anos do marido. O que ela não contou, foi que estando em coma no hospital, antes mesmo de recuperar a consciência, ouvia alguém ao lado que repetia insistente. "Chamem um padre que eu vou morrer" Aquilo foi-se-lhe entranhando na cabeça, e ao voltar a ficar consciente, a primeira coisa em que pensou, foi que não poderia levar a extrema-unção porque não era casada pela igreja. A educação ultra religiosa da família materna, fazia-se impor. Enquanto Manuel, tratava dos documentos que a filha lhe pedia, o filho que entretanto tinha ido às sortes e ficara apurado, ingressava na Marinha de Guerra Portuguesa. E os documentos ficaram prontos, mesmo a tempo para que o casamento se realizasse no dia 5 de Abril desse ano de 1971.
Enquanto isso, Marcelo Caetano continuava com as suas televisivas conversas em família, e anunciava reformas administrativas, constitucionais e de ensino.
Poucos dias depois do aniversário do Manuel, chegou carta da filha. Conta como foi a cerimónia do seu casamento, manda fotografias e dá notícias do tio que a visitara recentemente.  Nesse mesmo dia será descoberto o desaparecido navio "Angoche". É encontrado deserto, com sinais evidentes de ter sofrido uma explosão, e vazio da sua preciosa carga, armas para os militares portugueses e combustível para a Força Aérea.
 A Frelimo, logo apontada como responsável, fará o desmentido público.
Mas poucos dias depois, no Casino Estoril, Riquita,  a Miss Angola, é eleita Miss Portugal. O facto serviu para abafar  de certa forma o mistério do "Angoche".