-Bom ainda não acabei a conversa, -disse Ricardo ao
saírem do restaurante. – Queres andar um pouco por aqui, a noite está
agradável, ou queres regressar e conversamos em tua casa?
-Prefiro regressar, a Natália já passou grande parte do
dia com a Matilde, não quero prendê-la mais tempo do que o necessário.
Entraram no carro e minutos depois seguiam a caminho de casa da jovem. Fizeram a viagem de regresso em silêncio. Ela pensando no que
ele tinha dito no restaurante, ele ensimesmado na sua ideia e na maneira de a
expor de modo a convencê-la. Não lhe passara despercebido que fora a sua
proposta que a fizera engasgar-se. Só não sabia se de surpresa, ou de rejeição
à ideia. Não tinha sido fácil para ele tomar aquela decisão, mas agora que a tomara, queria muito que ela aceitasse, pois analisando a situação chegara à conclusão que era o melhor para a menina.
Tinham chegado. Estacionou o carro em frente à casa dela
e saiu. Isabel também o fizera, mal ele parara o veiculo, e os dois encaminharam-se para a
porta que se abriu antes que ela metesse a chave na fechadura.
- Estava a ler perto da janela, vi quando chegaram - disse Natália
-A Matilde? – perguntou a jovem.
- Dorme que nem um anjinho. Agora vou. Até amanhã.
-Até amanhã Natália e obrigada.
Ela saiu fechando a porta. Isabel voltou-se para ele.
-Entra para a sala. Já sabes onde é. Eu vou ver a Matilde
e já volto.
Sentiu vontade de lhe pedir para ir com ela, mas não o
fez. A criança não o conhecia, o vínculo que tinha de estabelecer com a menina, seria
demorado e teria que estar bem desperta. Entrou na sala, mas não se sentou.
Minutos depois Isabel regressou. Tinha tirado o casaco, e ele admirou a figura
daquela mulher que parecia tão frágil e segundo o relatório do Artur era forte
como uma rocha.
-Senta-te, e diz-me então o que decidiste – disse,
sentando-se num sofá.
Ele fez o mesmo no outro e inclinando-se para a frente
disse:
- Bom, já sabes o que decidi, disse-o no restaurante.
Penso que o melhor que podemos fazer pela Matilde, será casar-mo-nos. Tenho um
bom apartamento, e uma situação financeira desafogada. Posso vender o
apartamento e comprar uma casa quando ela começar a crescer, dar-lhe uma boa
educação académica, prepará-la para a vida, Dirás que também o podes fazer, e a
julgar pelo que fizeste com a tua irmã tenho que acreditar. Mas terás que levar
uma vida de muito sacrifício. E olha para esta casa. Está a precisar de reforma, e embora por agora a possas adiar, vai chegar o dia em que terás mesmo de fazer
obras. Isso é muito caro, e não ganharás suficiente para elas e para cuidares
da educação da Matilde. Não acredito no amor e tinha decidido morrer solteiro.
Tu renunciaste ao casamento pela educação da tua irmã, e continuarás a fazê-lo
pela Matilde. O nosso casamento seria assim como uma espécie de acordo
comercial. Além do mais, depois de casados poderás requerer a adoção da Matilde
e ela será legalmente filha dos dois.
Com o nosso amor, vamos fazer dela uma pessoa feliz, e nem precisará saber das suas conturbadas origens.
Com o nosso amor, vamos fazer dela uma pessoa feliz, e nem precisará saber das suas conturbadas origens.
-És muito generoso, - disse ela irónica. Tantas vantagens,
só para mim e para a Matilde. E tu? Que exiges tu em troca de tanta
generosidade?
Dois capítulos num dia? Pois é amigos. É que eu estou muito feliz e tinha que vos contar. Meu marido não andava bem, e fez uma endoscopia há 3 semanas. Na endoscopia, o médico viu um nódulo e mandou fazer biopsia. Tenho andado com o coração nas mãos, pois como a maioria sabe, ele já teve cancro na próstata em 2010. Há meia hora telefonaram-me a dizer que tinha chegado o resultado. E o nódulo é um quisto glandular.
Dois capítulos num dia? Pois é amigos. É que eu estou muito feliz e tinha que vos contar. Meu marido não andava bem, e fez uma endoscopia há 3 semanas. Na endoscopia, o médico viu um nódulo e mandou fazer biopsia. Tenho andado com o coração nas mãos, pois como a maioria sabe, ele já teve cancro na próstata em 2010. Há meia hora telefonaram-me a dizer que tinha chegado o resultado. E o nódulo é um quisto glandular.
