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27.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE XIV


Na manhã seguinte, quando Isabel chegou para o seu dia de trabalho, foi recebida por Antónia, que a informou da viagem do patrão. Disse-lhe que o patrão, antes de partir lhe dissera, para lhe comunicar que tinha deixado uma mensagem gravada para ela. Agradeceu o recado e dirigiu-se ao escritório para ouvir a mensagem. Ligou o gravador, e a voz grave fez-se ouvir.
- Bom dia, Isabel. Deves estar surpresa com a minha súbita partida, mas aconteceu algo que não posso adiar. Não sei quanto tempo vou estar ausente, espero que não seja muito. Até lá, estás de férias.

17.4.16

MANEL DA LENHA - PARTE LIII

        O genro do Manuel antes da partida para Moçambique




Por essa altura o filho já o filho está a trabalhar  na CP, onde o trabalho não é tão pesado e ganha um pouco mais.
Começa uma época em que o Manuel apesar de manter o quintal e ir semeando algumas coisas, não precisa já esforçar-se tanto.
Em Setembro, o Salazar, instalado no Palácio de S. Bento, dá uma entrevista, em que se julga ainda Presidente do Conselho, e diz que Marcelo Caetano está a dar aulas na Faculdade de Direito de Lisboa. Fica claro que o ditador está senil e não tem qualquer influência no País, mas a máquina montada por ele ao longo dos anos está bem oleada e continua a esmagar quem se lhe quer opor.
Aos poucos os navios vão regressando, o pessoal do norte também, e Manuel vai como todos os anos, avisar as mulheres que há muito fazem as safras, e que vivem nos arredores, desde a Telha, até Alhos Vedros, passando por todas as localidades mais próximas.
Em Novembro, extingue-se oficialmente a PIDE, e cria-se em sua substituição a DGS, Direcção Geral de Segurança. Mudou o nome, mas a política era a mesma, ou como diz o ditado, mudam as moscas...
Ainda nesse mês, Manuel sofre mais um desgosto, com a morte do padrinho do filho. O compadre, era colega do seu irmão, pois era igualmente electricista na seca. Era seu conhecido e amigo desde que o Manuel viera trabalhar para a seca com 17 anos. Era um homem ainda novo, parecia gozar de boa saúde, teve uma gripe forte, e morreu de um choque anafilático que um dos medicamentos  para a gripe, lhe provocou.
Em Dezembro o genro, que é Fuzileiro, é mobilizado para Moçambique. E se isso já não era bom,  o facto de a filha dizer que vai com ele, põe-no em sobressalto, e traz a mulher a chorar o dia inteiro.
O país, e o Manuel despediram-se de 1969, sem pena.
No país, além do sismo em Fevereiro, lamentam-se as mortes de António Sérgio, e José Régio.
Manuel, perdeu o irmão, o compadre, e quase perdia o sobrinho.